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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A sexualidade é uma bênção, uma dádiva de Deus, se for vista dentro do plano, do projecto do Senhor para as nossas vidas

 

"Assim é o sexo, assim é o matrimónio. Sendo obra de Deus, o sexo é por natureza bom, santo, sagrado. Não é uma coisa má, não é uma coisa vil e sórdida; torna-se mau e turvo somente quando é arrancado do marco divino da paternidade e da maternidade potenciais e do matrimónio. O poder de procriar e os órgãos genitais não trazem o estigma do mal; o mal provém da vontade pervertida, que os desvia dos seus fins, que os usa como mero instrumento de prazer e satisfação, como um bêbado que se empanturra de cerveja sorvendo-a de um cálice consagrado para o altar.

O exercício da faculdade de procriar pelos esposos (os únicos a quem cabe esse exercício) não é pecado, como também não o é procurar e gozar o prazer do abraço conjugal. Pelo contrário, Deus uniu um grande prazer físico a esse acto para garantir a perpetuação do género humano. Se não surgisse esse impulso de desejo físico nem houvesse a gratificação do prazer imediato, os esposos poderiam mostrar-se renitentes em usar essa faculdade dada por Deus diante a perspectiva de terem que enfrentar as cargas de uma possível paternidade. O mandamento divino “crescei e multiplicai-vos” poderia frustrar-se. Sendo um prazer dado por Deus, desfrutá-lo não é pecado para o esposo e a esposa, sempre que não se exclua dele, voluntariamente, o fim divino.

Uma responsabilidade peculiar que incumbe aos pais é a de aceitarem com generosidade os frutos da sua união, os filhos. O Catecismo observa que “por justas razões, os esposos podem querer espaçar o nascimento dos seus filhos. Cabe à sua consciência verificar se tal desejo não procede do egoísmo, antes é conforme à justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão o seu comportamento segundo os critérios objectivos da moralidade.[Motivos verdadeiramente graves, claro. Só esses são aceites pela Santa Igreja para limitar o número de filhos]

“A continência periódica, os métodos de regulação dos nascimentos fundados na auto-observação e o recurso aos períodos infecundos são conformes aos critérios objectivos da moralidade. Estes métodos respeitam o corpo dos esposos, estimulam a ternura entre eles, e favorecem a educação de uma liberdade autêntica. Em contrapartida, é intrinsecamente má «qualquer acção que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha como fim ou como meio tornar impossível a procriação» (HV14)” (ns. 2368 e 2370). O uso de qualquer meio anticoncepcional, como a pílula, o DIU ou os preservativos, mesmo entre casados, constitui pecado grave, porque desvincula o sexo de um dos seus aspectos centrais, a possibilidade de gerar filhos. Em muitos casos, além disso, esses meios podem ser abortivos, o que faz as pessoas que lançam mão deles incorrer também numa infracção do quinto mandamento.

Para muita gente – e nalgumas ocasiões para a maioria -, esse prazer dado por Deus pode, porém, converter-se em pedra de tropeço. Por causa do pecado original, o controle perfeito que a razão deveria exercer sobre o corpo e os seus desejos, está gravemente debilitado. Sob o impulso veemente da carne rebelde, surge uma ânsia de prazer sexual que prescinde dos fins de Deus e das coordenadas que Ele estabeleceu (dentro do matrimónio cristão) para o acto sexual. Noutras palavras, somos tentados contra a virtude da castidade.

Esta é a virtude que Deus nos pede no sexto e no nono mandamentos: “Não cometerás adultério” e “não desejarás a mulher do teu próximo”. Rememoremos que a “lista dos mandamentos” nos foi dada como ajuda para a memória: uns comportamentos pelos quais distribuir os diferentes deveres para com Deus. Cada mandamento menciona especificamente apenas um dos pecados mais graves contra a virtude a praticar (“não matarás”, “não furtarás”), e sob esse encabeçamento são agrupados todos os pecados e todos os deveres de natureza semelhante. Assim, é pecado não só matar, como também travar um duelo ou odiar; é pecado não só furtar, como também danificar a propriedade alheia ou cometer fraude.

Do mesmo modo, é pecado não só cometer fornicação – a relação carnal entre duas pessoas solteiras -, como também praticar qualquer acção deliberada, como tocar-se a si mesmo ou tocar outra pessoa, com o propósito de despertar o apetite sexual fora da relação conjugal. É pecado não só desejar a mulher do próximo, como alimentar pensamentos ou desejos desonestos em relação a qualquer pessoa.

Inclui-se aqui a questão bastante actual da moralidade das relações homossexuais. O Catecismo esclarece: “A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominantemente para com pessoas do mesmo sexo. Reveste formas muito variáveis, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (CDF, decl. Persona humana, 8). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem de uma complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, receber aprovação” (n. 2357).

A castidade – ou pureza – é definida como a virtude moral que regula rectamente toda a expressão voluntária de prazer sexual dentro do casamento e a exclui totalmente fora do estado matrimonial. Os pecados contra esta virtude diferem dos que atentam contra a maioria das demais virtudes num ponto muito importante: os pensamentos, palavras e acções contra a virtude da castidade, se forem plenamente deliberados, são sempre pecado mortal. Uma pessoa pode violar outras virtudes, mesmo deliberadamente, e, no entanto, pecar venialmente, se se trata de matéria leve. Uma pessoa pode ser ligeiramente intemperante, insincera ou desonesta. Mas ninguém pode cometer um pecado leve contra a castidade se violar a virtude da pureza com pleno consentimento. Tanto nos pensamentos como nas palavras ou acções, não há “matéria leve”; não há matéria irrelevante quanto a esta virtude.

A razão é muito clara. O poder de procriar é o mais sagrado dos dons físicos do homem, o que mais directamente se liga a Deus. Este carácter sagrado faz com que a sua transgressão tenha maior malícia. Se a isso acrescentamos que o acto sexual é fonte da vida humana, compreendemos que, se se envenena a fonte, envenena-se a humanidade. Este é o motivo por que Deus rodeou o acto sexual de uma muralha alta e sólida, com cartazes bem visíveis para todos: Proibida a passagem! Deus empenha-se em que o seu plano para a criação de novas vidas humanas não lhe seja tirado das mãos e se desagrade ao nível de instrumento de prazer e de excitação perversos. A única ocasião em que um pecado contra a castidade pode ser venial é quando falta plena deliberação ou pleno consentimento."

(Leo J. TRESE, "A Fé Explicada", Cap. XIX, p. 234-237)

Publicado originalmente em A Dignidade da Mulher Católica

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Valor Divino do Matrimônio

 

No meio do júbilo da festa, em Caná, apenas Maria repara na falta de vinho... Até aos menores detalhes de serviço chega a alma se, como Ela, vive apaixonadamente pendente do próximo por Deus. (Sulco, 631)

O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa que eu, como sacerdote, abençôo com as duas mãos. Na presença de Jesus Cristo nas bodas de Caná, a tradição cristã tem visto freqüentemente uma confirmação do valor divino do matrimônio: Nosso Salvador foi às bodas - escreve São Cirilo de Alexandria - para santificar o princípio da geração humana. 
O matrimônio é um sacramento que faz de dois corpos uma só carne; como diz com expressão forte a teologia, sua matéria são os próprios corpos dos nubentes. O Senhor santifica e abençoa o amor do marido pela mulher e o da mulher pelo marido: estabelece não somente a fusão de suas almas, mas também a de seus corpos. Seja ou não chamado à vida matrimonial, nenhum cristão pode desprezá-la. 
O Criador deu-nos a inteligência, que é como uma centelha do entendimento divino, e que nos permite - mediante a vontade livre, outro dom de Deus - conhecer e amar; e deu ao nosso corpo a possibilidade de gerar, que é como uma participação do seu poder criador. Deus quis servir-se do amor conjugal para trazer novas criaturas ao mundo e aumentar o corpo da sua Igreja. O sexo não é uma realidade vergonhosa, mas uma dádiva divina que se orienta limpamente para a vida, para o amor e para a fecundidade. (É Cristo que passa, 24)

Opus Dei

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

“A vida matrimonial, um caminhar divino sobre a terra”

 

Olha quantos motivos para venerar São José e para aprender da sua vida: foi um varão forte na fé...; levou adiante a sua família - Jesus e Maria -, com o seu trabalho esforçado...; velou pela pureza da Virgem, que era a sua Esposa...; e respeitou - amou! - a liberdade de Deus, que fez a escolha, não só da Virgem como Mãe, mas também dele como Esposo de Santa Maria. (Forja, 552)

Ao pensar nos lares cristãos, gosto de imaginá-los luminosos e alegres, como foi o da Sagrada Família. A mensagem do Natal ressoa com toda a força: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade. Que a paz de Cristo triunfe em vossos corações, escreve o Apóstolo. A paz de nos sabermos amados por nosso Pai-Deus, incorporados em Cristo, protegidos pela Virgem Santa Maria, amparados por José. Essa é a grande luz que ilumina nossas vidas e que, por entre as dificuldades e misérias pessoais, nos impele a continuar para a frente, cheios de ânimo. Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade em que, por cima das pequenas contrariedades diárias, se pudesse notar uma afeição profunda e sincera, uma tranqüilidade profunda, fruto de uma fé real e vivida.

Para um cristão, o matrimônio não é uma simples instituição social, e menos ainda um remédio para as fraquezas humanas: é uma autêntica vocação sobrenatural. Sacramento grande em Cristo e na Igreja, diz São Paulo , e, ao mesmo tempo e inseparavelmente, contrato que um homem e uma mulher estabelecem para sempre, porque - queiramos ou não - o matrimônio instituído por Jesus Cristo é indissolúvel: sinal sagrado que santifica, ação de Jesus que se apossa da alma dos que se casam e os convida a segui-Lo, transformando toda a vida matrimonial em um caminhar divino sobre a terra. 
(É Cristo que passa, 22-23)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sombras e Luzes no Casamento.

Por Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina

O relacionamento conjugal e familiar não deve ser o de senhor-escravo, mas de parceiros, companheiros, confidentes.

1. A raiva. É um sentimento destrutivo da pessoa raivosa e da convivência familiar. Destrói a paz e leva ao fracasso do casamento. A raiva acumulada se manifesta em explosões, descontroles, intolerâncias. Quem é escravo da raiva comete graves injustiças. A raiz de muitas doenças está na raiva. Precisamos trabalhar a raiva pela compreensão e compaixão, promovendo o bem-estar do outro. É infantilismo ficar com raiva por qualquer coisa. Examinemos nosso passado e descobriremos as causas da raiva. Vencemos a raiva com o perdão, a reflexão, a humildade, melhor ainda, despistando as ocasiões de brigas. Paciência, tolerância muito ajudam na aceitação do outro.

2. O medo. Onde há medo não há amor. Medo é sinal de submissão, servilismo, desigualdade. Não podemos ser escravos uns dos outros, mas amigos, aliados e irmãos. O medo produz fantasias, fantasmas e enganos. O relacionamento conjugal e familiar não deve ser o de senhor-escravo, mas de parceiros, companheiros, confidentes. Há diferença entre autoridade e poder. O medo leva a controlar o outro e adeus liberdade e confiança.

3. O egoísmo. É um cancro familiar. Casamento é entre-ajuda, partilha, serviço, satisfação pelo bem estar do outro. O casamento é o “reino de nos e do nosso”. O egoísmo é infantilismo e recalque que leva a manipular os outros, a gritar, agredir, fechar-se, isolar-se, vingar-se. Vive-se acusando o outro e na autodefesa. Explosões, criticas, lágrimas, agressões, indiferença são manifestações do egoísmo. O centro da vida familiar é o outro, seu crescimento, sua realização, sua felicidade.

4. A traição. Graves doenças, inclusive o câncer se originam de golpes, frustrações e fracassos provenientes da traição. A infidelidade abre a ferida da rejeição e da perda. É uma morte emocional. Sofrem todos mas especialmente os filhos. A traição é uma grave injustiça contra si mesmo, contra o cônjuge, contra os filhos e contra Deus. É preciso refazer e reorganizar o casamento. Perdão e diálogo fazem milagres.

5. A auto-rejeição. Vem da baixa estima e da não aceitação de si. Quem não se valoriza e não ama a si mesmo, dificilmente aceita ser amado. Não podemos ter olhar de urubu, mas de garimpeiros que na lama encontram o ouro. Nossas fraquezas são também nossas chances de crescimento. Aceitar-se, descobrir as próprias qualidades e dons, aceitar e crer que somos amados pelas pessoas e por Deus, é o caminho da libertação.

6. A autopiedade. É o vitimismo. Eu sou o patinho feio, ninguém cuida de mim. Do complexo de vitima emerge a culpabilização dos outros e autodefesa. Onde há vítima há perseguidor e necessidade de um salvador. Eu não preciso mudar. Eis a pior das cegueiras. Falta o discernimento, a autocritica e a avaliação racional. O vitimismo é chão para proliferação de doenças cujo objetivo é chamar atenção. Quem se preocupa menos consigo, sofre menos. Os sofrimentos, as cruzes levam à mudança e amadurecimento. Quando saímos de nós mesmos, colocamos os outros no centro, nos libertamos. A compaixão pelos outros, o interesse pelo bem dos outros cura-nos do vitimismo.

7. As humilhações. Zombar do outro, falar mal do cônjuge diante de visitas e de familiares, chamar a atenção em público, gritar palavrões, exaltar erros e calar qualidades, criticar sempre e nunca elogiar, são algumas humilhações de nosso cotidiano. É preciso reagir. O outro é alguém com valores, qualidades e dignidade. Elogiar e agradecer é um ato de justiça e de humanismo. Promover o outro e ajudá-lo a crescer é uma obrigação de quem se casou. Na cerimônia do matrimônio prometemos respeitar o outro todos os dias da vida. Só os amados mudam. É preciso casar-se com os defeitos do outro para juntos encontrar os remédios e soluções. Casamento é escola de amadurecimento e de crescimento. No lugar de humilhações, haja elogios.