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sábado, 19 de junho de 2010

Carta de Amor de um Homem a uma Mulher

Minha querida,

Misterioso. Misterioso é o meu amor por você. De onde veio? Como ele surgiu? De onde ele recebe esse poder que tem sobre mim? Eu não posso explicar, eu não o esperava, e ele não vem de mim. Meu amor por você causa tantas coisas em mim. Ele me causa confusão e dor, e me causa alegria eufórica e paz profunda, porém o mais importante, ele faz surgir a minha mais profunda admiração e respeito.

Como é apropriado que meu amor por você exija tal caráter, porque assim ele se assemelha mais a você. Deus achou por bem entregar a profundidade do seu mistério aos meus cuidados; para protegê-lo e reverenciá-lo. Eu não posso explicar porquê, eu não mereci ganhar tal presente, eu sou um receptáculo tão pobre para uma graça tão profunda. Mas, mesmo assim, aqui está você, osso dos meus ossos, carne da minha carne, diante de mim tão completamente diferente, mas tão completamente presente para mim. Tal jardim, confiado aos meus cuidados, me inspira e me incentiva. Eu quero viver para você, eu quero lutar por você, e eu quero morrer por você.

Você é linda. Você é a melhor idéia que Deus teve, e a coroa de sua criação. E em Sua sabedoria, ele me deu o dom de ser capaz de reconhecer a sua beleza, de glorificá-Lo em sua beleza, e de desejá-la para que eu possa lhe fazer reverência. Ele fez você tão desejável para mim, e me deu o dom do desejo. Ele lhe fez infinitamente amável, e me inspirou amor por você.

Entretanto, eu sou fraco. Acho difícil amar do jeito que eu desejo lhe amar: com o dom de mim mesmo com a qual fui chamado a lhe amar quando você me foi entregue. Eu estava intoxicado por um veneno. Este veneno distorce o que é bom em mim. Faz daquilo que eu mais desejo a própria coisa que eu acho tão difícil. A distorção deste veneno às vezes me faz esquecer o meu desejo de lhe amar, e então penso apenas em mim mesmo. Eu tentei tudo que conheço para superar essa doença que reside no meu coração, mas toda a força que me resta não foi suficiente para me levar à saúde.

Eu preciso de você. Porque Deus me deu a responsabilidade de cuidar de você, assim como Ele lhe deu a responsabilidade de cuidar de mim. Por favor, entenda que, no fundo do meu coração, tenho o desejo de honrar sua beleza. Mas entenda também a ferida no meu coração. Eu quero amá-la com pureza; eu quero aproximar-me de você com reverência. E eu preciso de sua ajuda. Ao respeitar minha fraqueza, você me faz forte para lhe amar. Ajude-me, protegendo o seu mistério. Não revele a sua beleza para mim à toa. Deixe-me buscá-la. Deixe-me desejá-la. Deixe-me ver o mistério do seu coração através do que eu não vejo de seu corpo.

Através de sua modéstia você me respeita e permite o meu presente de puro desejo; o meu dom de lutar por seu amor. Então eu sou capaz de respeitar e deleitar-me com o dom de sua beleza, de seu mistério. Uma mulher imodesta é como palha de fogo que proporciona muita emoção e atrai muita atenção por um breve momento. Mas uma mulher verdadeiramente modesta é como uma vela que, ao queimar, fornece uma luz e uma alegria que permanece. Seja a luz da minha vida e da alegria do meu coração.

Seu, no amor,
O Homem do Seu Coração
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Richard Budd graduou-se no Magdalen College em 2003 com um BA em Artes e obteve o Diploma Catequético Apostólico. De 2003 a 2005 lecionou a estudantes do ensino médio e fundamental em St. Thomas More Academy, uma pequena escola católica em Burton, MI. Ele vem estudando desde então no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit, MI e receberá um mestrado do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, em maio de 2010. Ele vive em Washington, D.C. Traduzido de: http://tob.catholicexchange.com/2010/05/31/1991/  por Daniel Pinheiro e publicado em: Vida e Castidade

domingo, 13 de junho de 2010

Casamento (Por Diogo Linhares)

No ultimo dia 16 de maio eu e minha esposa fizemos um ano de casados. Nossa curta experiência de uma vida familiar me fez chegar a uma conclusão, e a conclusão a que eu chego neste primeiro aniversário é que nós funcionamos como casal. Com isso, não quero dizer que nós nos sentimos bem na presença um do outro. Também não quer dizer que nós “trabalhamos bem juntos”, como uma equipe ou um time. Também não quis insinuar nenhuma conotação sexual nesta frase. Na verdade, todas essas coisas acontecem conosco, acontecem apenas por serem componentes daquilo que eu quis dizer com “funcionamos como casal”: sozinhas, estas coisas não bastam.

Para que uma máquina funcione bem, não basta que suas engrenagens se encaixem bem: existe um combustível adequado; um óleo lubrificante adequado; a carga que ela move não deve ser muito pesada, nem muito leve; existem níveis de vibração bem exatos que podem prejudicá-la e que por isso devem ser evitados. Ou seja, quem opera uma máquina não deve apenas pensar em termos de engrenagens, mas deve pensar na “coisa toda”. E quando digo “coisa toda” não digo só “a máquina toda”, mas “a maquina junto do processo no qual ela vai atuar”. Cuidar de uma máquina e fazê-la durar envolve não só trabalho mecânico: é necessário um trabalho intelectual sobre ela.

Um casal é, de uma certa maneira, uma máquina. Ele é uma espécie de motor da família, que é um núcleo da comunidade humana. A família foi projetada para produzir seres humanos e não apenas no sentido físico, mas também no sentido moral: ela não deve apenas gerar corpos, mas também formar consciências.

O que eu quis dizer quando falei que eu e minha esposa funcionamos como casal foi que nós não pensamos mais como indivíduos e sim como casal. Não pensamos mais como fragmentos, mas juntos formamos uma unidade. Nossas vontades individuais são bobagens em face do que somos agora: somos um casal.

É certo que um dos grandes problemas do mundo atual é o coletivismo, a massificação, e que o único modo de combatê-lo é estimular as pessoas a desenvolverem sua individualidade. Sou um dos que mais defende essa idéia e por isso pode parecer estranho que eu recomende essa “suspensão da individualidade”. Porém esta suspensão da individualidade está a serviço de uma individualidade mais importante: a individualidade dos filhos do casal. Pois um dos objetivos da educação dos filhos é fazer com que eles desenvolvam sua individualidade, que porá em evidência sua vocação.

Não me conformo quando alguém me diz que eu e minha esposa tivemos sorte. Nosso sucesso como casal não se deve a um golpe do acaso e sim ao fato de pensarmos como casal. Nós renunciamos a algumas vontades que temos como pessoas e isto exige sacrifício e paciência. O risco de se pensar que os casais são bem sucedidos por causa da sorte é aquel sina das pessoas modernas de terem tanta dificuldade em achar a “pessoa certa”com quem devem passar o resto da vida.

A pessoa certa é aquela por quem você está disposto a renunciar ou atenuar sua individualidade.

Fonte: Captare