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domingo, 13 de junho de 2010

Casamento (Por Diogo Linhares)

No ultimo dia 16 de maio eu e minha esposa fizemos um ano de casados. Nossa curta experiência de uma vida familiar me fez chegar a uma conclusão, e a conclusão a que eu chego neste primeiro aniversário é que nós funcionamos como casal. Com isso, não quero dizer que nós nos sentimos bem na presença um do outro. Também não quer dizer que nós “trabalhamos bem juntos”, como uma equipe ou um time. Também não quis insinuar nenhuma conotação sexual nesta frase. Na verdade, todas essas coisas acontecem conosco, acontecem apenas por serem componentes daquilo que eu quis dizer com “funcionamos como casal”: sozinhas, estas coisas não bastam.

Para que uma máquina funcione bem, não basta que suas engrenagens se encaixem bem: existe um combustível adequado; um óleo lubrificante adequado; a carga que ela move não deve ser muito pesada, nem muito leve; existem níveis de vibração bem exatos que podem prejudicá-la e que por isso devem ser evitados. Ou seja, quem opera uma máquina não deve apenas pensar em termos de engrenagens, mas deve pensar na “coisa toda”. E quando digo “coisa toda” não digo só “a máquina toda”, mas “a maquina junto do processo no qual ela vai atuar”. Cuidar de uma máquina e fazê-la durar envolve não só trabalho mecânico: é necessário um trabalho intelectual sobre ela.

Um casal é, de uma certa maneira, uma máquina. Ele é uma espécie de motor da família, que é um núcleo da comunidade humana. A família foi projetada para produzir seres humanos e não apenas no sentido físico, mas também no sentido moral: ela não deve apenas gerar corpos, mas também formar consciências.

O que eu quis dizer quando falei que eu e minha esposa funcionamos como casal foi que nós não pensamos mais como indivíduos e sim como casal. Não pensamos mais como fragmentos, mas juntos formamos uma unidade. Nossas vontades individuais são bobagens em face do que somos agora: somos um casal.

É certo que um dos grandes problemas do mundo atual é o coletivismo, a massificação, e que o único modo de combatê-lo é estimular as pessoas a desenvolverem sua individualidade. Sou um dos que mais defende essa idéia e por isso pode parecer estranho que eu recomende essa “suspensão da individualidade”. Porém esta suspensão da individualidade está a serviço de uma individualidade mais importante: a individualidade dos filhos do casal. Pois um dos objetivos da educação dos filhos é fazer com que eles desenvolvam sua individualidade, que porá em evidência sua vocação.

Não me conformo quando alguém me diz que eu e minha esposa tivemos sorte. Nosso sucesso como casal não se deve a um golpe do acaso e sim ao fato de pensarmos como casal. Nós renunciamos a algumas vontades que temos como pessoas e isto exige sacrifício e paciência. O risco de se pensar que os casais são bem sucedidos por causa da sorte é aquel sina das pessoas modernas de terem tanta dificuldade em achar a “pessoa certa”com quem devem passar o resto da vida.

A pessoa certa é aquela por quem você está disposto a renunciar ou atenuar sua individualidade.

Fonte: Captare

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