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terça-feira, 27 de julho de 2010

A verdade é politicamente incorreta

 

Leio na Folha de São Paulo de 9 de julho de 2010 (pág. A3), sob o título “Divórcio”, a crítica indignada de uma leitora de Indaiatuba ao artigo de Ives Gandra, publicado na mesma Folha (”Cotidiano” de 8 de julho) e intitulado “O divórcio relâmpago fragiliza ainda mais a família”.

A missivista declara que o autor do artigo está desatualizado: “Informo que a sociedade mudou, hoje pais dividem a guarda dos filhos com suas mães e têm maiores condições emocionais e psicológicas de trazer aos filhos o que, de fato, significa um bom relacionamento. Os filhos não se privam do carinho e do amor de seus pais simplesmente porque estes resolvem tentar ser felizes num relacionamento pleno e satisfatório”.

A missivista quer informar o desavisado articulista. Acontece que eu também tenho alguma coisa a informar. Faz mais de quarenta anos que trabalho, de modo habitual, na orientação e apoio de estudantes, moças e rapazes, entre 12 e 25 anos de idade. Vários milhares de adolescentes e jovens já me contaram as suas alegrias, tristezas, ideais e lutas. Tenho, assim, apalpado diariamente “a vida como ela é”, por isso, tenho podido conhecer os efeitos do divórcio nos filhos: “na veia”, não em livros de sociologia ou psicologia.

Essa longa e vasta experiência me dá condições de afirmar, com conhecimento de causa, que em noventa por centro - pelo menos - dos casos, o divórcio dos pais causou nos filhos um trauma duradouro, provocando-lhes desorientação, amargura e, não raramente, distúrbios psíquicos. Sei que isto é verdade, mas sei também que, nos convencionalismos atuais, não há nada tão politicamente incorreto como a verdade.

Nunca me esquecerei da conversa com uma menina, estudante de colégio, que sofria com a separação dos pais. Ela teve oportunidade de ler os Manuscritos Autobiográficos de Santa Teresinha. Ficou deslumbrada com o ambiente de união e carinho familiar que transparece em cada página dessa autobiografia. Pouco depois da leitura do livro, disse-me com voz impregnada de tristeza: - “Padre, como era linda a família de Santa Teresinha! Eu acho que uma filha de pais separados nunca poderá ser santa…”. Ao ouvir isso, senti um sobressalto, uma punhalada no coração, e respondi-lhe com veemência: - “Claro que poderá, minha filha! Estou certo de que você, com a ajuda de Deus, poderá vir a ser uma grande santa”.

Causa-me muita pena, à vista dessas experiências, ouvir pais de família - obcecados pelas dificuldades da vida -, falarem do seu “direito de serem felizes”, ainda que isso signifique deixar os filhos numa posição ambígua e quase sempre prejudicial. Creio que o mais belo “direito” do casal - como de todos nós, filhos de Deus -é o “dever” de lutar, de entregar-nos, de sacrificar-nos dando-nos cada vez mais para “fazermos felizes” os demais (a começar pelos filhos). E creio ainda que o egoísmo mais ou menos consciente do pai ou da mãe que, em grande número de divórcios, é o que os leva à separação, pode-se tornar facilmente num buraco negro onde se enterra a felicidade própria e a dos filhos.

Não quero nem posso julgar o drama da missivista de Indaiatuba. Seria leviano e injusto formular sobre ela um juízo negativo. Por isso, peço a Deus que a abençoe, que lhe conceda a felicidade que seja possível alcançar nesta terra, e que a ajude também a envolver seus filhos em sentimentos e manifestações de carinho tais, que compensem a privação de um lar unido.

Pe. Francisco Faus

sábado, 10 de julho de 2010

Amar com Vontade

Por Maite Tosta

Devo ter relações com meu marido mesmo sem vontade?

É fato notório que, em geral, homens e mulheres têm necessidades sexuais diferenciadas; os homens estão sempre predispostos ao ato sexual, enquanto que as mulheres nem sempre.

Vários fatores podem reduzir ou mesmo suprimir o desejo feminino. Para citar os mais comuns: preocupações,  cansaço, stress, falta de confiança ou intimidade com o homem, o uso de anticoncepcionais*, oscilações hormonais normais durante o ciclo, alterações hormonais na gravidez, pós-parto e amamentação.

Algumas mulheres casadas relatam passar dias, semanas e até meses negando-se aos seus maridos, pois, dizem, não sentem vontade de ter relações e acham errado fazê-lo assim, “sem vontade”.

Tenho a impressão de que há, no entanto, uma confusão de termos. Vontade é algo racional, uma decisão, o uso de nosso livre-arbítrio. Para fazermos uso de nossa vontade livremente, precisamos nos libertar das paixões, de impulsos, de tudo o que possa escravizar e viciar nossa vontade, a fim de decidir com o intelecto. O que essas mulheres estão chamando de vontade, na realidade é o desejo sexual, a libido.

Através do sacramento do matrimônio, o corpo da mulher passa a pertencer ao marido (e vice-versa). Ao direito-dever do marido e de sua mulher de realizarem entre si o ato sexual chama-se débito conjugal, ou seja, ao se negar ao marido sem justificativa, a mulher está em débito com ele e com a promessa que fez diante do altar.

Quando arrumamos desculpas para evitar a relação sexual, além de enfraquecer o relacionamento entre o casal (por falta do caráter unitivo do ato sexual, bem como de intimidade), deixamos nossos maridos vulneráveis, mais fracos para lutar contra a concupiscência, abrindo brechas para hábitos como a masturbação, vicio em pornografia e, por fim, para o adultério.

Devemos, então, amar nossos maridos com vontade, ou seja, deliberadamente e fruto de uma escolha madura, entregando nossos corpos que pelo sacramento do matrimônio não mais nos pertencem, mas sim a eles.

Lembremos que, para a mulher, mesmo que ela não atinja o clímax a cada ato, o sexo pode ser bom e prazeiroso pela intimidade, pelo carinho e afeto, sendo preservado, portanto, o aspecto unitivo deste.

Importante ressaltar, entretanto, que tomar a decisão de entregar-se ao marido, ainda que com o desejo em baixa, não é deitar e simplesmente deixar-se tocar, como se fosse uma boneca inflável, e sim participar plenamente do ato, interessando-se pelo corpo dele, demonstrando seu afeto com palavras, carícias e beijos. Os homens também gostam de se sentir amados e desejados! A certeza do olhar feminino sobre eles aumenta sua auto-estima e a disposição para enfrentar o mundo.

Uma vez decidida a trabalhar a sexualidade em seu casamento, comece por buscar conhecer o próprio corpo e o seu ciclo (os métodos naturais auxiliam nisso**), a fim de conhecer o seu período fértil,  investigar os motivos da supressão do desejo, a fim de resgatá-lo, ainda que seja necessário uma consulta ao médico (ginecologista) para um diagnóstico preciso, além de cultivar a intimidade entre o casal.

Pode-se cultivar a intimidade multiplicando as demonstrações de afeto entre o casal e criando momentos de lazer a dois, como um cafuné, ver um filme juntinhos e abraçados… igualmente, deve-se procurar fazer do leito conjugal um ambiente propício: deitar-se sempre limpa e cheirosa é um bom começo  - aplica-se também aos maridos!

Alguns homens esquecem que da mesma forma como eles adoram que a esposa esteja toda limpinha e cheirosa, as esposas também não gostam de ser abraçadas pelo marido sem banho, com cheiro de suor, as unhas grandes e pretas de sujeira, bafo de cerveja… eca!  Se o seu marido é desse tipo, e se ele está chegando da rua todo suado, o vá educando…

Ele me procura nos piores momentos, quanto estou nervosa, irritada, com dor de cabeça…

Bom, a melhor pessoa para saber qual é o momento mais indicado é você mesma, não? Que tal fazer o contrário? Quando o nervosismo, irritação e a dor de cabeça te derem uma folga, tome um banho e chame o maridão para ajudar a espalhar o creme hidratante… é uma maneira sutil de tomar a iniciativa… elogie-o quando sair do banho,  em outro momento convide-o para um banho a dois, enfim, mulher, use a sua criatividade !

É possível ser sedutora para o seu marido sem ser vulgar – não há necessidade de apelar. Os homens são excitáveis visualmente: use uma roupa bonita, maquiagem, perfume, acessórios…

Por fim, mas não menos importante – reze. O sacramento do matrimônio confere aos cônjuges as graças atuais necessárias para o seu estado, use esse arsenal sobrenatural a seu favor! Lute pelo seu casamento não só no leito mas também fora dele – peça a ajuda de Nossa Senhora, nosso modelo de mulher, esposa e mãe.

* Sobre  contraceptivos veja aqui.

** Para métodos naturais, consulte aqui e aqui.