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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sombras e Luzes no Casamento.

Por Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina

O relacionamento conjugal e familiar não deve ser o de senhor-escravo, mas de parceiros, companheiros, confidentes.

1. A raiva. É um sentimento destrutivo da pessoa raivosa e da convivência familiar. Destrói a paz e leva ao fracasso do casamento. A raiva acumulada se manifesta em explosões, descontroles, intolerâncias. Quem é escravo da raiva comete graves injustiças. A raiz de muitas doenças está na raiva. Precisamos trabalhar a raiva pela compreensão e compaixão, promovendo o bem-estar do outro. É infantilismo ficar com raiva por qualquer coisa. Examinemos nosso passado e descobriremos as causas da raiva. Vencemos a raiva com o perdão, a reflexão, a humildade, melhor ainda, despistando as ocasiões de brigas. Paciência, tolerância muito ajudam na aceitação do outro.

2. O medo. Onde há medo não há amor. Medo é sinal de submissão, servilismo, desigualdade. Não podemos ser escravos uns dos outros, mas amigos, aliados e irmãos. O medo produz fantasias, fantasmas e enganos. O relacionamento conjugal e familiar não deve ser o de senhor-escravo, mas de parceiros, companheiros, confidentes. Há diferença entre autoridade e poder. O medo leva a controlar o outro e adeus liberdade e confiança.

3. O egoísmo. É um cancro familiar. Casamento é entre-ajuda, partilha, serviço, satisfação pelo bem estar do outro. O casamento é o “reino de nos e do nosso”. O egoísmo é infantilismo e recalque que leva a manipular os outros, a gritar, agredir, fechar-se, isolar-se, vingar-se. Vive-se acusando o outro e na autodefesa. Explosões, criticas, lágrimas, agressões, indiferença são manifestações do egoísmo. O centro da vida familiar é o outro, seu crescimento, sua realização, sua felicidade.

4. A traição. Graves doenças, inclusive o câncer se originam de golpes, frustrações e fracassos provenientes da traição. A infidelidade abre a ferida da rejeição e da perda. É uma morte emocional. Sofrem todos mas especialmente os filhos. A traição é uma grave injustiça contra si mesmo, contra o cônjuge, contra os filhos e contra Deus. É preciso refazer e reorganizar o casamento. Perdão e diálogo fazem milagres.

5. A auto-rejeição. Vem da baixa estima e da não aceitação de si. Quem não se valoriza e não ama a si mesmo, dificilmente aceita ser amado. Não podemos ter olhar de urubu, mas de garimpeiros que na lama encontram o ouro. Nossas fraquezas são também nossas chances de crescimento. Aceitar-se, descobrir as próprias qualidades e dons, aceitar e crer que somos amados pelas pessoas e por Deus, é o caminho da libertação.

6. A autopiedade. É o vitimismo. Eu sou o patinho feio, ninguém cuida de mim. Do complexo de vitima emerge a culpabilização dos outros e autodefesa. Onde há vítima há perseguidor e necessidade de um salvador. Eu não preciso mudar. Eis a pior das cegueiras. Falta o discernimento, a autocritica e a avaliação racional. O vitimismo é chão para proliferação de doenças cujo objetivo é chamar atenção. Quem se preocupa menos consigo, sofre menos. Os sofrimentos, as cruzes levam à mudança e amadurecimento. Quando saímos de nós mesmos, colocamos os outros no centro, nos libertamos. A compaixão pelos outros, o interesse pelo bem dos outros cura-nos do vitimismo.

7. As humilhações. Zombar do outro, falar mal do cônjuge diante de visitas e de familiares, chamar a atenção em público, gritar palavrões, exaltar erros e calar qualidades, criticar sempre e nunca elogiar, são algumas humilhações de nosso cotidiano. É preciso reagir. O outro é alguém com valores, qualidades e dignidade. Elogiar e agradecer é um ato de justiça e de humanismo. Promover o outro e ajudá-lo a crescer é uma obrigação de quem se casou. Na cerimônia do matrimônio prometemos respeitar o outro todos os dias da vida. Só os amados mudam. É preciso casar-se com os defeitos do outro para juntos encontrar os remédios e soluções. Casamento é escola de amadurecimento e de crescimento. No lugar de humilhações, haja elogios.

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