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terça-feira, 30 de março de 2010

Como escolher a pessoa certa para casar?

Por Jacques Leclercq

Nem sempre o matrimónio atinge o pleno desenvolvimento que atrás descrevemos. O obstáculo mais frequente são os esposos. A impureza dos esposos e a sua mediocridade torna inacessível a felicidade conjugal. A sua união dá muitas vezes em resultado uma caricatura feita mais de rotinas e de resignação que de amor. Mas este livro não foi escrito para eles.

Pelo contrário, acontece também com frequência que esposos que aspiram a um alto ideal não podem realizar todas as suas esperanças. Uns, porque não encontram nos filhos o desenvolvimento normal e natural do seu amor. Outros – e são esses os casos mais dolorosos – porque se enganaram e não encontram no cônjuge a correspondência que esperavam.

Esses casos são os mais dolorosos; infelizmente, são frequentes. É, além disso, desolador ver como é excepcional que os jovens de elite façam um casamento acertado. Mas, quando se observa como os casamentos se fazem, admiramo-nos de que as uniões mal sucedidas não sejam em número ainda maior, porque a preparação para o casamento faz-se geralmente sob o signo do absurdo ou do acaso. Arrisca-se a felicidade como numa jogada de dados.

Os jovens comprometem-se quase sem se conhecerem, por um impulso sentimental em que o corpo desempenha por vezes maior papel que o espírito, sem garantias de ambiente, de educação, de convicções, ou mesmo de carácter, naquele ou naquela a quem se promete toda a vida.

Muitos casamentos há que se contraem depois de encontros na rua ou em reuniões de diversão, com uma ignorância quase total sobre a família, a vida quotidiana e a vida íntima daquele ou daquela a quem se unem para toda a vida. Há por vezes noivos que, na véspera do seu casamento, nada sabem, ou quase nada, das convicções religiosas ou da concepção familiar daquele ou daquela que vão desposar. Numa época em que a tantos repugna ter filhos, há jovens animados de fortes convicções cristãs que se casam sem saber se o seu noivo ou noiva desejam ter filhos, e muitos lares vêem a sua vida íntima envenenada a partir do dia em que, depois de terem tido um ou dois filhos, um dos esposos se recusa a ter mais. Com muita frequência, o entusiasmo sentimental do noivado leva a fechar os olhos sobre estes pontos delicados; o noivo não se atreve a falar deles à noiva para não a perturbar; a noiva não ousa falar disso porque não sabe como abordar o assunto. E refugiam-se na ilusão de que tudo se arranjará, posto que se amam e confiam cegamente um no outro. Mas por vezes, bastam alguns meses ou umas semanas para provocar um trágico despertar… e já se encontram ligados para toda a vida a alguém que não compartilha de modo algum as suas aspirações.

É suficiente, aliás, uma simples oposição de caracteres para abrir uma brecha na vida em comum. Por vezes, entre pessoas que julgam amar-se apaixonadamente enquanto só se encontram por breves momentos, o amor cai como folha morta logo que realizam o seu sonho, porque, na vida em comum, defrontam-se os caracteres e verificam acto contínuo que o seu amor era apenas passional ou carnal, sem uma união profunda de aspirações ou de maneiras de ser.

Quando duas pessoas se unem nestas condições, o desentendimento ameaça eclodir desde os primeiros dias. Por isso, nunca será demais dar toda a importância à necessidade que os futuros esposos tem de se conhecerem tal como são.

Os costumes actuais, nos nossos países, permitindo aos jovens maior liberdade que outrora, favorecem os casamentos de amor. Certos descontentes do nosso tempo sublinham o perigo de casamentos levianamente combinados e exaltam os benefícios da autoridade paterna. Mas as uniões preparadas pelos pais não oferecem menos inconvenientes, como já vimos; apresentam-nos mesmo em maior grau, porque os pais são levados frequentemente a desprezar a conformidade de caracteres e a atracção pessoal, para reparar somente em condições exteriores, alheias à união íntima dos esposos. O exemplo das sociedades aristocráticas, em que os casamentos “de conveniência” são a regra, demonstram que o resultado é pior que nos casamentos de amor, e que o adultério é neles, por vexes, tão habitual que acaba por se tornar quase uma instituição.

O casamento por amor é o casamento normal, e o amor é a primeira condição de um casamento são. Mas isso não impede que tenha necessidade de garantias.

É por isso que têm muita importância as condições em que os rapazes e as raparigas se encontram. Abandonar estes encontros ao acaso é criar um perigo, e a incúria de muitas famílias neste ponto está na base de mais de uma desgraça.

De um modo geral, é de desejar que os rapazes e raparigas se encontrem sem dificuldade em condições que lhes permitam conhecer-se e poder-se apreciar, e para isso é necessário que estes encontros se realizem em condições que não tenham por fim preparar casamentos.

As reuniões de sociedade organizadas com o propósito de facilitar encontros são precisamente o que há de mais oposto a estas exigências, porque criam uma atmosfera artificial, estranha à vida real, e não permitem avaliar do carácter dos que aí se encontram. No entanto, em muitos meios, estas reuniões são consideradas o meio por excelência para preparar uniões.

O meio ideal em que os jovens se deveriam encontrar é a própria família. As famílias deveriam manter-se amplamente abertas e é até de desejar que, durante a infância, os rapazes conheçam as filhas de famílias amigas, e as raparigas os rapazes, de modo que uns e outros cresçam com camaradas do outro sexo, de famílias semelhantes às suas, e a família se conserve depois acolhedora para os camaradas e amigos dos filhos. Os casamentos entre amigos de infância, os casamentos de rapazes com as irmãs dos seus amigos ou as amigas das suas irmãs, os casamentos das raparigas com os irmãos das suas amigas ou os amigos dos seus irmãos são, regra geral, bons casamentos, porque estes jovens tiveram encontros e aprenderam a apreciar-se na intimidade da vida familiar, onde o carácter se manifesta ao natural.

Pode dizer-se, de maneira geral, que as condições sãs para a preparação do casamento se poderão descobrir em encontros que não têm por fim preparar casamentos, onde, por conseguinte, os jovens não pensam fazer-se valer de um modo artificial, onde levam os fatos de todos os dias – que vestirão depois, quando casados -, empregando a linguagem da vida quotidiana e falando de coisas da vida quotidiana. É por isso que as uniões entre universitários que se conheceram durante os estudos costumam ser felizes, porque esses se conheceram em condições que não tinham como objectivo preparar casamentos. E o mesmo se pode dizer de casamentos entre empregados da mesma repartição, etc…

Os pais deveriam ter, portanto, a preocupação de proporcionar aos filhos um ambiente infantil onde eles encontrassem também crianças do outro sexo, e continuar depois essa política quando os filhos crescessem, de modo a que no dia em que o rapaz ou a rapariga se ligassem a alguém, essa ligação se produzisse em condições sãs.

Além disso, necessita-se para o casamento de uma preparação remota, que consiste para o rapaz em ter prática do carácter feminino, e para a rapariga em tomar consciência do que é um homem. Também isso pressupõe contactos diários. Há filhos únicos que se mostram incapazes de fazer feliz o marido ou a mulher por não terem ideias exactas do que poderá ser o carácter de uma pessoa do outro sexo.

Apesar de tudo, sejam quais forem as precauções havidas e a preparação para o casamento, sempre haverá uniões infelizes. O homem sempre se pode enganar e, além disso, muda. Este, que apresentava verdadeiras qualidades na altura do casamento, perde-as em seguida, enquanto que outros, pelo contrário, se corrigem.

Publicado originalmente em A Dignidade da Mulher Católica

sábado, 20 de março de 2010

Quando as Coisas Acontecem

 

Sem. Vandoir Dal Berto, LC
vdalberto@legionaries.org
Já passou o tempo do primeiro beijo. Beijinho pra cá e beijinho pra lá. Cadê aquele abraço? Amor como está você? Agora, só xingamentos daqui, gritos e discussões de lá. Será que tudo acabou...?

Todas as novelas de amor começam iguais: um olhar, um gesto, uma brincadeirinha. Inicia assim uma estrada a dois. Ela conhece os gostos dele: futebol, carne mal passada... Ele sabe que ela gosta de rosas vermelhas, de comer pizza no restaurante... Nos finais de semana estão juntos, e não só, se possível todos os dias uma ligadinha, uma visitinha rápida, um sms.

A doença do primeiro encontro começa quando o namoro não acaba mais; ainda não estamos falando de amor verdadeiro. Do beija-beija sentimental, que perdura por dois ou três anos até se chegar a uma decisão: e se juntamos nossas trouxas! Dizem que morar na casa dos pais da namorada virou moda. Justifica-se no amor seguro: sei onde está minha filha, com quem anda, etc. Tudo sem compromisso; quer dizer, um amor de interesses, justificado nos sentimentos, emoções, aventuras passadas juntos, conveniências. Este tipo de comportamento tem selada, como promessa, um grande fracasso.

A outra opção, a daqueles que sim se casam no papel e diante do Altar, porém na imaturidade da vida. O ponto de partida é a falta de conhecimento de si mesmo e da outra pessoa. A realidade da vida concreta pode surpreender todas as expectativas. Por exemplo, qual a reação ao primeiro grito recebido do cônjuge? Ela nunca agiu assim antes! Ou quando o marido chega com cheiro de cerveja: “Nós tínhamos combinado que nada de bebedeiras, não é?” As imagens preconcebidas, o modelo ideal que um fez do outro não se liga com a realidade.

O início desta atitude é só a ponta do iceberg, ou a bolinha de neve que começa a despencar da montanha. A avalanche mesma vai começar a se produzir. Ainda estamos falando de um amor só de interesses. A avalanche começa a engrossar quando, em seu centro, existe o egoísmo da pessoa. Pensar em si mesmo não é pecado, mas sim abusar do próprio ego. Focaliza-se só os próprios padecimentos: as coisas devem ser feitas do jeito que eu quero! O ciúme, por exemplo, escraviza na angústia egoística. “Será que meu marido me está traindo?”

Descendo a grande montanha da vida, nos encontramos com outros problemas pessoais: a vaidade. Expressões como: “eu sim faço as coisas”; “eu me sacrifico pelos filhos, enquanto você vagabundeia”. Até mesmo o fato de se achar superior ao outro: “ele está comigo só por que precisa de mim, quer ser sustentado”. Onde já não estão os dois juntos e cada um for por seus interesses pessoais, ali se monta a pior das avalanches: a destruição de uma cidade, a cidade do matrimônio.

Graças a Deus, nem tudo é catástrofe. Sempre há esperança quando se quer construir juntos uma vida inteira. Dificuldades, todos temos, a questão é como administramos essas dificuldades juntos. A sugestão nasce da experiência do amor desinteressado, ou seja, do amor de doação. Daquele amor primeiro que cada dia cresce com ações concretas. É realmente fazer o esforço por pensar no outro: quando se chega cansado do trabalho, ainda assim um esforço por dar um beijinho na esposa, dizer-lhe uma palavrinha de consolo e carinho, dizer que a comida está gostosa...

Claro que isso leva consigo um requisito: a abnegação. Palavra que os jornais, revistas e livros, e até mesmo os dicionários já esqueceram. Contudo, ab-negare: prescindir de alguma coisa negando a si mesmo. Até mesmo algo que se precisa, com tal de fazer feliz o outro, como pode ser deixar de ir jantar com os amigos para estar com a família; definir um tempo durante o trabalho para ligar para a esposa e saber como ela está; a gratidão pela comida que ela preparou... Bobagens, quem sabe, mas seria melhor classificarmos como gestos de amor.

O miolo dessas atitudes é a maturidade com a qual o casal enfrenta uma unidade a dois, que logo se transforma numa família, graças à fecundidade. Seu sucesso é a esperança no amanhã que se concretiza, cada dia, num novo sim ao amor. Quando o querer bem ao outro não aumenta, automaticamente diminui. Não pode permanecer igual ou indiferente. Quem tem um tesouro sabe apreciar. Valoriza na medida em que conhece o preço da jóia. Pelo contrário, quem joga as pérolas aos porcos é verdadeiramente tolo. Quem trai seu matrimônio é porque no fundo nunca descobriu o seu valor.

Fonte: Pastoralis

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sete Conselhos para Construir um Matrimônio Feliz

 

Eduardo da Costa, LC¹
edacosta@legionaries.org

O matrimônio passa hoje por uma fase turbulenta tanto na Igreja como em ambientes não católicos. São inúmeras as legislações de países que favorecem ou facilitam o divórcio e promovem uma concepção diversa da verdadeira natureza do casamento. Exemplo disso é o "Programa Nacional de 'Direitos Humanos'", dentro de nossa realidade brasileira. Isso nos traz uma grade preocupação por salvaguardar esta instituição que é "a célula fundamental de toda sociedade" (Cf. JPII Familiaris Consortio, 1 e 42).

Outra causa desta crise matrimonial é a rápida transformação cultural em que vivemos e, consequentemente, a mudança na forma de pensar e atuar da sociedade. A maneira segundo a qual algumas pessoas vivem o matrimônio vem se provando insuficiente em dar respostas aos problemas da cultura que nos rodeia; prova disso são os divórcios e a instabilidade pela qual atravessam muitas famílias (Cf. Familiaris Consortio, 6).

Os novos meios de comunicação, a emancipação da mulher, entre outros fatores, mudaram radicalmente os nossos costumes e exigem uma alteração na forma de viver o matrimônio e de educar os filhos. Esta nova realidade requer uma preparação adequada para poder afrontar os desafios atuais do casamento.
O matrimônio, tal como Deus o criou, se bem vivido, é fonte de felicidade e realização pessoal, daí a necessidade de recordar seus verdadeiros fundamentos a fim de poder construir uma união feliz.

Da minha experiência pessoal no trato com casais exitosos no amor e na educação dos filhos, compartilho sete princípios para se começar bem qualquer matrimônio e realizar-se nesta vocação “até que Deus os separe”. Como dizia Santo Tomás de Aquino: “Começar bem para terminar bem”.

O primeiro conselho essencial para que todo matrimônio triunfe no amor é o dialogo entre os dois. Parece óbvio, mas não é. Geralmente no período de namoro e noivado isso não é um problema. Porem, à medida que passa o tempo, as distâncias começam a acentuar-se até chegar ao ponto de viverem como estranhos que compartilham o mesmo teto. Cultivar o diálogo significa apagar a TV, interessar-se pelos outro, tomar decisões conjuntas, expressar os próprios sentimentos e inquietudes com confiança e cordialidade.

O segundo é saber ceder às preferências e gostos do outro. Se ela, por exemplo, prefere ir à missa domingo pela manhã e você pela noite, saber oferecer este pequeno sacrifício e acompanhá-la. O bem da família deve estar sempre acima dos próprios interesses e gostos pessoais. Como não louvar a todas essas esposas que sacrificam uma vida profissional e um melhor bem-estar econômico em prol da família, da criação e educação dos filhos.

Em terceiro lugar, nunca deve faltar em um matrimônio os detalhes de carinho. Se os conselhos anteriores eram importantes, este é imprescindível. Os detalhes de amor dão forças para superar as dificuldades do matrimônio. Não são as grandes coisas que deixam uma marca indelével no coração de um esposo ou uma esposa, mas pequenos detalhes como presentear com uma flor a esposa de vez em quando ou senão todos os dias, ou uma surpresa no dia do aniversário etc. Ser um homem de detalhes pode parecer a alguns como uma falta de virilidade, no entanto é totalmente inverso; é uma demonstração de amor, de cavalheirismo e nobreza.

O quarto conselho é o respeito mútuo. Nunca levantar a voz, evitar os insultos e as ironias que possam ferir a sensibilidade do conjugue. A falta de respeito mútuo no matrimônio é o inicio da ruína.

O quinto é a abertura à vida. Este é um tema delicado e que exige muito dos dois. Todo matrimônio tem o dever e a obrigação de planejar responsavelmente quantos filhos querem ter ao longo da vida. Porém, isto não significa que não deva haver sempre uma atitude de abertura para receber um novo filho ainda que não planejado. Existem métodos naturais de planejamento familiar, como é o método “Billings” (Cf. http://www.woomb.org/index_pt.html). Este método, ainda que exija renúncia, pois em certos dias não se poderá ter relações, demonstra verdadeiro amor pelo(a) companheiro(a). Não obstante muitas pessoas não aceitem e prefiram mecanismos que agridem a Lei Natural como a contracepção artificial, como os preservativos, detrás de seu uso se esconde uma atitude egoísta de querer obter prazer da outra pessoa sem responsabilidade; um amor a si mesmo e não a outra pessoa. Estas atitudes, depois de alguns anos, fazem com que o amor inicial pela esposa se esfrie e se apague.

O sexto conselho é justamente não deixar que o amor pelo(a) esposo(a) se apague ou se esfrie. A vivência dos cinco pontos anteriores ajudam a manter o amor sempre fresco. Assim como a lua-de-mel termina, também o amor apaixonado termina, por isso é importante cultivar um verdadeiro amor pela esposa, e amor verdadeiro no matrimônio significa entrega e doação à outra pessoa, e não puro sentimento, pois os sentimentos passam e desaparecem com o tempo; assim como chegam se vão.

A presença de Deus na família. Um matrimônio que reza é um matrimônio que persevera, Deus é o que dá as forças de que se necessita para superar as tribulações desta vida e ser feliz. Ele é a plenitude da nossa realização pessoal.

Onde vivemos, nós como católicos, temos obrigação de ser “sal do mundo” (Cf. Mt 5, 13). Temos o dever de tomar a liderança e aportar a nossa sociedade uma nova forma de viver o matrimônio, baseada no respeito à pessoa e em um verdadeiro amor, fruto da caridade que é dom de Deus.


1 - É Mestre em Filosofia do Conhecimento pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum de Roma e é formado em Associate of Arts em Humanidades pela faculdade dos Legionarios de Cristo em Connecticut, EUA. Atualmente estuda teologia em NY, EUA.

Fonte: Pastoralis

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Método Billings visto pelos Homens

 

Por Gerson Abarca

Somos educados na história a ter na atividade sexual um descarrego de prazer genital. Mais dos que as mulheres, ainda somos bem mais genitalizados. Tendemos a ver na mulher nosso objeto de cama, mesa e banho. Assim como é incorporada também  na realidade das publicidades.

Enquanto as mulheres tendem a busca de carinhos e carícias, e as vezes pouco se preocupam com o ato genital em si, os homens querem logo a satisfação genital.

Um dos maiores obstáculos para o homem aceitar que sua esposa utilize o MOB, é sua imaginação que ficará longos períodos sem atividade sexual por causa do período fértil da mulher, que escolhe abster-se da atividade sexual nestes dias, se não quer engravidar. Com isto, o homem genitalizado, que possui foco apenas para a sua sexualidade penetrativa, como se a mulher fosse um “vaso depositário de sêmem”, fica irritado em saber que deverá esperar pelo período seco, de não fertilidade da mulher.

Com o MOB, vamos entendendo que a fertilidade não está diretamente associada com desejo sexual, e que a mulher pode desejar ter a atividade sexual em qualquer dia do seu cíclo menstrual. A diferença é que ela quem dá a cartada, de quando pode ou não pode ter o ato genital em si. Sai da postura de passividade em relação ao homem e toma postura a partir do que conhece de si mesma. Ela, mulher, também quebra com um paradigma, assume o papel de protagonista da busca sexual na relação conjugal.

Ao homem cabe respeitar a mulher, atitude pouco valorizada na cultura. Começa a conhecer as diferentes manifestações do cíclo mentrual de sua parceira. Aprende a não só procurar sua esposa para “transar”, mas para ter momentos de afeto pelos carinhos e carícias.

Ao longo da vida conjugal, o casal terá maior busca pelo desejo sexual e com certeza um ganho enorme na qualidade da expressão da sexualidade.

Por tudo isto que posso confirmar que o MOB reeduca o homem para uma sexualidade poetica, suave e ao mesmo tempo potencialmente orgástica.

Fonte: Pensando Bem

segunda-feira, 15 de março de 2010

Família, torna-te aquilo que és !

 

Por Rafael Llano Cifuentes

Neste artigo, publicado em 1995, o então bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Rafael Llano Cifuentes, expõe como a crise na sociedade é, na verdade, a crise da família. É preciso que a família recupere a sua plena vitalidade, o seu sentido mais genuíno, aquela primordial grandeza que a Vontade Criadora plasmou na sua essência.

Tornou-se ainda mais popular, neste ano internacional da família, a tradicional pergunta “a família, como vai?”, que recebe habitualmente como resposta aquele “muito bem, obrigado”. Mas deixando de lado os costumes do nosso povo, se mergulhássemos a fundo no tema que questiona: em que estado se encontra a família?; a família como Instituição, como célula básica da sociedade, como vai?, o que responderíamos em definitivo?

Como bispo responsável pela pastoral familiar da Arquidiocese do Rio de janeiro e do chamado Leste 1 (Estado do Rio de janeiro)*, tive, ao longo destes últimos anos, oportunidade de me defrontar com a realidade familiar da tantas vezes cantada Cidade Maravilhosa, com os problemas que em linha transversal cortam o rio, do Campo Grande, Mendanha e Santa Cruz até Ipanema, Leblon e São Conrado, passando pelo “morro do Alemão”, pela favela do Jacarezinho e pela de Vigário Geral, até chegar aos luxuosos apartamentos da Lagoa e da Vieira Souto... O que encontrei nesse jogo de contrastes?; o que encontraria você...

(*) Desde de 2004, Dom Rafael Llano Cifuentes é bispo titular da diocese de Nova Friburgo (RJ) (N. do E.).

Se abrirmos os olhos à realidade que nos rodeia, não apenas à família do Rio de Janeiro, mas à sociedade no seu conjunto, ficaremos verdadeiramente pesarosos: as estruturas políticas corroídas pela desonestidade e a corrupção; as diferenças sociais cada vez mais acentuadas; a marginalização de amplos setores da população confinados nas favelas e cortiços; a depauperação moral e econômica de milhões de pessoas; o banditismo e o narcotráfico dominando grandes áreas das nossas cidades; a pouca confiabilidade de alguns setores políticos, administrativos e policiais; a proliferação do divórcio, o aumento das uniões irregulares e, em conseqüência, a deseducação dos filhos, a delinqüência juvenil, o extermínio de meninos de rua, a deterioração de parcelas substanciais da juventude desviada pelos vícios, a vagabundagem e as drogas... a ladainha das mazelas sociais poderia prolongar-se indefinidamente...

Quais são as causas de todos estes males? Sem dúvida poderíamos aduzir uma grande diversidade de motivos; mas, se fôssemos ao fundo da questão, veríamos que a causa fundamental reside na desestruturação da família.

A família está doente!

A família é a célula básica, o “núcleo natural e fundamental da sociedade” (Declaração Universal dos Direitos Humanos). Se as células estão enfermas o corpo inteiro também adoece. Todos os problemas sociais a que antes aludíamos são provocados por homens, homens que nascem numa família, homens que amadurecem ou se aviltam numa família, homens que aprendem o sentido do amor ou do ódio numa família, homens que se pervertem ou se santificam numa família.

A família é a fonte emergente de todos os valores humanos; “o manancial da humanidade do qual brotam as melhores energias criadoras do tecido social” (João Paulo II. Carta aos presidentes por ocasião do Ano Internacional da Família). Se a família fica doente, a sociedade sucumbe.

Mas a família está deveras doente; na realidade dos fatos, está doente!

Esta visão não nos pode levar a uma atitude negativa ou pessimista, deveria ser, pelo contrário, um estímulo para encontrarmos juntos - de forma consciente e ativa - o antídoto capaz de debelar doença tão perniciosa.

Nenhuma ocasião melhor para enfrentar tal desafio do que esta que estamos vivendo agora. É a hora da família. João Paulo II, na carta enviada aos presidentes de todos os países, por causa do Ano Internacional da Família, promovido pela Organização das Nações Unidas, afirma com efeito, que este ano “deveria ser, a ocasião privilegiada para que a família receba, por parte da sociedade e do Estado, a proteção que a Declaração universal reconhece que lhe deve ser garantida. Não o fazer seria trair os ideais mais nobres da ONU”.

Mas reparando nas pretensões da recente conferência do Cairo – paliadas em parte pela firme posição da Santa Sé – deparamo-nos com uma “dolorosa surpresa” (João Paulo II), ao constatarmos que nela havia precisamente uma verdadeira traição aos direitos da família recolhidos nessa declaração universal.

Notava-se, por exemplo, no documento base da Conferência do Cairo, de acordo com o Papa, que “a concepção da sexualidade que subjaz no texto é totalmente individualista”, como se percebe também que é egocentrista o “modelo” que apresenta sobre a própria família: a família, fundada sobre o matrimônio, está efetivamente caracterizada no mesmo documento como um atentado ao amor livre, que às vezes se identifica com o mero prazer sexual.

A família de que falava aquele texto não é a família estável cuja essência está arraigada profundamente na consciência e na sabedoria dos povos, mas outra família indefinida e indefinível que pode identificar-se com a união eventual, o concubinato ou a união homossexual. A partir daí, não é de estranhar que, diante dos nossos olhos assustados com tantos despropósitos, se tente justificar o mais despudorado desrespeito à vida e à defesa do aborto.

Se bem repararmos, todas essas tentativas da Conferência do Cairo, não são senão a conseqüência derradeira de um longo processo que foi configurando o “humanismo antropocêntrico” (o homem individual como medida de todos os valores), que gerou o liberalismo, com uma acentuação desorbitada e falsa da liberdade, e este, por sua vez, deu lugar ao capitalismo histórico e à teoria individualista do matrimônio e da família. A família ficou “descentrada” do seu pólo natural de gravitação que é Deus.

Certificamo-nos de que assim como o capitalismo histórico superdimensiona a importância do lucro particular e desvaloriza a função social do capital e da propriedade, da mesma maneira a teoria individualista da família se polariza unilateralmente – deixando de lado a finalidade social e procriadora do matrimônio ditada pela lei do Criador – na felicidade individual dos cônjuges. Diríamos que é como uma espécie de “capitalismo matrimonial” cujas conseqüências são muito mais graves do que as do capitalismo sócio-econômico. Porque este beneficia apenas o reduzido grupo dos mais poderosos e aquele se estende a todas as camadas populacionais, operando geral transmutação da instituição familiar.

A família ficou “desajustada”, “deslocada” como uma vértebra fora do lugar. E isto afetou grave e dolorosamente o organismo social como um todo.

A partir desta teoria individualista nasceram vários fenômenos que são como os grandes tumores da doença familiar.

As pesquisas sociológicas mais acuradas nos revelam que no último quadrante do século XX se acentuaram várias seqüelas, nascidas a partir desta teoria individualista, que seriam como que as síndromes desse estado patológico: o prazer sensual como finalidade de vida (hedonismo); o amor livre fora do matrimônio; o divórcio; a desvirtuação do amor conjugal; descuido na educação dos filhos etc...

A Conferência do Cairo parece que pretendia precisamente elevar à categoria de avanço histórico o que para toda pessoa sensata é exatamente a consagração do caos familiar. Paradoxalmente dá a impressão de que, no momento em que chega a hora exata para salvar a família doente, quer se lhe aplicar a injeção letal que acabe por aniquilá-la de vez.

É preciso, pelo contrário, que, nesta hora decisiva, nos esforcemos para reverter esse quadro, para que a família recupere a sua plena vitalidade, o seu sentido mais genuíno, aquela primordial grandeza que a Vontade Criadora plasmou na sua própria essência. É necessário que façamos ecoar no âmbito da nossa tão sofrida família brasileira, da nossa tão querida e contrastante cidade maravilhosa, as vigorosas palavras de João Paulo II: “Família, torna-te aquilo que és!” (Familiaris Consortio, n° 17). Família, volta a compreender que a união conjugal não é uma relação meramente genital, mas uma comunhão de vida e de amor! Volta, coloca-te à disposição dos desígnios de Deus, reafirmando que o amor conjugal não tem como finalidade precípua o prazer dos cônjuges, mas a união indissolúvel de dois destinos a serviço da vida, da procriação de novos seres humanos. Família, retorna àquela verdade que diz que os filhos não são primordialmente um elemento de satisfação dos pais mas, pelo contrário, os pais é que são um fator de realização da personalidade dos filhos.

Acredito que muitos ainda se recordam da frase, dita aos gritos no Maracanã, dirigida ao mais famoso ponta-direita da seleção brasileira:

“Volta para casa, Mané!... Mané, volta para casa!”

Os torcedores queriam que ele voltasse à sua família, aos seus filhos a quem tinha largado para se juntar a uma conhecida cantora. Até o povo mais simples, nas suas expressões tão espontâneas reconhece o que há de mais autêntico na família.

Desde a Odisséia de Homero, em que Ulisses está sempre voltando para casa à procura de Penélope, sua esposa, e de seu lar, a história da literatura apresenta a metáfora da vida como uma viagem, como um eterno retorno aos valores mais genuínos do ser humano. E Novalis, o poeta romântico alemão, costumava dizer também, quando viajava: “estou voltando para casa, estou sempre voltando para casa”. De forma diversa, mas análoga, o expressava, há 25 séculos, outro poeta grego, Píndaro: “Homem, torna-te aquilo que és!”, frase que hoje retoma João Paulo II, quando exclama: “Família, torna-te aquilo que és!”

A humanidade morre de saudades evocando a família ideal que leva gravada como paradigma no fundo da sua consciência.

Essas insondáveis saudades que o homem sente pelo amor sereno e pacífico de um lar, esse eterno retornar do homem àquilo que corresponde com a sua mais genuína essência, e que se concretiza naquele grito da multidão no Maracanã, é o que nós poderíamos também dizer em alta voz à família:

Volta para casa! volta para casa do Pai, que é onde encontrarás os mais autênticos valores daquela família, com a qual Deus te dotou!

Família, se queres ser feliz, torna-te aquilo que és!

Retorna para casa, sempre para casa! Aí encontrarás o calor de um lar, a compreensão dos seres queridos, o remanso de paz onde se refazem as forças, o ninho aconchegante onde viverão, pais e filhos, em estreita solidariedade e amor.

Assim, quando no decorrer dos anos alguém porventura nos perguntar: “A família, como vai?”, você e eu poderemos então responder com a convicção de quem aproveitou essa hora da família:

– A família: a sua, a minha, a nossa família, a nossa pequena pátria doméstica, vai bem; vai muito bem, de acordo com os inefáveis desígnios que Deus sonhou para nós antes da constituição do mundo. Assim, meu amigo, na verdade, a família vai extraordinariamente bem!

Rafael Llano Cifuentes
Licenciou-se em Direito Civil pela Universidade de Salamanca e é Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, de Roma. É professor de Direito Matrimonial no Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro, foi Coordenador da Pastoral Familiar, da Pastoral da Juventude e da Pastoral Universitária da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Atualmente, é bispo emérito de Nova Friburgo (RJ) . Publicou diversas obras principalmente na área de matrimônio e família.

Fonte: Revista A Ordem. Vol. 85, ano 74 de 1995.
Quadrante

Entrevista com o psiquiatra católico Richard Fitzgibbons

 

Por Genevieve Pollock

Muitos casais e famílias de hoje sofrem problemas de controle e confiança, afirma o psiquiatra Richard Fitzgibbons. Mas, graças aos sacramentos e à prática da virtude, estes problemas podem ser superados.

Este foi o tema de um recente encontro virtual de uma série patrocinada pelo Institute for Marital Healing, que oferece recursos para casais, conselheiros e clero sobre temas referentes à paternidade, idade adulta, vida familiar e casamento.

Fitzgibbons, diretor do instituto, trabalhou com milhares de casais e escreveu extensamente sobre estes temas. Em 2008, foi nomeado também como consultor da Congregação para o Clero, da Santa Sé.

Nesta entrevista com Zenit, Fitzgibbons fala sobre as causas modernas dos problemas de confiança, a diferença entre ser forte e controlador e as virtudes particulares que oferecem um antídoto para este problema.

Z.: Você menciona que a seção mais popular do seu site é a dedicada ao cônjuge ou familiar controlador. Por que você acha que há tanto interesse neste tema?

Fitzgibbons: De fato, nós nos surpreendemos com a resposta das pessoas na seção do esposo ou esposa controlador.

Após pensar e rezar sobre este assunto, cheguei a uma compreensão mais profunda dos graves fatores pessoais e culturais que estão contribuindo para uma tendência a dominar ou a não confiar nos demais, algo que dá como resultado a necessidade de controlar.

Z.: Você poderia descrever brevemente as características de uma pessoa controladora?

Fitzgibbons: A pior fraqueza de caráter em uma pessoa que cai na tendência a controlar – e todos nós podemos cair às vezes – é tratar o cônjuge (que é um grande dom de Deus) com falta de respeito.

A pessoa controladora se volta totalmente para si mesma, de tal forma que não consegue ver a bondade do seu cônjuge.

A outra grande fraqueza é deixar-se levar com rapidez e em excesso pela cólera. Os cônjuges e familiares controladores são também irritáveis e costumam estar tristes porque, de fato, não é possível controlar ninguém, dado que temos uma dignidade e um vigor como filhos de Deus.

Finalmente, as tendências controladoras afetam a entrega sadia e carinhosa no casamento e reforçam o egoísmo, uma das principais causas dos comportamentos controladores.

Z.: Que danos podem ser causados por cônjuges ou familiares controladores?

Fitzgibbons: Os comportamentos controladores causam dano na amizade do casal, no amor romântico e no amor prometido, três áreas essenciais da entrega matrimonial que João Paulo II descreve em "Amor e Responsabilidade".

A falta de respeito leva o outro cônjuge a sentir-se triste, bravo, desconfiado e inseguro. A não ser que esse conflito seja tratado de forma adequada e correta, podem desenvolver-se graves problemas, incluindo a depressão, ansiedade, abusos graves, infidelidade, separação e divórcio.

Z.: Em nossa rápida sociedade, em que se exige das pessoas que controlem e dominem tantos aspectos da sua vida – economia, saúde, trabalho, família etc. –, uma natureza controladora não seria mais uma vantagem, inclusive uma necessidade para sobreviver? Você vê algo positivo neste tipo de personalidade?

Fitzgibbons: Sim, a confiança e o vigor são características saudáveis na personalidade, que nos permitem responder a muitos desafios no grande sacramento do matrimônio e na vida familiar.

No entanto, é necessário o crescimento diário nas virtudes, de maneira que um marido não pode cruzar a linha porque possui estas qualidades e converter-se assim em controlador.

As virtudes que são essenciais para equilibrar o dom da fortaleza são a amabilidade, a humildade, a mansidão, o autocontrole e a fé.

Uma das metas do casamento é a fortaleza e a confiança, mas não o controle. Convido muitos maridos fortes a rezarem a São Pedro para que os proteja e assim não sejam líderes controladores do seu lar.

Z.: Você indica que, no coração de uma personalidade controladora, costuma haver problemas de confiança. Poderia ampliar isso?

Fitzgibbons: Uma importante causa da tendência a controlar ou dominar é o fato de ter prejudicado, na infância, a capacidade de uma pessoa de confiar ou sentir-se segura.

Depois, os cônjuges podem deixar-se levar de maneira inconsciente pelo medo, até uma forma de agir controladora, isto é, só se sentem seguros quando têm o controle, algo que certamente nunca terão. No passado, os conflitos comuns da infância eram o alcoolismo, os enfrentamentos entre os pais e a experiência de um progenitor controlador.

Os motivos mais recentes de graves danos à confiança durante a infância são a cultura do divórcio, a creche e a epidemia de egoísmo nos pais, causados em grande parte pela uma mentalidade anticonceptiva. Além disso, os homens inseguros assumem comportamentos controladores em uma tentativa de estimular sua confiança masculina. Nos adultos jovens, a cultura das relações diversas também danifica gravemente sua capacidade de confiar sem que eles percebam.

Finalmente, no Catecismo da Igreja Católica, descreve-se um fator espiritual importante que não deveria ser deixado de lado: "Todo o homem faz a experiência do mal, à sua volta e em si mesmo. Esta experiência faz-se também sentir nas relações entre o homem e a mulher. Desde sempre, a união de ambos foi ameaçada pela discórdia, o espírito de domínio, a infidelidade, o ciúme e conflitos capazes de ir até ao ódio e à ruptura" (n. 1606).

Z.: Como uma pessoa pode começar a enfrentar estes temas e mudar seu jeito controlador? Como uma pessoa pode ajudar alguém a quem ama e que pode ser controlador?

Fitzgibbons: O primeiro passo é a necessidade de descobrir esta grave fraqueza matrimonial.

Se os esposos confiassem mais em Deus dentro dos seus casamentos, não temeriam enfrentar esta dificuldade e buscar superá-la.

A mudança necessária pode acontecer por um compromisso de crescer em confiança em Deus e no próprio cônjuge, por um processo de perdão àqueles que, na infância, prejudicaram a confiança, por uma decisão de deter os repetidos comportamentos controladores de um pai, pela meditação regular sobre o fato de que Deus tem o controle e pelo crescimento em numerosas virtudes, entre as quais estão incluídos o respeito, a fé, a amabilidade, a humildade, a magnanimidade e o amor.

O papel da fé pode ser muito eficaz para enfrentar esta grave fraqueza de caráter. Vimos notáveis melhorias na luta contra isso através da graça no sacramento da reconciliação. Animamos os casais católicos controladores a buscarem a cura neste poderoso sacramento.

Além disso, as esposas controladoras podem se beneficiar do aprofundamento em sua relação com Nossa Senhora, vendo-a como modelo e adquirindo suas virtudes, descritas por São Luis Maria Grignion de Monfort no "Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem".

Os maridos controladores serão beneficiados pela meditação sobre São José, na qual podem pedir-lhe que os ajude a ser amáveis, sensíveis, líderes entregados e alegres em seus casamentos e famílias.

Z.: Como psiquiatra, quando você acha que deveria ser sugerido que se busque ajuda externa, de um sacerdote ou conselheiro, para curar as feridas emocionais de uma pessoa?

Fitzgibbons: Recomendo ir a um sacerdote antes de ir a um conselheiro, porque muitos profissionais da saúde mental apoiam a atual cultura do egoísmo.

Brad Wilcox, um jovem sociólogo católico da Universidade de Virgínia, escreveu sobre a influência do campo da saúde mental no casamento: "A revolução psicológica, ao centrar-se na realização individual e no crescimento pessoal, deu como resultado que o casamento acaba sendo visto como um veículo para uma ética orientada à própria pessoa, uma ética do romance, da intimidade e da realização".

"Nesta nova postura psicológica dentro da vida matrimonial, a obrigação primária da pessoa não é a própria família, mas ela mesma; daí que o êxito matrimonial tenha sido definido não como o cumprimento exitoso das obrigações com relação ao cônjuge e aos filhos, mas como uma sensação forte de alegria subjetiva no casamento – que se encontraria em e através de uma relação intensa e emocional com o cônjuge."

Acreditamos que um compromisso sincero de cada um dos cônjuges por crescer no conhecimento de si mesmo e nas virtudes pode resolver o conflito de um esposo controlador sem a necessidade de uma terapia de casal. Não obstante, estão disponíveis novas fontes de referência matrimonial, fiéis aos ensinamentos de Cristo, nos sites de Catholic Therapist e Catholic Psychotherapy.

A intercessão de Nossa Senhora em Caná conduziu ao primeiro milagre do Senhor, levando mais alegria a um jovem casal. Convidamos os casais católicos a lutarem contra os conflitos de controle e egoísmo dirigindo-se a Ela, para outro milagre em seus casamentos.

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Na internet:

Institute for Marital Healing: www.maritalhealing.com

Catholic Therapists: www.catholictherapists.com

Catholic Psychotherapy: www.catholicpsychotherapy.com

Fonte: Zenit

terça-feira, 2 de março de 2010

O Amor, o prazer

 
 

O texto abaixo nos foi enviado por e-mail pelo leitor Joaquim Alves, do blog Que é a verdade?

Por Joaquim Alves

Às 5 horas da manhã abri os olhos.

Mas foi um abrir daqueles que de imediato me disse que já não ia dormir mais.

Fiquei ali e comecei a rezar, aproveitando o silêncio da noite, a paz do momento.

Ao fim de algum tempo veio ao meu pensamento o episódio de Samuel, que foi chamado durante o sono.

Não fazia em mim qualquer comparação, pobre de mim, mas não deixei de perguntar no meu coração: Queres alguma coisa de mim, Senhor?

Senti-me um pouco envergonhado com a minha jactância de poder sequer pensar que Ele me tinha acordado para falar comigo, para me pedir algo que fosse.

Reza, Joaquim, reza que é o que deves fazer e deixa que Ele te adormeça, porque são horas de dormir, pois dentro em pouco tens de te levantar.

Mas nada, nem um pouco sequer de sonolência!

De mansinho duas palavras começaram a irromper na minha cabeça: o amor, o prazer.

Que queria isto dizer?

Com certeza que o amor é um prazer, um prazer sublime que vai muito para além da sensação física, da experiência de um momento.

O amor é algo que nos constrói, e se nos constrói, dá-nos prazer.

Sim, eu percebo que o amor de Deus nos enche e nos constrói, porque dá sentido ao nosso ser, sobretudo quando abrindo-nos a esse amor, também amamos a Deus, com o amor que Ele nos dá e nos faz experimentar, tornando-se uma delícia, um prazer para as nossas vidas.

Sim, sim, é esse amor que Ele nos dá que nos enche e completa, mas a palavra prazer continuava a surgir, mas com uma insistência de prazer físico.

Sabes, quando amas alguém, com esse amor eros, que se dá e recebe na totalidade da entrega, sentes prazer, o prazer de estares com a pessoa amada, que te faz sorrir, que te faz sentir alegre e em paz, mas que depois e ainda, se completa na união física que te leva a experimentar o prazer sensorial, o prazer que te é próprio da humanidade.

Mas até esse prazer físico, repara que é continuado depois mesmo de acabar, ou seja, passa do sentir físico, para um sentir espiritual, um sentir pensado, porque reside no amor do amado e ao amado.

Repara agora tu, que tantas coisas já experimentaste.

Numa relação fortuita, apenas de um momento, movida mais pela urgência do corpo, do que pela vontade do espírito, alguma vez experimentaste esse prazer continuado, ou pelo contrário, esgotado o prazer físico, nada mais ficou do que uma recordação que às vezes até queres rapidamente apagar?

Mas se assim sentimos, não será tempo de pensarmos, que nessa relação fortuita separámos corpo e espírito, e por isso mesmo o prazer é efémero, e como tal não te completa, não te constrói, porque não é amor?

Não, não queres envolver-te em pensamentos filosóficos, mas apenas e tão só tentares perceber o que te quero dizer.

A fonte do amor é Deus, porque foi Deus quem te amou primeiro e assim te ensinou a amar.

Não podes amar sem que o amor de Deus esteja em ti, porque Ele é o amor e é n’Ele que o amor se completa.

Mas não é, nem podia ser apenas o amor d’Ele por ti, e o teu amor por Ele, mas sim e também, todos os que Ele ama, (e são todos), e todos os que tu amas, porque amas com o Seu amor, porque se permaneces no Seu amor, também amas com o Seu amor.

Então repara, se permaneces no Seu amor, quando amas com esse amor eros, também é com o Seu amor que tu amas e és amado, e por isso esse amor é abençoado pela plenitude de Deus e assim tudo o que vem desse amor não tem fim, ou seja, não é um só momento, mas é toda uma vida, que depois da passagem continua no amor eterno.

E por isso, repara mais uma vez, o prazer mesmo físico é abençoado pelo amor de Deus em ti e no outro, portanto torna-se completo, e projecta-se inteiramente na tua vida e na vida do outro, ultrapassando a barreira do físico, para ser vivido e sentido também no espírito.

Ora se o teu corpo é capaz de um tal prazer que ultrapassa a barreira da tua humanidade física, é porque ele é querido por Deus e por isso mesmo um “sacrário” do amor de Deus em ti, para o outro e do outro para ti.

Como podes então tu profanar o teu corpo com um prazer que não vem do amor abençoado por Deus?

Seria o mesmo que servires-te de um sacrário para guardar algo que não fosse o Pão Consagrado! O sacrário deixaria então de ser sacrário!

Teria a forma de sacrário, até lhe podiam chamar sacrário, mas não o era, porque não cumpria a sua “plenitude”, que é guardar o Corpo de Cristo dado como alimento ao homem.

Por isso, quando usas o teu corpo numa relação fortuita, apenas tens um prazer físico, efémero, sem amor, e sem amor o teu corpo não cumpre a sua missão de amar com todo o teu ser, físico e espírito, por isso não te completas, por isso o prazer morre no acto físico e não se projecta mais além.

O teu corpo “separa-se” do teu espírito e é apenas carne, carne que morre sem vida para depois.

É como o sacrário onde colocaram outras coisas que não o Pão Consagrado.

Está lá, mas não existe como sacrário, porque não contém o amor.

Entendes agora porque é que o prazer não pode ser separado do amor, nem o amor do prazer.

Entendes agora porque é que Deus quer que o homem tenha prazer na sua união física com a pessoa amada.

Porque se o amor espírito enche o espírito da pessoa, o prazer físico torna o amor presente no físico da pessoa.

E espírito e físico não podem ser separados!

Se o forem o homem sente-se dividido, e Deus ama o homem todo e não apenas uma parte do homem, e sem Deus o homem não tem amor.

Podia dizer-te ainda que na vivência deste amor completo, espírito e físico, em que Deus está presente e é permanência, o homem é chamado à criação, à multiplicação, é chamado a prosseguir todos os dias a obra de Deus, e que sem o fazer, também não completa o amor que Deus lhe dá, para O amar e amar os outros, mas por agora fica a meditar na extraordinária beleza deste amor humano, que só o é, porque é também divino por vontade de Deus.

Monte Real, 28 de Abril de 2009