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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Apaixonados pelas diferenças

 

"Não há outra receita. Num relacionamento, para poder receber o que desejo, tenho de dar o primeiro passo doar-me. Por isso, o casamento é caminho de harmonia e felicidade, que se inicia com o desejo, de ambos, de fazer de tudo para dar o máximo de si para o outro.

O homem e a mulher são as duas evidentes formas de como se vive a realidade humana. Mas, na prática, esquecemo-nos que pensamos, agimos e sentimos de modos completamente diferentes. Consciente ou inconscientemente se espera receber do outro o que gostaríamos, e não o que ele pode nos dar. [E uma expectativa frustrada que leva ao desalento ao não vê-la satisfeita. O homem e a mulher estão chamados a harmonizar esforços.

Quando um homem, ao entrar em casa, esquece de dar um beijo em sua esposa e caminha direto e reto para ligar a televisão, cumprimentando-a com um seco "oi", não significa, necessariamente, que deixou de querê-la, e sim que busca uma forma da apagar as preocupações que carrega do trabalho.

Quando uma mulher interrompe o discurso inflamado do marido sobre suas realizações e planos, para recordar que a resistência do chuveiro queimou, não é sinal de indiferença, nem de que deixa de valorizar as ideias do marido, mas no dia seguinte ela tem que dar banho nas crianças com água quente. São alfinetadas que chegam a comprometer o ânimo,quando não se enxerga que cada um é diferente.

Reconhecer a diferenças entre marido e mulher é o primeiro passo para saber como e quando é preciso satisfazer as necessidades e sentimentos do outro, para que possa haver um relacionamento harmonioso e agradável. Por isso, temos que enxergar as diferenças entre ambos como uma motivação à complementaridade. Os dois necessitam ser satisfeitos e também devem satisfazer, ao mesmo tempo. Compreender que as características de um suprem as carências do outro, em prol do bem e da realização familiar.

O que ela quer
Ser ouvida com atenção. Afeto, carinho, beijos, abraços....
Transparência dos planos e sentimentos do marido.

O que ela não quer
Soluções para o que diz. Compensações materiais.
Ficar sabendo depois que as coisas acontecem.

O que ele quer
Ser reconhecido por seu empenho e capacidades. Uma esposa que se cuida.
Uma esposa preocupada com o lar e os filhos.

O que ele não quer
Que ela fale mal dele para as amigas. Uma fisionomia pálida e abatida.
Que ela se polarize somente no trabalho."

Resumo do artigo de mesmo título, por Autimio Antunes, na revista SER
FAMÍLIA, Ano III . Nº 18. Publicado originalmente em Negócios de Família.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Testemunho em Espanhol: Pilar Zamorano

 

Una convencida del amor

Pilar Arregui Zamorano, supernumeraria del Opus Dei, está casada con Jesús San Miguel. Tienen seis hijos y un nieto. Nos cuenta cómo lo que empezó siendo un interés por dar respuesta a su hija Maite sobre el matrimonio, le ha servido para aportar sus conocimientos y experiencia, a variados públicos, tanto en edades como de situaciones.

Opus Dei - Pilar Arregui es profesora de Historia del Derecho en la Universidad de Salamanca

Pilar Arregui es profesora de Historia del Derecho en la Universidad de Salamanca

Soy navarra, aunque afincada desde hace años en Salamanca. Estoy casada, tengo seis hijos y la suficiente edad para tener un nieto. Trabajo como profesora de Historia del Derecho en la Universidad de Salamanca. Me enfrento cada día al difícil reto de hacer compatible la vida familiar con la profesional, consciente de que con frecuencia no soy capaz de salir airosa en este empeño.
Desde hace tiempo me viene interesando el tema de las relaciones matrimoniales. Todo empezó cuando me planteé explicar a mi hija mayor, entonces pre-adolescente, las diferencias entre el amor y el sexo. Poco después, me pidieron que preparara una charla sobre el tema y, ya se sabe… 
Al final me ha tocado hablar del amor entre el hombre y la mujer y, por ende, del matrimonio, ante los más variados públicos: cursos de orientación familiar, cursillos prematrimoniales, colegios, institutos, asociaciones e, incluso, en una cena organizada por profesionales, todos varones, a la que acudí temblando, pero con el  convencimiento de que alguien les tenía que contar cómo se ve el partido desde el otro campo.
Como se ve, mi público ha sido muy heterogéneo: algunos eran jóvenes, otros, no tanto… Al final, siempre la misma inquietud: se va al matrimonio y se vive en él sin saber bien lo que es, fiándolo todo al amor que sentimos, cuando en realidad no sabemos realmente ni qué es amar, ni cómo hacerlo.

Opus Dei - Pilar en una foto familiar

Pilar en una foto familiar

A lo largo de estos años me he convencido de que del amor, de las relaciones entre el hombre y la mujer, hay que hablar muy pronto, especialmente en los tiempos que vivimos, donde los sentimientos, incluso los más epidérmicos, son los que guían nuestra vida. 
A nadie sorprenderá si digo que, cuando inicio una de estas charlas ante adolescentes, suelo encontrarme con sonrisas irónicas, pero al cabo de unos minutos, atienden interesados porque presienten que el amor es algo más grande de lo que hasta entonces se habían planteado, capaz de absorberles por completo.

Opus Dei -

"Los adolescentes presienten que el amor es algo más grande de lo que hasta entonces se habían planteado"

Unos y otras asienten convencidos cuando se les dice que las más de las veces se trivializa. Algunos me dicen que no es fácil. Llevan razón. Toda relación exige entrega y renuncia si se quiere ser feliz, pero en el matrimonio cristiano contamos con la gracia del Sacramento, no podemos olvidar que el matrimonio es una vocación divina.

Para terminar me gustaría recordar unas palabras del Libro de Ruth sobre el matrimonio: “Te animaré en todo lo que te interese, te comprenderé en todo lo que hay en tu alma, te amaré en todo lo que eres”. Si este ideal se nos antojara inalcanzable, seamos capaces, al menos, de poner delante de cada una de esas promesas un “intentaré”: “intentaré animarte en todo...”.

Fonte: Opus Dei

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O perigo do "planejamento familiar" (um termo perigoso usado por pessoas inocentes)

 

Antes de construir uma casa é preciso planejá-la. Será grande ou pequena? Terá um ou dois pisos? Quantos quartos e quantos banheiros? A resposta a essas perguntas depende da vontade do construtor e da utilidade que ele pretende dar à edificação.

Uma família, porém, é diferente de uma casa feita de tijolos. O tamanho dela não depende simplesmente da vontade do casal. Ele não pode “planejar” a família como faria com um edifício.

O termo “planejamento familiar” dá a entender que compete ao casal – e somente a ele – determinar o número e o espaçamento de seus filhos. Ora, essa autonomia absoluta não existe. Só Deus é o Senhor da Vida. O que o casal pode e deve fazer é ficar atento aos sinais de Deus para descobrir qual é a sua vontade, e pô-la em prática.

Ouçamos o Catecismo: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”[1]. Ora, se a família numerosa é uma bênção, ninguém pode casar-se pensando em rejeitar essa bênção.

A esse respeito comenta a ex-feminista Mary Pride em seu admirável livro “De volta ao lar”:

“Se os filhos são uma bênção, então por que não queremos todos os que Deus quer nos dar? Será que você consegue pensar em qualquer outra bênção que faz os cristãos lamentarem, se queixarem e fazerem o possível para não aceitar? Não pareceria ridículo ouvir cristãos dizendo: ‘Estou farto de todo este dinheiro que Tu me deste, Senhor. Por favor, não me dês mais nada!’ ou ‘Já tenho suficientes unções do poder do Espírito Santo sobre mim para durar pelo resto da vida. Para mim, chega, obrigado!’”[2].

O Papa João Paulo II, quando ainda era cardeal de Cracóvia, escreveu: “A família é na realidade uma instituição educadora, portanto é necessário que ela conte, se for possível, vários filhos, porque para que o novo homem forme sua personalidade é muito importante que não seja único, mas que esteja inserido numa sociedade natural. Às vezes fala-se que é ‘mais fácil educar muitos filhos do que um filho único’. Também diz-se que ‘dois não são ainda uma sociedade; eles são dois filhos únicos’”[3].

Há alguns anos uma jovem enviou-me uma mensagem por correio eletrônico contando seu “problema”: estava noiva e, segundo sua previsão, estaria fértil no dia de seu casamento. Que fazer? Respondi-lhe que fazia votos de que ela engravidasse. Expliquei-lhe que não faz sentido alguém se casar já pensando em não ter filhos. Se ela me dissesse que desejava ter filhos sim, mas só depois de três anos, eu lhe responderia: “então você se case daqui a três anos”.

Sem se dar conta, aquela moça, que aliás estava com boa-fé, havia-se tornado vítima da mentalidade segundo a qual os filhos devem ser cuidadosamente “planejados”. Gerá-los logo no início do matrimônio seria um ato de “irresponsabilidade”.

A doutrina da Igreja, porém, é outra. Dentro do matrimônio, a regra é gerar filhos. Não gerá-los é a exceção. Vejamos o que nos ensina o Papa Paulo VI sobre paternidade responsável em sua história encíclica “Humanae Vitae”:

“Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento”[4].

Note-se como a Igreja elogia a família numerosa e como, ao mesmo tempo, só admite evitar um novo nascimento “por motivos graves” e com respeito pela lei moral. O Catecismo adverte que cabe aos esposos “verificar que se seu desejo [de espaçar os nascimentos] não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável”[5]. O único meio admitido pela Igreja para espaçar os nascimentos é a continência periódica, ou seja, a abstinência de relações sexuais nos dias férteis:

“A continência periódica, os métodos de regulação da procriação baseados na auto-observação e o recurso aos períodos infecundos são conformes aos critérios objetivos da moralidade”[6]. Porém, para evitar que o casal decida valer-se da continência periódica por motivos egoísticos, a Igreja dá aos confessores a seguinte orientação: “será conveniente [para o confessor] averiguar a solidez dos motivos que se têm para a limitação da paternidade ou maternidade e a liceidade dos métodos escolhidos para distanciar e evitar uma nova concepção”[7].

Convém notar como os documentos oficiais do Santo Padre e da Cúria Romana sobre a regulação da procriação nunca empregam o termo “planejamento familiar”. Pode-se em vão procurar essa expressão na encíclica Humanae Vitae (Paulo VI, 1968), nos documentos do Concílio Vaticano II (1962-65), na exortação apostólica Familiaris Consortio (João Paulo II, 1981), na encíclica Evangelium Vitae (João Paulo II, 1995) ou no Catecismo da Igreja Católica (1992). A expressão tampouco aparece no Vade-mécum para os confessores sobre alguns temas de moral relacionados com a vida conjugal (Pontifício Conselho para a Família, 1997), que trata especificamente do tema da anticoncepção. Ao contrário, a Igreja usa “paternidade responsável” (que inclui também a abertura para uma família numerosa), “continência periódica” e “métodos de regulação da procriação”.

Lamentavelmente há católicos, incluindo sacerdotes, bispos e até Conferências Episcopais que dizem que a Igreja aceita o “planejamento familiar natural” ou os métodos naturais de “planejamento familiar”. Essa dissonância com o Magistério da Santa Sé deveria absolutamente ser evitada, porque não é uma mera questão de palavras. Por trás das palavras estão conceitos que podem distorcer a doutrina cristã sobre o matrimônio e a procriação.

Aliás, a maior rede privada de aborto, esterilização e contracepção chama-se Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF). Jorge Scala adverte que a expressão “planejamento familiar” (family planning) foi empregada pela IPPF após a Segunda Guerra Mundial, depois de vencido e desmoralizado o nazismo, para substituir “controle de natalidade” (birth control). O objetivo foi, única e exclusivamente, mascarar o caráter eugenésico e coativo de suas práticas antinatalistas[8]. Um termo cunhado pelos fautores da cultura da morte deveria ser evitado pelos defensores da vida. De fato, ele não é, de modo algum, inofensivo.

Quando estava reunida a Assembléia Nacional Constituinte, que iria elaborar a atual Constituição de 1988, o Grupo Parlamentar de Estudos em População de Desenvolvimento (GPEPD), braço legislativo da IPPF no Brasil, recebeu a generosa quantia de US$ 112.755 para inserir o “planejamento familiar” no texto de nossa Carta Magna. A entidade doadora foi “The Pathfinder Fund”. A informação é oficial, contida em um dos relatórios periódicos publicados pelo Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP):

“Planejamento familiar e Assembléia Nacional Constituinte. Monitorar e, onde necessário, dar assistência no desenvolvimento do tema planejamento familiar no texto da Constituição brasileira. Membros do Grupo Brasileiro de Parlamentares sobre População e Desenvolvimento receberão instruções técnicas sobre temas que contribuirão para debates sobre planejamento familiar – Valor do projeto US$ 112.755”.

O resultado foi a inclusão do parágrafo 7º do art. 226 na Constituição Federal:

Art. 226, § 7º, CF - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

O texto acima é sedutor. O “planejamento familiar” é livre e não imposto. Afasta-se assim a má aparência do termo “controle de natalidade”. Além disso, ele se funda na “dignidade da pessoa humana”, o que faz supor que jamais admitirá o aborto nem a mutilação dos órgãos reprodutores. Por fim, ele também se funda na “paternidade responsável”, termo este tão caro ao Magistério da Igreja.

Da forma como foi redigido, não se poderia esperar nada de mal. Puro engano. Mais de cem mil dólares não teriam sido investidos à toa. Bem depressa um deputado do Partido dos Trabalhadores (PT), Eduardo Jorge (PT/SP) apresentou um Projeto de Lei (PL 209/91) para “regulamentar” esse dispositivo constitucional. E, como não podia deixar de ser, tal regulamentação incluía a legalização da esterilização, como meio legítimo de “planejamento familiar”. Aprovado, o projeto transformou-se na lei 9263/96, que “regula o § 7º do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar, estabelece penalidades e dá outras providências”. A partir da vigência desta lei, a esterilização, que constituía crime de lesão corporal gravíssima, com pena de reclusão de dois a oito anos (art. 129, § 2º, III, CP), passou a ser um direito. Hoje o governo brasileiro se compraz em esterilizar um número cada vez maior de homens e mulheres. Tudo isso graças ao “planejamento familiar” inserido em nossa Constituição...

Anápolis, 13 de novembro de 2011. Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz. Presidente do Pró-Vida de Anápolis www.providaanapolis.org.br [1] Catecismo da Igreja Católica, n. 2373. [2] PRIDE, Mary. De volta ao lar: do feminismo à realidade. Ourinhos: Edições Cristãs, 2006, p. 70. [3] WOJTYLA, Karol. Amor e responsabilidade: estudo ético. São Paulo: Loyola, 1982. p. 216. [4] PAULO VI, Humanae Vitae, 1968, n. 10. [5] Catecismo da Igreja Católica, n. 2368. [6] Catecismo da Igreja Católica, n. 2370. [7] PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA, Vade-mécum para os confessores sobre alguns temas de moral relacionados com a vida conjugal, 1997, n.º 12. [8] SCALA, Jorge. IPPF: a multinacional de morte. Anápolis: Múltipla Gráfica, 2004, p. 20-21. [9] Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World. FNUAP, 1989/1991, fl. 76

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A harmonia conjugal é uma conquista do casal

Homem e mulher, diferentes na sua identidade e singularidade, devem construir a harmonia conjugal e esta é uma conquista que surge a partir da diversidade. Chamado à unidade em meio às diferenças individuais, o casal necessita empenhar-se nesta busca que supõe, muitas vezes, a renúncia de si em vista do bem comum do casal e da família. Não retira a individualidade dos dois, mas enriquece-os mutuamente, complementando-os.

A nossa inclinação natural é querer que domine o nosso modo de pensar e o que queremos. Isso é fruto do egoísmo e do egocentrismo, inclinações da nossa humanidade fragilizada pelo pecado original. É o Espírito que, a partir da adesão da vontade humana, constrói a unidade entre o casal, gerando frutos de amor, respeito pelas diferenças, liberdade e espontaneidade, segurança e paz. A seguir, algumas estratégias que podem favorecer a busca da harmonia conjugal.

Os dez mandamentos do casal

Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou os Dez Mandamentos do Casal. Felipe Aquino faz uma reflexão sobre eles:

1. Nunca irritar-se ao mesmo tempo: A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso nos convencer de que, na explosão, nada será feito de bom. Dom Helder Câmara tem um belo pensamento que diz: “Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura...” Seria muito eficaz usar a doçura para enfrentar os desafios da vida a dois.

2. Nunca gritar um com o outro: A não ser que a casa esteja pegando fogo. Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Gritar, muitas vezes, é próprio daquele que na sua insegurança, precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão.

3. Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro: Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença” para que mais rapidamente ele termine. Discussão no casamento é sinônimo de “guerra”; uma luta inglória. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Às vezes, uma pequena discussão esconde, por muitos dias, o sol da alegria no lar.

4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor: A outra parte tem que entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal.

5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado: A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos. Toda vez que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isso que queremos para a pessoa amada

Papa Paulo VI, diante da guerra fria e da ameaça de guerra nuclear, avisou o mundo: “A paz impõe-se somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade”. Ora, se isto é válido para o mundo encontrar a paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo, “Primeiro conserva-te em paz, depois poderás pacificar os outros”.

6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge: Na vida a dois, tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações.

7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo: Se isso não acontecer, no dia seguinte, o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema sem solução. Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução.

8. Pelo menos, uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa: Muitos têm reservas enormes de ternura, mas esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso demonstrar esse sentimento também com palavras e especialmente com gestos. Para as mulheres, isso tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem-estar. Muitos homens têm dificuldade neste ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância.

9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas: Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro é madura e demonstra ser honesta consigo mesma e com o outro. Quando erramos, não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isso é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento e crescimento. Quando temos a coragem de pedir perdão, vencendo o nosso orgulho, eliminamos quase de vez o motivo do conflito no relacionamento, e a paz retorna aos corações. É nobre pedir perdão!

10. Quando um não quer, dois não brigam: É a sabedoria popular que ensina isso. Será preciso então que alguém tome a iniciativa de quebrar o ciclo pernicioso que leva à briga. Tomar essa iniciativa será sempre um gesto de grandeza, maturidade e amor. E a melhor maneira será “não pôr lenha na fogueira”, isto é, não alimentar a discussão. Muitas vezes, é pelo silêncio de um que a calma retorna ao coração do outro. Outras vezes, será por um abraço carinhoso, ou por uma palavra amiga.

Todos nós temos a necessidade de um “bode expiatório” quando algo adverso nos ocorre. Quase que inconscientemente queremos, como se diz, “pegar alguém para Cristo”, a fim de desabafar as nossas mágoas e tensões. Isso é um mecanismo de compensação psicológica que age em todos nós nas horas amargas, mas é um grande perigo na vida familiar. Quantas e quantas vezes acabam “pagando o pato” pessoas que nada têm a ver com o problema que nos afetou. Às vezes, são os filhos que apanham do pai que chega em casa nervoso e cansado; outras vezes, é a esposa ou o marido que recebe do outro uma enxurrada de lamentações, reclamações e ofensas, sem quase nada ter a ver com o problema em si.

É necessário vigilância nestas horas para não permitir que o “sangue quente nas veias”gere uma série de injustiças com os outros. No serviço, e fora de casa, respeitamos as pessoas, o chefe, a secretária etc.; mas, em casa, onde somos “familiares”, o desrespeito acaba acontecendo. Exatamente onde estão os nossos entes mais queridos, no lar, é ali que, injustamente, descarregamos o stress do dia e as preocupações. Os filhos, a esposa, o esposo, são aqueles que merecem o nosso primeiro amor e tudo de bom que trazemos no coração. Portanto, antes de entrarmos no recinto sagrado do lar, é preciso deixar, lá fora, as mágoas, os problemas e as tensões. Estas, até podem ser tratadas com o cônjuge, buscando-se uma solução para os problemas, mas, com delicadeza, diálogo, fé e otimismo.

O amor é o oxigênio da vida em família

É o amor dos esposos que gera o amor da família e que produz o “alimento” e o “oxigênio” mais importante para os filhos. Na Encíclica Redemptor Hominis, o Papa João Paulo II disse algo marcante: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente” (RH, 10). Sem o amor a família nunca poderá atingir a sua identidade, isto é, ser uma comunidade de pessoas. O amor é mais forte do que a morte e é capaz de superar todos os obstáculos para construir o outro. Assim se expressa o Cântico dos Cânticos: “...o amor é forte como a morte... Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir.” (Ct 8,6-7)

Há alguns casais que dizem que vão se separar porque acabou o amor entre eles. Será verdade? Seria mais coerente dizer que o “verdadeiro” amor não cresceu e não amadureceu; foi queimado pelo sol forte do egoísmo e sufocado pelo amor próprio de cada um. Não seria mais coerente dizer: “Nós matamos o nosso amor?”. O poeta cristão Paul Claudel resumiu de maneira bela a grandeza da vida do casal:

O amor verdadeiro é dom recíproco que dois seres felizes fazem livremente de si próprios, de tudo o que são e têm. Isto pareceu a Deus algo de tão grande que Ele o tornou sacramento”.


Bibliografia

:

AQUINO, Felipe. Família, Santuário da vida. Canção Nova, 2006
Teologia do Matrimônio
. Santuário, 2009.
BENTO XVI, Papa. Carta Encíclica: Deus Caritas Est. Paulus, 2009.
PAULO II, Papa João. Encíclica: Sexualidade, Verdade e Significado. Paulinas, 1998.
Catecismo da Igreja Católica
. Paulinas, 1998.

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por Laura Martins, Assistente Social, Psicopedagoga e Missionária da Comunidade Shalom
Comunidade Shalom

sábado, 29 de outubro de 2011

Casamento em Crise

O que fazer com o casamento uma vez que o sentimento desapareceu? Muitos ficam admirados quando o 'sentimento' que chamam de 'amor' vai-se. Amor não é sentimento e se esse 'sentimento' está acabando, graças a Deus, pois agora chegou a hora de AMAR o outro.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Uma Teologia básica do casamento

 

Por Christopher West

O século XX testemunhou desenvolvimentos significantes na teologia da Igreja a respeito do casamento, começando com a encíclica Casti Conubii, escrita pelo Papa Pio XI em 1930, passando pelo Concílio Vaticano II e a encíclica Humanae Vitae, do Papa Paulo VI, e culminando nos vários escritos e pensamentos do Papa João Paulo II. De fato, mais de dois terços de tudo o que a Igreja Católica disse sobre o casamento em seus dois mil anos de história veio à tona durante o pontificado de João Paulo II. [1]

O Concílio Vaticano II marcou a mudança de uma apresentação meramente “jurídica” do casamento, típica de muitos pronunciamentos anteriores da Igreja, para uma abordagem mais “pessoal”. Em outras palavras, ao invés de focar meramente as “obrigações”, “direitos” e “fins” do casamento, os Padres do Concílio enfatizaram como essas mesmas obrigações, direitos e fins são manifestados pelo amor íntimo e interpessoal dos esposos. “Tal amor, fundindo o humano e o divino, conduzem os esposos a uma livre e mútua doação de si mesmos, uma doação oferecendo-se a si mesmos por uma suave afeição, e por direito; tal amor permeia completamente suas vidas, crescendo mais e melhor através de sua generosidade.” [2]

Explicar de que forma o amor conjugal pode ser uma “fusão entre o humano e o divino” é a meta da teologia do casamento. Embora muito mais possa e deva ser dito do que este artigo permite[3], nós podemos ao menos apresentar uma teologia matrimonial básica. Comecemos com uma definição do casamento vinda do Vaticano II e da Lei Canônica, e depois explicaremos cada um de seus pontos.

Uma Definição de Casamento

O casamento é a íntima, exclusiva e indissolúvel comunhão de vida e de amor assumida por homem e mulher como desígnio do Criador com o propósito de seu próprio bem e da procriação e educação dos filhos; esta aliança entre pessoas batizadas foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de um sacramento. [4]

Comunhão íntima de vida e amor: o casamento é a mais estreita e a mais íntima das afeições humanas. Ele envolve a partilha da vida inteira de uma pessoa com seu(sua) esposo(a). O casamento chama os esposos para uma mútua entrega de si mesmos um ao outro, tão íntima e completa que — sem perder sua individualidade — se tornam “um” não somente no corpo, mas também na alma.

Comunhão exclusiva de vida e amor: como uma doação mútua de duas pessoas uma à outra, esta união íntima exclui semelhante união com qualquer outra pessoa. Ela exige a total fidelidade entre os esposos. Esta exclusividade é também essencial para os filhos do casal.

Comunhão indissolúvel de vida e amor: marido e mulher não se unem apenas pela emoção ou pela simples atração erótica, a qual, egoísticamente buscada, rapidamente vão embora[5]. Eles se unem num amor conjugal autêntico pelo firme e irrevogável ato de sua própria vontade. Uma vez que seu mútuo consentimento seja consumado pela relação sexual, um inquebrável laço é estabelecido entre os esposos. Para os batizados, este laço é selado pelo Espírito Santo, e se torna absolutamente indissolúvel. Assim, a Igreja não ensina que o divórcio é errado, mas que o divórcio é impossível, independente de suas implicações civis.

Assumidos por homem e mulher: a complementariedade dos sexos é essencial para o casamento. Há tanta confusão difundida hoje em dia a respeito da natureza do casamento que alguns desejam extender o “direito legal” de se casar para duas pessoas do mesmo sexo. A verdadeira natureza do casamento torna impossível tal proposição.

Como desígnio do Criador: Deus é o autor do casamento. Ele inscreveu o chamado ao casamento em nosso próprio ser criando-nos homens e mulheres. O casamento é governado por suas leis, fielmente transmitidas por sua Noiva, a Igreja. Para o casamento ser o que ele é, ele precisa estar conforme a estas leis. O homem, portanto, não são livres para mudar qualquer significado ou propósito do casamento.

Com o propósito de seu próprio bem: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18). Ao contrário, é para o seu próprio bem, para seu benefício, enriquecimento, e finalmente, pela sua salvação, que um homem e uma mulher unem suas vidas no casamento. O casamento é a mais básica expressão da vocação para o amor que todos os homens e mulheres possuem, enquanto pessoas criadas à imagem de Deus.

E da procriação e educação dos filhos: “Por sua própria natureza, a instituição do casamento e do amor conjugal são ordenadas para a procriação e educação dos filhos, e encontrar nisso seu auge máximo”[6]. Os filhos não são acrescentados ao casamento e ao amor conjugal, mas brotam, como fruto e realização, do próprio coração da mútua doação entre os esposos. A exclusão intencional dos filhos, portanto, contradiz a própria natureza e propósito do casamento.

Aliança: uma vez que o casamento envolve um contrato legal, ele precisa se submeter à aliança matrimonial que proporciona uma estrutura mais forte e sagrada para o casamento. Uma aliança convida os esposos a compartilhar do amor livre, total, fiel e fecundo de Deus. Por isso é Deus quem, à imagem de sua própria Aliança com seu povo, une os esposos de uma forma tão ligada e tão sagrada como nenhum contrato humano poderá jamais garantir.

A dignidade de um sacramento: o casamento entre pessoas batizadas é um sinal eficaz da união entre Cristo e a Igreja e, assim, é um canal de graça (veja abaixo uma discussão mais completa). O casamento de duas pessoas não batizadas, ou entre uma batizada e outra não batizada, é considerado pela Igreja um casamento “bom e natural”. Embora não sacramentais, tais casamentos são uniões sagradas que compartilham do mesmo bem e dos mesmos propósitos do casamento sacramental.

A Centralidade do Casamento no Plano de Deus

“A Sagrada Escritura começa com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e conclui com uma visão das ‘núpcias do Cordeiro’. As Escrituras falam do começo ao fim sobre o casamento e seu ‘mistério’, sua instituição e o significado que Deus lhe deu, sua origem e seu fim, … as dificuldades em se erguer do pecado, e sua renovação ‘no Senhor’”[7]. Do começo ao fim do Antigo Testamento, o amor de Deus por seu povo é descrito como o amor de um esposo por sua noiva. No Novo Testamento, Cristo encarnou este amor. Ele veio como o Noivo Celeste para unir-se indissoluvelmente à sua Noiva, a Igreja.

O casamento, portanto, não é uma questão periférica na vida cristã. Ele se encontra justamente no coração do mistério cristão e, por meio de sua grandiosa analogia, serve para iluminá-la. Todas as analogias são inadequadas em suas tentativas de comunicar o mistério de Deus. Porém, falando sobre casamento e família, João Paulo explica: “Neste mundo inteiro não há uma imagem mais perfeita da União e Comunidade de Deus. Não há nenhuma outra realidade humana que corresponda melhor, humanamente falando, àquele mistério divino”[8].

O Papa João Paulo II vai, até agora, mostrando que nós não podemos compreender o mistério cristão sem que tenhamos em mente o “grande mistério” envolvido na criação do homem como homem e mulher e a vocação de ambos ao amor conjugal[9]. De acordo com a analogia, o plano infinito de Deus é “se casar” conosco (cf. Os 2,19). Ele quis este plano infinito para estar tão presente para nós que ele estampou uma imagem Sua em nosso próprio ser criando-nos homens e mulheres e chamando-nos ao casamento.

Homem e Mulher: Imagem da Trindade

A pessoa humana é feita à imagem de Deus (cf. Gn 1,27). João Paulo II traz uma comovente revelação ao pensamento católico colocando esta imagem não somente em nossa humanidade enquanto indivíduos, mas também na comunhão entre homem e mulher.

Como João Paulo II diz: “Deus é amor e em Si mesmo vive um mistério de comunhão pessoal amorosa. Criando a raça humana à sua própria imagem, … Deus inscreveu na humanidade do homem e da mulher a vocação, e assim a capacidade e responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é portanto a vocação fundamental e inata de cada ser humano”. O Papa continua: “A revelação cristã reconhece duas formas específicas de se realizar a vocação da pessoa humana, em sua totalidade, para amar: o casamento, e a virgindade ou celibato. Cada uma é, em sua própria forma, uma atuação da mais profunda verdade do homem, do seu ser ‘criado à imagem de Deus[10].’”

Assim, o casamento e o celibato cristão não estão em conflito, mas são provenientes do mesmo e próprio chamado à sincera doação de si mesmo no amor “nupcial”. Cada homem é chamado, em algum sentido, a ser marido e pai. Cada mulher é chamada, em algum sentido, a ser esposa e mãe. É por isso que os termos marido, esposa, pai (padre), mãe (madre), irmão (frade, de frater) e irmã são aplicados tanto no casamento quanto na vocação celibatária. Ambos, de formas diferentes mas complementares, nos molda para que façamos parte da única família de Deus.

O casamento é um sinal terreno da realidade celeste de amor e comunhão. Quando Cristo chama alguns para o celibato “por amor ao Reino” (Mt 19,12), ele chama alguns a “pular-sela” sobre o sacramento do matrimônio, a fim de dedicar todos os seus desejos de união ao único casamento que pode satisfazer: o casamento celeste entre Cristo e a Igreja.

Casamento: Sacramento de Cristo e da Igreja

O casamento entre cristãos é um sacramento pela virtude dos batismos dos esposos. Em outras palavras, o casamento é um sinal vivo que verdadeiramente comunica o amor entre Cristo e a Igreja. Os votos dos esposos vividos em comum acordo em seu dia-a-dia, e mais especificamente em sua união “em uma só carne”, constituem este sinal vivo[11]. Como S. Paulo diz: “‘Por esta razão o homem deve deixar seu pai e sua mãe e unir-se à sua esposa, e os dois devem se tornar uma só carne’. Este é um grande mistério, eu quero dizer no que se refere a Cristo e a Igreja” (Ef 5,31-32).

Uma vez que a união “em uma só carne” entre homem e mulher prefiguram Cristo e a Igreja desde “o princípio”, João Paulo II fala do casamento como o sacramento primordial. “Todos os sacramentos da nova aliança encontram, de certa forma, seu protótipo no casamento”, diz o Santo Padre[12]. É por isso que o Batismo é um “banho nupcial”[13] e a Eucaristia é “o Sacramento do Noivo e da Noiva”[14]. Quando nós recebemos o corpo de Cristo dentro de nós mesmos, de uma forma misteriosa, como uma noiva, nós concebemos nova vida em nós mesmos — vida no Espírito Santo. É este mesmo Espírito Santo que forma o laço que une os esposos no Sacramento do Matrimônio.

Este é o “mistério profundo” do qual o casamento participa. A Eucaristia, então, é a própria origem do matrimônio cristão. “No dom Eucarístico da caridade a família cristã encontra o fundamento e a alma de sua ‘comunhão’ e sua ‘missão’”[15], isto é, amar como Deus ama.

O Enlace Matrimonial

A livre troca de consentimento adequadamente testemunhada pela Igreja estabelece o laço matrimonial. A união sexual a consuma — sela, completa, aperfeiçoa. A união sexual, portanto, é onde as palavras dos votos matrimoniais tomam corpo. A própria “linguagem” que Deus inscreveu na relação sexual é a linguagem da aliança matrimonial: a livre concordância com uma união de amor indissolúvel, fiel e aberta aos filhos.

Se os esposos intencionalmente contrariam qualquer desses bens do casamento em suas expressões sexuais, a intimidade matrimonial se torna menor do que Deus quis que ela fosse. Então os esposos, ao invés de renovar seus votos através da relação, contradizem-nos. Em termos práticos, quão saudável seria um casamento em que os esposos fossem regularmente infiéis aos seus votos? Por outro lado, quão saudável seria um casamento se os esposos regularmente renovassem seus votos, expressando uma sempre crescente concordância a eles?

Os freqüentemente contestados ensinamentos da Igreja sobre a moral sexual se tornam lúcidos quando vistos desta ótica. Como todas as realidades sacramentais, quanto mais a união sexual (como expressão consumada do sacramento do matrimônio) verdadeiramente comunicar o amor e a vida de Deus, mais corretamente irá simbolizá-los.

A união sexual que é livre, total, fiel e aberta à nova vida (ou seja, a união sexual que verdadeiramente expressa os votos matrimoniais) simboliza e participa da comunhão entre Cristo e sua Igreja. Masturbação, fornicação, adultério, sexo voluntariamente estéril, atos homossexuais, etc. — nada disso simboliza corretamente o amor entre Cristo e a Igreja, e portanto nunca leva a participar deste amor. Nenhum desses comportamentos são matrimoniais, ou seja, dignos de esposos. Assim, para que uma união sexual possa consumar um matrimônio, ela precisa ser realizada de uma “maneira humana” e ser “por si mesma apropriada à geração de filhos”[16].

O Casamento e a Ruptura Causada Pelo Pecado

Esta visão sublime do casamento freqüentemente encontra muito cinismo e resistência. Quando Jesus proclamou a natureza permanente do casamento, mesmo seus discípulos lhe disseram: “Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar” (Mt 19,10).

A experiência universal demonstra que o casamento é ornado por dificuldades. “De acordo com a fé, a desarmonia que percebemos tão dolorosamente não é proveniente da natureza do homem e da mulher, nem da natureza de suas relações, mas do pecado. Como uma ruptura com Deus, o primeiro pecado teve como primeira conseqüência a ruptura da comunhão original entre homem e mulher.”[17]

A História atesta a pungente narração do Gênesis, confirmando que a destruição que foi realizada no relacionamento sexual é resultado de nossa desobediência a Deus. As diferenças entre homem e mulher, ao invés de completarem-se um ao outro e trazê-los à comunhão, são freqüentes causas de tensão e divisão. A própria atração sexual, dada originalmente por Deus para ser nossa força motriz para amar como Ele ama, é inclinada a se tornar — por causa do pecado — um desejo de auto-satisfação às custas de alguém.

Tudo isso impinge profundas feridas pessoais em maridos, esposas e em seus filhos que, por isso, freqüentemente crescem e acabam repetindo as mesmas falhas que seus pais cometeram em suas próprias relações. Por isso, torna-se fácil perder a fé no casamento. Mesmo Moisés reconheceu a fraqueza humana e permitiu o divórcio. Também Jesus diz: “É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o divórcio”. Mas então ele acrescenta que “no princípio não era assim” (Mt 19,8).

Cristo é capaz de restaurar o plano original de Deus para o casamento de acordo com a norma porque, diferente de Moisés, Cristo é capaz de remover nossa “dureza de coração”. Seu milagre nas bodas de Caná conta a história de uma redenção matrimonial. Se o casal tiver “esgotado o vinho” necessário para viver o casamento de acordo com o plano original de Deus, Cristo vem ao mundo e “repõe o vinho” com superabundância (cf. Jo 2).

Um Convite à Conversão

Se os homens e mulheres permanecem vivendo o casamento como Deus o quis “desde o princípio”, eles precisam renunciar conscientemente a tudo que for contrário ao plano divino e continuamente renderem-se à graça da redenção. A cruz de Cristo, portanto, encontra-se no centro da teologia eclesial sobre o matrimônio.

Uma vez que homem e mulher se afastaram de Deus por seu corrompido relacionamento no paraíso, faz sentido dizer que restaurar o casamento requer um retorno radical a Deus. Assim, uma autêntica teologia do casamento não é meramente informativa mas, acima de tudo, transformadora. Ela convida os casais a uma vida de contínua conversão pessoal. Somente renunciando a si mesmos, tomando suas cruzes e seguindo Cristo é que os esposos podem viver as verdadeiras alegrias do casamento que Deus ardentemente desejou despejar sobre eles.

O casamento e a vida familiar encontram-se, como explica João Paulo II, “no centro do grande combate entre o bem e o mal, entre a vida e a morte, entre o amor e tudo o que lhe é oposto.”[18] Viver a verdade sobre o casamento, portanto, é um combate bem difícil, mesmo para aqueles que possuem sólida formação moral. Este combate traz ao nosso coração a “batalha espiritual” (Ef 6,12) que precisamos combater como cristãos se quisermos resistir ao mal (no mundo e em nós mesmos) e amar-nos uns aos outros como Cristo ama sua Noiva, a Igreja.

Boas Novas para o Mundo

A História fala sobre nações inteiras separando-se da Igreja por causa de contendas a respeito da natureza e do sentido do casamento. Em face à feroz perseguição e resistência, mesmo em nossos próprios dias, a Igreja continua firme em seus ensinamentos. Por quê a Igreja é tão obstinada? Porque o casamento é o sacramento primordial do amor de Deus. Diminuir, de qualquer forma, a natureza e o sentido do amor matrimonial é diminuir a natureza e o sentido do amor de Deus.

Os ensinamentos da Igreja sobre o casamento podem parecer quase impossíveis de se viver. “Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19,26). Quando entregamos nossas vidas à graça da redenção, é perfeitamente possível conhecer a alegria e a liberdade que são frutos do viver e amar de acordo com nossa verdadeira dignidade como homens e mulheres criados à imagem e semelhança de Deus. É verdadeiramente possível para homens e mulheres, maridos e esposas, experimentar a restauração do correto equilíbrio e mútua doação de si mesmos em seus relacionamentos.

Esta é a Boa Nova do Evangelho. O Espírito Santo foi derramado em nossos corações (Rm 5,5). O Espírito do amor faz a cruz de Cristo frutificar em nossas vidas capacitando-nos para viver a verdade completa do casamento. A Igreja nunca cessa de proclamar esta Boa Nova para a salvação de cada homem e mulher.

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[1] “Teologia do Corpo” de João Paulo II – uma coleção de 129 audiências proferidas entre setembro de 1979 e novembro de 1984 - João Paulo II fornece a mais extensa teologia bíblica do casamento.
[2] Gaudium et Spes, n. 49
[3] Para saber mais veja os livros de Christopher West, Good News About Sex &
Marriage (Servant, 2000) and Theology of the Body Explained (Pauline, 2003).
[4] Cf. Gaudium et Spes, n. 48 e Cód. de Direito Canônico, Can. 1055
[5] Cf. Gaudium et Spes, n. 49
[6] Gaudium et Spes, n. 48
[7] Catecismo da Igreja Católica, n. 1602
[8] Homilia na Festa da Sagrada Família, 30 de dezembro de 1988
[9] Cf. Carta às Famílias, n. 19
[10] Familiaris Consortio, n. 11
[11] Cf. João Paulo II, Audiência Geral de 05/01/1983
[12] Audiência Geral de 20/10/1982
[13] Catecismo da Igreja Católica, n. 1617
[14] Mulieris Dignitatem, n. 26
[15] Familiaris Consortio, n. 57
[16] Canon 1061
[17] Catecismo da Igreja Católica n. 1606, 1607
[18] Carta às Famílias, n. 23

Tradução e revisão: Fabrício L. Ribeiro

domingo, 17 de julho de 2011

A Espiritualidade do Matrimônio

 

Homilia do Cardeal James Francis Stafford na Peregrinação Aniversária de Julho em Fátima

A espiritualidade do homem e da mulher casados significa que ambos vivem de acordo com o Espírito Santo. A minha homilia vai explicar em que consiste esta vida conjugal de acordo com o Espírito. Terá três partes: 1) a espiritualidade conjugal fundamenta-se no mistério do Verbo Encarnado, Jesus Cristo, o Esposo da Igreja; 2) o arquétipo da espiritualidade conjugal encontra-se na relação entre Cristo e a Igreja; 3) a realização concreta deste mistério encontra-se, por exemplo, no matrimónio do primeiro casal a ser beatificado pela Igreja: Luigi e Maria Quattrochi.

1) A espiritualidade conjugal fundamenta-se no mistério do Verbo Encarnado, Jesus Cristo, o Esposo da Igreja. A substância da primeira leitura, tirada do Livro do Génesis, repete-se e aprofunda-se na leitura tirada da Epístola aos Efésios: “E os dois serão uma só carne’. Este é um profundo mistério, e o que eu digo é que se refere a Cristo e à Igreja”. Aqui, São Paulo esclarece o mistério da comunhão de Cristo com os ‘santos’ da Igreja por meio de um sinal nupcial: o ser ‘uma só carne’ do homem e da mulher. Ele mostra assim que a nupcialidade é uma característica essencial do amor. E insiste em que o mistério da Encarnação encerra uma lógica especial. Quer dizer que o Deus Invisível Se torna Visível através de uma genuína manifestação de Si Mesmo no mundo do homem e em sua história. O Primeiro Prefácio de Natal transmite lindamente a representação que Deus faz de Si Mesmo na Encarnação: “Por meio do mistério do Verbo Encarnado, a nova luz da Vossa claridade brilhou aos olhos da nossa mente, para que, conhecendo nós Deus de modo visível, possamos ser arrebatados por este meio para o amor de coisas invisíveis”.

2) O arquétipo da espiritualidade conjugal encontra-se na relação entre Cristo e a Igreja. São Paulo usa a imagem do amor de esposos em Génesis para ilustrar “o plano do mistério escondido, durante séculos, em Deus” (Ef.3-9). Aqui ele fala do sacramento nupcial entre Cristo e a Sua Igreja. Cristo é o Esposo e a Igreja a Esposa. O mistério da lógica nupcial de Jesus e da Igreja presume que o homem e a mulher cristãos juntos em matrimónio sacramental, como marido e mulher, estão inseridos numa relação distinta e pessoal um com o outro. Nos escritos proféticos, na literatura hebraica sobre a sabedoria e nos salmos, a caracterização de Israel como ‘esposa’ manteve-se principalmente como imagem ética e jurídica.

No Novo Testamento esta caracterização é, acima de tudo, radicalmente alterada pela Encarnação do Verbo: o carácter de ‘esposa’ é agora baseado inteiramente no ‘ser uma só carne’ do Verbo Encarnado (“Uma só pessoa em cada uma das naturezas. Una persona in utraque natura”-Santo Agostinho). Santo Agostinho insiste em que a natureza humana foi assumida pela união pessoal com o Verbo Eterno no mesmo instante em que foi criada. A Sua natureza humana foi criada pela própria assunção (ipsa assumptione) de tal modo que “desde que Ele começou a ser homem, nenhuma outra coisa a não ser o Filho de Deus começou a ser homem”.

Assim a Igreja/Esposa encontra a sua origem e identidade na natureza humana de Cristo. Porque o Verbo se identifica com o servo humano cuja natureza Ele assumiu, o sujeito ‘Igreja/Esposa’, juntamente com todos os baptizados, que recebem cada um a revelação de um modo próprio a cada um, deve necessariamente realizar uma encarnação análoga à Encarnação do Verbo de Deus.

Na primeira leitura ouvimos que no princípio da história humana existiu uma criatura de uma complementaridade única: um homem e uma mulher. Assim o dado original humano não era a identidade, mas a relação. Quando Adão foi apresentado a Eva, ele viu beleza, verdade e bondade nela, e por isso cantou a primeira canção de amor: “Esta é finalmente osso dos meus ossos e carne da minha carne; ela chamar-se-á Mulher porque foi tirada do Homem”.

Por isso o homem não se deve resignar a um universo surdo à sua música e indiferente aos seus anseios, aos seus sofrimentos ou mesmo aos seus crimes. Esse universo não pode ser definido em termos de progresso material, uma vez que estamos a descobrir, para nossa tristeza e desalento, que o preço do progresso é a morte do espírito. O mundo não é simples fruto da evolução; não se pode basear na sobrevivência do mais forte, na economia globalizada. O universo não é tosco e sem esperança; não se parece mais com um campo de batalha do que com uma orquestra. O facto de haver um homem e uma mulher desde o princípio basta para crer na visão nupcial do fim que realmente é o princípio: “Eu vi a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descia do Céu de junto de Deus, ataviada como esposa adornada para o seu esposo, e ouvi uma voz alta que vinha do trono e dizia: ‘Eis a morada de Deus entre os homens’” (Apoc.21,2-3).

3) A realização concreta deste mistério encontra-se, por exemplo, no matrimónio do primeiro casal a ser formalmente beatificado pela Igreja: Luigi e Maria Quattrocchi. Vemos esta realidade do significado do começo realizado no matrimónio cristão. Estou a pensar na bondade, verdade e beleza reveladas na relação entre o Beato Luigi Beltrame Quattrocchi e a Beata Maria Beltrame Quattrocchi. Em 2001 a Igreja Católica Romana beatificou o primeiro casal, em toda a sua história. A Igreja achou que o casal Quattrocchi era uma extraordinária testemunha do profundo mistério que é o sacramento do matrimónio. E assim este casal italiano dos nossos tempos foi promovido ao grau de “beato” – apenas a um passo formal da santidade – depois de ter sido julgado modelo da ‘espiritualidade cristã’, vivendo heroicamente o matrimónio e a família.

O Papa João Paulo II declarou aquando da sua beatificação em 2001: “Queridas famílias, hoje temos a singular confirmação de que o caminho da santidade, seguido juntos como casal, é possível, é lindo, é extraordinariamente frutuoso e é fundamental para o bem da família, da Igreja e da sociedade”. Ele proferiu palavras especiais de encorajamento para os casais que experimentam o drama da separação, a doença ou a morte dum filho. O único casal antes deste a quem foi dado tal honra foram os mártires Aquila e Prisca, os quais se tornaram santos nos primórdios do Cristianismo, antes de ser estabelecido o processo formal de beatificação.

Os esposos Beltrame Quattrocchi nasceram ambos na década de 1880/89. Casaram-se em 1905 e passaram toda a sua vida em Roma. Tiveram quatro filhos, dos quais três se tornaram religiosos. Os dois rapazes foram ordenados sacerdotes. Uma das raparigas fez-se freira. Os dois sacerdotes concelebraram com o Sumo Pontífice a Missa de beatificação de seus pais. O quarto filho também participou na Santa Missa. Se o quarto filho, o mais novo, tivesse entrado para a vida religiosa, Luigi e Maria haviam decidido que eles mesmos entrariam para a vida consagrada. Houve jornais que relataram que os filhos disseram que o casal decidira, ao fim de vinte anos, dormir em camas separadas, vivendo como irmãos os restantes 26 anos.

Luigi morreu em 1951; era advogado e trabalhou no governo e em bancos, sendo ainda muito activo em vários grupos católicos. Em 1939, Dino Grandi, o ministro italiano da Justiça no regime de Mussolini, ofereceu a Luigi o alto cargo de Procurador Geral do Estado Italiano, mas ele recusou, para evitar ficar associado ao governo fascista.

A esposa morreu em 1965; era professora e escritora. Durante a Primeira Guerra Mundial confortou soldados. Mais tarde estudou enfermagem e acompanhava inválidos em peregrinação a santuários, como Lourdes, França.

“A nossa família era uma família normal que tentava viver os diversos relacionamentos num plano de alta espiritualidade”, disse Dom Tarcísio Beltrame Quattrocchi, um dos quatro filhos do casal, numa entrevista. O casal, ao princípio, apoiava o regime do ditador Mussolini, mas mais tarde rejeitou o fascismo e abriu as portas de sua casa a membros da resistência. Por vezes emprestava as vestes clericais de seus filhos sacerdotes para ajudar esses membros da resistência a evitarem captura pelos ocupantes Nazis. Registos detalhados das beatificações só começaram a ser mantidos há cinco séculos. Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi tornaram-se, respectivamente, no 1.273º e 1.274º católicos a serem beatificados pelo Sumo Pontífice.

À luz do que fica aqui dito, eu desejo mencionar explicitamente aquela característica do matrimónio cristão que é, em certo sentido, como escreveu o Cardeal Angelo Scola, fundamental para o laço matrimonial que une homem e mulher no vínculo nupcial: a sua indissolubilidade. Uma das visões de Ezequiel (37-15 & ss) tem sido fundamental para o meu entendimento do matrimónio. Trata-se do sinal dos paus que Deus torna milagrosamente num só. Esta acção divina significa o milagre que Deus opera ao unir de novo Israel e Judá numa só nação. Durante décadas esta visão tem sido para mim a interpretação fundamental da comunhão indissolúvel de marido e mulher, concedida por Deus no matrimónio. O matrimónio sacramental é indissolúvel apenas porque é participação na total e irrevogável comunhão de Jesus, o Esposo, com a Igreja, Sua Esposa.

Para o homem e a mulher, que se unem em matrimónio cristão, as implicações são claras. Ambos devem empenhar-se em transfigurar aquilo que ao princípio é primariamente um amor de apego físico, o eros, naquela espécie de amor que reconhece ser agarrado por e transformado no amor ‘agape’ de Deus, aquele amor que se esvazia de si mesmo para receber o outro.

E vou terminar com aquele magnífico entendimento do que é realmente o matrimónio sacramental manifestado pelo Papa Bento XVI. Escreve ele em sua Encíclica ‘Deus Caritas Est’:”Do ponto de vista da criação, o ‘eros’ aponta ao homem o caminho do matrimónio, um vínculo único e definitivo; assim e só assim é que ele cumpre o seu mais profundo desígnio. Correspondendo a um Deus único temos um matrimónio monógamo. O matrimónio baseado num amor exclusivo e definitivo torna-se o ícone da relação entre Deus e Seu povo e vice-versa. O modo como Deus ama torna-se a medida do amor humano”(12).

Cardeal J. Francis Stafford, Penitenciário-mor

domingo, 10 de abril de 2011

Vida Sexual no Casamento

 

Vídeos do programa Trocando Ideias da TV Canção Nova, com o Professor Felipe Aquino e o Pe. Demétrio Gomes, sobre moral sexual no Matrimônio.