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domingo, 29 de abril de 2012

Oração da Esposa

 

Oh! Maria, Virgem Puríssima e sem mácula, Casta Esposa de S. José, Mãe terníssima de Jesus, perfeito modelo da esposas e mães, cheia de respeito e de confiança, a vós recorro e com os sentimentos da veneração, a mais profunda, me prosto a vossos pés, e imploro o vosso socorro. Vêde, oh Puríssima Maria, vêde as minhas necessidades, e as da minha família, atendei aos desejos do meu coração, pois é ao vosso tão terno e tão bom, que os entrego.

esposa

Espero que, pela vossa intercessão, alcançarei de Jesus a graça de cumprir, como devo, as obrigações de esposa e mãe. Alcançai-me o santo temor de Deus, o amor do trabalho e das boas obras, das coisas santas e da oração, a doçura, a paciência, a sabedoria, enfim todas as virtudes que o Apóstolo recomenda às mulheres cristãs, e que fazem a felicidade e ornamento das famílias.

Ensinai-me a honrar meu marido, como vós honrastes a S. José, e como a Igreja honra a Jesus Cristo; que ele ache em mim a esposa segundo o seu coração; que a união santa, que contraímos sobre a terra, subsista eternamente no Céu. Protegei meu marido, dirigi-o no caminho do bem e da justiça; pois tão cara como a minha me é a sua felicidade. Encomendo também ao vosso materno coração os meus pobres filhos. Sêde a sua mãe, inclinai o seu coração à piedade; não permitais que se afastem do caminho da virtude, tornai-os felizes, e fazei com que depois da nossa morte se lembrem de seu pai e de sua mãe e roguem a Deus por eles; honrando a sua memória com as suas virtudes. Terna mãe, tornai-os piedosos, caritativos e bons cristãos; para que sua vida, cheia de boas obras, seja coroada por uma santa morte. Fazei oh Maria, com que um dia nos achamos reunidos no Céu, e ali possamos contemplar a vossa glória, celebrar os vossos benefícios, gozar de vosso amor e louvar eternamente o vosso amado Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

Composta por D. Lucília Corrêa de Oliveira, mãe do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Ciúme–um grande inimigo do amor

 

Muitas vezes ouvimos dizer que o ciúme é o tempero do amor… não é bem assim, como veremos nesse ótimo texto do blog “Negócios de Família”.

Num relacionamento, marido e mulher precisam ter muita confiança um no outro e não permitirem desconfianças de nenhuma ordem entre o casal.

O famoso ciúme, já foi, durante muito tempo, considerado um agente do amor, diziam que quem ama cuida e tem ciúmes. Ledo engano, o amor precisa de cuidados sim, mas o ciúme é como um agrotóxico para a planta. Pode até afastar as pragas, mas tira o sabor e a beleza da planta.

Amar seu marido, seu namorado, seu noivo, requer dar-se, confiar, criar raízes. E se desde o namoro o casal não tem como confiar um no outro, esse relacionamento está fadado ao insucesso. Uma jovem que desconfia do namorado com outra moça, ou até descobre que ele tem outra e o perdoa, com certeza terá sempre uma desconfiança entre os dois, algo que irá minar a convivência deles. E nessa fase, do namoro, ainda pode recapitular, deixar esta pessoa e ir em busca de alguém em que possa confiar. Com certeza terá mais sucesso num relacionamento baseado em confiança mútua.

Já no casamento, o casal busca acertar todas as arestas para que dure para sempre, o famoso: “até que a morte os separe”. Desse modo, é necessário um maior empenho de cada um, para que o ciúme não entre neste amor e venha a criar suspeitas desnecessárias entre os dois.

Existem profissões que facilitam as suspeitas para o ciúme, como a de médicos e seus plantões, a de professores homens em colégios com maioria feminina, engenheiras em usinas onde predominam os homens, e assim por diante. Muitos criam ideias fantasiosas de seus maridos ou esposas “pulando” a cerca e indo buscar novidades em outros lugares.

Santa Teresa dizia: “ a imaginação é a louca da casa” – logo cuidemos para não dar asas a esta traidora e não nos permitirmos grandes divagações sobre o cônjuge fora de casa, no seu horário de trabalho.

O importante é cuidar da nossa aparência, do nosso humor e da nossa saúde para estarmos sempre bem quando o outro estiver junto de nós.

As mulheres se produzem muito para ir ao trabalho, e ao chegar a casa, depois da luta diária, tendem a colocar uma roupa velha, confortável e seus chinelinhos, tomando o cuidado de lavar o rosto para tirar a maquiagem por completo. E o que sobrou? Uma aparência cansada, um ar largado e pronta para jogar suas mágoas do dia no marido, que afinal de contas é com quem se pode contar para desabafar. Aí cometem o maior erro. Na rua, os maridos também veem as mulheres produzidas, cuidadas e querem a sua também ao menos cheirosa e bem posta.

Tudo isso leva à insegurança pessoal, e por consequência ao ciúme, com o medo de perder o outro. Para evitar essa situação, não vamos deixar chegar a esse ponto, vamos cuidar antes, ser espertas, ser mais carinhosas, ter detalhes de atenção com o outro, criar situações alegres e bem humoradas para que o marido queiram sempre estar perto de nós. Isso vale também para eles, é claro.

 

Fonte: Negócios de Família

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sobre o Amor Verdadeiro

 

Alice Von Hildebrand - 1º de Julho, 2007

Tradução de Rafaela Nascimento

Vivemos em uma era de grande confusão. Podemos dizer que vivemos não apenas uma confusãointelectual, mas uma confusão afetiva também. Muitas pessoas não sabem como avaliar suasemoções, pois elas não conseguem distinguir entre sentimentos verdadeiros e falsos. Elas nãosabem ao certo se estão amando realmente ou se estão apenas empolgados e com desejo deacreditar no amor porque estão carentes. Elas confundem "amar" com estar apaixonado, ou estão sempre "discernindo", sem chegar de fato, a uma decisão.

Longe de afirmar que eu possa responder a esta pergunta, tudo o que pretendo fazer é oferecer alguns "sinais" que podem ser úteis para as pessoas quando fizerem essa pergunta: Estou ou não estou amando verdadeiramente?

Boas experiências geralmente chegam como uma surpresa - presentes incríveis que não são de modo algum, frutos de nossa artimanha ou de planejamento. Elas simplesmente nos atropelam, enossa primeira reação é: "Eu não sou digno de tamanho presente. Ele (ou ela) é muito melhor do que eu". Nossos corações ficam inundados com gratidão, uma gratidão que nos torna humildes.Nós nos sentimos indignos desse presente, que parece despertar-nos de um sono profundo. Sem dúvida, a pessoa que ama, "verdadeiramente começa a viver". A pessoa que nunca amou vive emum estado de sonambulismo e se move como um robô, cumprindo seus deveres diários comapatia no coração - um coração que parece não bater.

Quando estamos amando, nós experimentamos uma alegria profunda, uma alegria que é ao mesmo tempo ardente e tranqüila, como um arbusto em chamas, mas este ardor não é destrutivo. A alegria vem do fundo do nosso ser e é muito diferente das fortes emoções que vivenciamos empaixões violentas, que não vem do interior e como um fogo de palha, duram pouco tempo e logo passam.

O coração não esta apenas pegando fogo, mas este fogo tem um efeito de fusão. Sentimos comose uma bondade que não é nossa tomasse conta de nós. Dietrich von Hildebrand fala sobre os"fluídos de bondade" de um coração amoroso.

O amor verdadeiro faz com que a pessoa que ama fique mais bonita, ela irradia alegria. Se estenão for o caso, podemos levantar sérias dúvidas se ela está realmente amando. Um ditado francês diz que: "Un saint triste est un triste saint"- um santo triste é um triste santo. Da mesma forma,um "amante" triste deve questionar se realmente ama. Pequenos e simples deveres são feitoscom alegria, porque ou eles são feitos "com ele" ou "com ela", ou porque eles são feitos com amor.

O verdadeiro amor nos torna humildes. De repente, nossas fraquezas, misérias e imperfeiçõessurgem em nossas mentes, mas sem nos causar aflição. Nós vemos os nossos erros e temos odesejo de mostrá-los para o nosso amor, para que ele nos ajude a superá-los. Queremos revelar-nos de uma forma pura espiritualmente, para que verdadeiramente sejamos conhecidos pelapessoa que amamos, temos medo de deixar que o nosso amado acredite que somos melhores do que realmente somos. Nós sentimos que o ser amado tem o direito de conhecer o nosso“verdadeiro eu” e não nossa caricatura.

O amor também está ligado a um realismo santo. A beleza da pessoa amada aparece em nossa frente, mas sem ilusão, sua beleza não é um fruto de uma ilusão, mas uma visão real - como noMonte Tabor - onde o amado terá de permanecer fiel a ela, quando essa beleza for inevitavelmente, ofuscada pela dureza do dia-a-dia.

A pessoa que ama, sempre estará disposta a dar a pessoa amada o que Dietrich von Hildebrandchama de "o crédito do amor" - isto é, quando o ente querido age de uma maneira que não entendemos ou que nos decepciona, em vez de condená-lo, a pessoa que ama vai confiar que, a vida sendo tão complexa como é, pode justificar as ações do ser amado, muito embora à primeira vista, essas ações nos causem grande dor e lamentação. A pessoa que ama verdadeiramente procura ansiosamente por "desculpas" quando o comportamento da pessoa amada nosdecepciona. Ela cuidadosamente evita julgar a conduta do outro, por mais difícil que isso possa parecer em um primeiro momento. Ele se alegra ao descobrir que estava enganado.

Como é triste a peça Cymbeline de Shakespeare, quando Posthumus é informado por um escravocanalha que sua mulher, Imogene, o tinha traído. Ele acredita no caluniador, embora tivessemuitas provas que comprovavam que ela o amava e que esse amor era puro. A peça tem um finalfeliz, mas esboça poderosamente a amargura, raiva e desespero de alguém que fica convencidode que a pessoa que ama, aquela cuja imagem é a fonte de sua alegria, o traiu.

Podemos dizer que amamos de verdade quando a impaciência do ser amado, a ingratidão, ou"rudeza" (em outras palavras, quando sua verdadeira beleza é revelada) nos causam mais sofrimento porque ele está manchando sua roupa bonita e apresenta-nos uma caricatura da suaverdadeira face, do que  se de fato tivesse nos ferido.  Acima de tudo, o verdadeiro amante se entristece quando a pessoa amada ofende a Deus. Por ordem de importância, a ofensa a Deus é a fonte primária de tristeza, o mal que ele faz a sua própria alma é a segunda; e por último –embora seja profundamente doloroso - é a ferida que ele inflige a quem o ama tão profundamente.

Quem ama verdadeiramente está mais preocupado com os interesses da pessoa amada - o querealmente beneficie a alma da pessoa amada - que com os seus próprios. Daí a disposição defazer sacrifícios por ela nas pequenas coisas da vida quotidiana em que os gostos das pessoasdiferem: um quarto muito quente ou mais frio; comer em casa ou num restaurante, ir a um jogo de futebol ou ficar em casa; assistir um programa de televisão quando o outro deseja ver um programa diferente, e assim por diante. No entanto, essa concessão deve ser limitada a casos depreferências subjetivas, é claro, e nunca deve estender-se aos princípios. Ainda assim, todos nós sabemos de cônjuges muitas vezes mal tratados por seus maridos (ou esposas), que estão tãopreocupados com o bem-estar eterno da pessoa amada que eles aceitam todos estes sofrimentos, oferecendo-los para sua causa.

Um grande sinal de amor verdadeiro é o da paciência amorosa que se tem em relação às fraquezas do ser amado. Pode ser suas idiossincrasias, seu temperamento, suas manias (todos nós temos), pode ser suas fraquezas físicas, suas singularidades psicológicas, a sua incapacidade intelectual para seguir uma linha reta de raciocínio; seu transtorno, ou o seufanatismo pela ordem. Se a um monge é dado constantemente ocasiões para "morrer para a sua própria vontade" (como diz São Bento), o mesmo acontece com os casamentos. Cardeal John Henry Newman, escreve que, mesmo nas mais profundas relações humanas, quando o amor éautêntico, a vida em comum dará uma abundância de oportunidades para provar o seu amor aosacrificar as suas próprias preferências.

A História de uma Alma, a partir deste ponto de vista, é também um tesouro espiritual. Santa Teresa de Lisieux claramente sofreu muito com a falta de educação e boas maneiras de algumas freiras. Ela aprendeu a santa arte de usar toda e qualquer irritação para dar glória a Deus, incluindo o ruído enervante que uma irmã fazia na tenda ao lado dela, que a impedia de rezar e de se recolher. Ainda assim, Teresa conseguiu vencer tudo isso através do amor.

Surpreendentemente, isso também pode trazer felicidade e melhorar os casamentos, mesmo quando a pessoa que amamos tenha ferido nossos corações. O verdadeiro amante, cujo amor é batizado, vai usar estes sacrifícios insignificantes como faziam na Idade Média, quando artistas usavam pequenas porções de lã para fazer tapeçarias maravilhosas.

O verdadeiro amante sempre usa palavra "obrigado". Também é fácil para ele dizer "me perdoe",para bem do relacionamento, por que inevitavelmente nós cometemos erros. Se alguém imaginaque ele pode encontrar-se em uma situação em que ele nunca vai cometer um erro, essa pessoanão deve se casar, ou ter filhos, ou entrar para um convento. A arte sagrada da vida é saber quevamos cometer erros, reconhecê-los, arrepender-se e, com a graça de Deus, ter a prontidão para a mudança.

Simultaneamente, é importante que ambos reconheçam os seus erros. Todos nós conhecemos casos em que uma das pessoas é sempre crítica do outro e facilmente se esquece que "aprontidão para a mudança" deve ser recíproca, e que ele também é afetado pelo pecado original.

Outra característica do amor verdadeiro é que o ser amado "está sempre presente” com a gente,mesmo quando estamos ocupados ou absorvidos com alguma obrigação. Ele cria o quadro de nossos pensamentos (depois de Deus). Assim como a fé em Deus e o amor de Deus devem ser sempre o fundo de todos os nossos pensamentos e ações, o ente querido está sempre conosco, ou seja, tudo o que nos acontece esta sempre relacionado com a pessoa amada.

O amante sente uma urgência santa para dizer "obrigado" e "me perdoe". Ela brota do seucoração sem esforço. O verdadeiro amante experimenta a verdade profunda das palavras doCântico dos Cânticos: "Se alguém desse toda a riqueza de sua casa em troca do amor, só obteria desprezo".