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domingo, 14 de novembro de 2010

Cântico dos Cânticos: A Harmonia do Casal

 

O que talvez mais admira e surpreende no Cântico é a harmonia que reina no relacionamento do casal. Que difícil é hoje ter essa paz e perfeito entendimento com o esposo ou o namorado, concordar em tudo, conseguir um amor que não envelhece, uma admiração constante pelo parceiro! Sem dúvida, é chave cumprir os sete mandamentos do matrimônio feliz que comenta Antonio González em opusdeialdia.org (“fala para ela que a amas todos os dias; acostuma perdoar e esquecer seus erros; ama-a como é: olha para suas virtudes e não seus defeitos; surpreende-te a cada dia da possibilidade de tê-la perto; protege o mais valioso, o seu amor; desfruta cada detalhe que tiver contigo e esforça-te por ter a cada dia novos detalhes de amor; cuida dos filhos e permanece aberto à vida: o trabalho e o divertimento não são o nº 1”).

O motivo desta harmonia é que os esposos do Cântico respeitam a dinâmica natural do amor. Vejamos hoje seis elementos desta dinâmica.

O amor deles nasceu com uma sedução por um elemento físico ou espiritual que rouba o coração. Assim falam os noivos no Cântico: “Como és bela, minha amada, como és bela! ... São pombas teus olhos escondidos sob o véu...” (Ct 4,1). A amada reconhece: “Eu sou do meu amado, seu desejo o traz a mim” (Ct 7,11). Para João Paulo II, assim aconteceu desde o encontro do primeiro homem com a primeira mulher: Adão, à vista de Eva, fica estupefato “Ela é carne da minha carne, ossos dos meus ossos” (Gn 2,23).

A este desejo e atração aconteceu uma resposta livre. A mulher aceita e corresponde ao amor. Ela também descobre no homem algo que lhe seduz e compraz: “Meu amado é branco e rosado, saliente entre dez mil” (Ct 5,10). Ela o escolhe entre os outros rapazes que existem na corte. Alguns dias atrás, fui visitar uns amigos, e na frente da casa deles um garoto fazia força sobre uma menina porque queria beijá-la e abraçá-la. Ela resistia, mas se sentia impotente. Neste caso faltava a resposta livre de aceitação.

Em terceiro lugar, encontramos serenidade no relacionamento dos dois amados. Embora o Cântico insista na dimensão erótica, percebemos que o amor deles vai além. Há uma relação profunda, um conhecimento mútuo da personalidade do outro, dos seus gostos, do seu caráter e modo de ser, e eles encontram uma sintonia e harmonia no estarem juntos. Esta dimensão do amor se chama amizade. Eles se aceitaram como são e amam a totalidade da outra pessoa, desconsiderando a sua origem humilde. Eles encontram prazer em estarem juntos e passear pelos campos e vinhas.

Em quarto lugar, o amor se sela com a entrega matrimonial do capítulo 3. O coro pergunta à mulher: “Que é teu amado mais que os outros?” Tem outros rapazes bonitos, mas ela escolheu este entre todos, e a ele doa o seu amor e a sua vida. Por esta escolha, também o rapaz a considera “a mais bonita entre as mulheres”. Como vimos no artigo precedente, eles se doam mutuamente: sou teu, sou tua. É o nível do amor de benevolência, de ágape.

A dinâmica do amor é também da experiência da busca e da perda. No amor humano não existe a possibilidade da inseparabilidade. E isso é um bem do amor. O que faz crescer o amor não é só a presença do amado, mas também a sua falta. A falta do amado gera a busca, a busca o gozo do encontro e da união. Lembremos os dois episódios da esposa buscando na cidade o seu amado, que desapareceu do leito nupcial. A primeira vez o alcança e o agarra com força: “Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade: "Vístes o amado da minha alma?" Passando por eles, contudo, encontrei o amado da minha alma. Agarrei-o e não vou soltá-lo, até levá-lo à casa da minha mãe” (Ct 3,3-4). Mas na segunda saída noturna, ela é vista como prostituta e batida com violência pelos mesmos guardas (Ct 5,7).

No relacionamento do casal, é importante deixar-se amar, deixar-se querer, mas também deixar-se buscar. A ausência temporária do amado desenvolve na psicologia uma idealização que faz crescer o amor mútuo: acentua as qualidades da outra pessoa criando uma imagem romântica, desenvolve os motivos do amor. Em efeito, quando gravamos na memória a figura de uma pessoa, não retemos todos os seus elementos, mas aqueles mais característicos que nos chamaram a atenção, e a fantasia os faz mais belos ainda. Esta dimensão da busca, da perda e do reencontro é por isso muito importante. Certamente, uma ausência exagerada não é boa, mas a ausência causada pelo trabalho, pelas exigências da vida nos ajuda a valorizar melhor e aproveitar mais os momentos passados juntos.

Finalmente, o amor é fecundo. Esta dimensão da fecundidade aparece na irmã de Ct 8,8: “Nossa irmã é pequenina e ainda não tem seios; que faremos à nossa irmãzinha quando vierem pedi-la?”. O pedido é dirigido aos pais da moça, e por isso interpretamos esta menina como filha do casal. É chamada irmã para expressar a co-naturalidade com eles. Porque do mesmo modo que dois irmãos são parecidos, assim também a imagem dos pais aparece nos traços da filha. O amor é intrinsecamente e necessariamente fecundo, e os filhos expressão tal fecundidade.

O casal vive com naturalidade cada uma das características e dimensões do amor, e por isso consegue a harmonia mútua: a dimensão física e afetiva, a renúncia de si, a escolha exclusiva do outro, a dimensão da busca e do encontro, a fecundidade. Um modelo para a nossa vida, para o nosso amor mútuo nunca envelhecer.

No próximo artigo, concluiremos a exposição do Cântico dos cânticos explicando porque os noivos são apresentados com uma terminologia tripla: irmão-irmã, amado-amada, esposo-esposa.

***Sobre o autor: Pe. Daniel Guindon, LC, formado no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum de Roma, é atualmente professor de teologia moral sexual no seminário Maria Mater Ecclesiae de São Paulo.

domingo, 7 de novembro de 2010

Investindo no relacionamento: pequenas gentilezas

 

Hoje eu li no blog da minha amiga Stella sobre como devemos “[…] investir em nossos relacionamentos, avivar a paixão, olhando verdadeiramente para aquela pessoa com quem nos comprometemos e é nosso verdadeiro grande amor. Nós mulheres muitas vezes procuramos na tela do cinema ou nos romances o que poderíamos estar vivendo em nosso próprio lar.”

Ela segue narrando:

“Pois o meu amor hoje arrumou nossa cama, enquanto eu saía para fazer algumas compras no bairro. Antes mesmo de entrar no quarto, já pude ver a colcha esticada e as almofadas bem dispostas. Ele se importa comigo e me cumula de gentilezas há 37 anos. Sei que não poderia ter escolhido parceiro melhor!”

Esposas, valorizem as pequenas gentilezas… e atenção maridos, aprendam né ! rsrsrsrsrsrsrs