Seguidores

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"O amor bendito do matrimônio"

 

‘Abençoo o matrimónio com as minhas duas mãos de sacerdote’, dizia São Josemaria. Recomendava aos cônjuges discutir pouco e terminar sempre com o perdão e um abraço (02’32’’).

 

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Corrigindo as Prioridades

 

Por Luiz Lemos – Fonte : Seguidores do Caminho

Nota: Deve ser lido considerando-se tratar de site protestante.

Alguma vez você já desejou que seu dia tivesse trinta horas, ao invés de vinte e quarto? Eu já! Essas horas extras seriam para aliviar a imensa pressão que pesa sobre nossos ombros, não é?

É comum deixarmos atrás de nós um rastro de tarefas inacabadas:

- Cartas não respondidas

- Discípulos e amigos não visitados

- Artigos não escritos

- Leitura da Bíblia atrasada

- Livros não lidos

- Telefonemas não dados

Além de tarefas normais que uma família enfrenta no dia a dia como crianças para a escola, alimentação e à noite separar um tempo de qualidade como casais.

- momentos não aproveitados para avaliar a vida, decisões que precisamos tomar, etc.

Precisamos desesperadamente atenuar essa pressão que sempre paira sobre nós.

Será que trinta horas resolveriam o nosso problema? Será que não ficaríamos frustrados, da mesma forma, preenchendo essas seis horas a mais e caído na mesma armadilha?

Quando os filhos requerem mais do nosso tempo; quando o trabalho acarreta maior responsabilidade, etc., passamos a nos esforçar mais sem termos tanta alegria em cumprir nossos compromissos.

Meditando sobre a vida e ministério de Jesus, concluímos que Ele não se apressava. Multidões O incomodavam, estranhos disputavam para tocar em Suas vestes. Pessoas com grandes necessidades perturbavam Seu sono e interrompiam Seu ensino.

Em apenas um dia, Jesus encorajou discípulos, curou doentes, ensinou multidões, alimentou cinco mil pessoas e ajudou um amigo que enfrentou uma tempestade no mar. Tudo isso e Ele ainda reservou um tempo para estar a sós com Deus (Jo.6:1-24)

Ao final de três anos de ministério, Ele pode dizer ao Seu Pai que o trabalho para o qual fora enviado estava terminado.

“Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer”. (Jo.17:4)

Mas como? Ainda havia muitos doentes, endemoninhados, gente com fome e lugares para proclamar. Como Ele podia dizer que a obra estava terminada? Vejamos:

1-) DEPENDÊNCIA – (Jo.8:28)

Jesus disse: “... nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou”. Jesus andou em perfeita harmonia, e em total dependência do Pai.

2-) OBEDIÊNCIA – (Jo.15:9,10)

“Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permaneceis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço”.

Jesus alinhou a Sua vida com a do Pai e obedeceu a Palavra, o que Lhe trouxe total realização.

3-) PROPÓSITO – (Jo.8:14)

“...porque sei donde vim e para onde vou”.

Toda ação de Cristo foi baseada no Seu Propósito. Ele não discutiu se tinha tempo ou não para aceitar as Suas atividades. Sua atitude foi deliberada: “Por essa causa Eu vim!”.

É obvio que Jesus conhecia Suas prioridades e as colocava em ordem correta.

QUANDO NOS DETEMOS PARA AVALIAR FRIAMENTE, COMPREENDEMOS QUE O NOSSO PROBLEMA REAL NÃO É A ESCASSEZ DE TEMPO, MAS SIM PRIORIDADES ERRADAS.

Somos envolvidos pela tirania do urgente. O urgente luta pela atenção. Grita, berra como qualquer criança mimada que, atirando-se ao chão, esperneia quando seus desejos não são satisfeitos.

O urgente ataca o lar e seus relacionamentos. Se pararmos para analisar a questão concluiremos que nossos relacionamentos familiares não estão como poderiam e deveriam ser, isso sem mencionar nossas vidas pessoais.

Trabalhamos cada vez mais, para alcançarmos cada vez menos significado no que fazemos. Nossos relacionamentos com nossos cônjuges e filhos diminuem assustadoramente em qualidade e quantidade.

PRECISAMOS, DESESPERADAMENTE, ENTENDER QUAIS SÃO AS PRIORIDADES DE DEUS PARA NÓS E PARA NOSSAS FAMÍLIAS, VAMOS DAR UMA OLHADA NELAS:

1-) PESSOAS ANTES DAS COISAS

A história do casal que foi crescendo e prosperando financeiramente, tinham tudo na área material, o marido cada vez trabalhando cada vez mais, até que a esposa abriu o coração e disse: Acho que você não me ama mais. Mas como, responde o marido assustado: Mas eu tenho te dado todo conforto material e financeiro, como pode isso? Ela responde:

- Querido, eu não quero coisas que você me dá. Quero você!

Nossa prioridade é, primeiramente, darmos a nós mesmos e então, as coisas materiais, seja para o nosso cônjuge, filhos ou pais.

2-) LAR ANTES DA PROFISSÃO

Sei que para alguns acabo de tocar em uma questão difícil, especialmente para o homem ou mulher que anseia realizar-se profissional e ou ministerialmente. Muitas pessoas casam com a profissão, esquecem suas famílias e acabam cometendo um certo tipo de adultério.

3-) CÔNJUGE ANTES DOS FILHOS

Conheço pais que devotam tanto aos filhos, que colocam seus cônjuges em segundo plano. O elo principal em família não é entre pais e filhos, mas sim, entre marido e mulher.

Esta verdade encontra ilustração na vida de muitos casais que se dedicaram tanto aos filhos, que quando eles casaram e saíram de casa, esses casais não suportaram a vida a dois e se separaram. Eles não souberam viver entre si.

4-) FILHOS ANTES DOS AMIGOS

Pai, talvez seja necessário que você abra mão do seu compromisso de sábado à tarde com os amigos, do jogo de futebol com a turma do escritório, ou da visita já marcada, para ir passear com seus filhos, assistir o jogo da escola, fazer compras com sua filha ou pescar com seu filho. Tal atitude, sem sombra de dúvida, mostrará a eles quanto você os considera importantes.

5-) CÔNJUGE ANTES DE SI MESMO

Esta é realmente a essência, do ponto de vista bíblico, no que diz respeito ao casamento. O amor ágape é outro-centralizado e nãoautocentralizado. Mesmo no tocante à relação sexual, Paulo diz em I Co. 7:3-5, que não há lugar para egoísmo nesse tão importante, sublime e íntimo relacionamento. Em nossa sociedade voltada para o egocentrismo, os casais cristãos precisam conscientizar-se de que o amor ágape é o único que pode fazer um casamento realmente bem sucedido.

6-) ESPÍRITO ANTES DA MATÉRIA

Em II Co. 4:18, Paulo diz: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem: porque as que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas”. Mesmo sinceros e bem intencionados, somos impelidos pelos clamores do que há por fazer e confundimos o material com aquilo que é essencialmente do espírito. As coisas eternas são invisíveis. A alma, o galardão celestial, a fé, a esperança e o amor não podem ser vistos, mas são os mais importantes elementos do tempo e da eternidade.

Se continuarmos a nos submeter ao urgente, abraçando um estilo de vida cada vez mais intenso, devemos, enquanto é tempo:

- Parar e avaliar: será que temos colocado pratos demais para girar nas varas?

- Pedir a Deus que nos mostre Suas prioridades para nossas vidas.

- Estar abertos à mudanças drásticas.

Que Deus nos ajude a caminhar rumo à disciplina de uma vida pessoal com Ele, aproveitando o tempo que temos em nossas mãos.

C.S. Lewis citou a seguinte frase: “Ame a Deus de todo seu coração e faça aquilo que quiser!”

Se amarmos o Senhor nosso Deus de todo coração, teremos as perspectivas corretas para tomarmos as decisões em nossas próprias vidas, e sermos bons mordomos do tempo precioso, que passa tão depressa por nossas mãos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Castidade no Matrimônio

 

Essa autenticidade do amor requer fidelidade e retidão em todas as relações matrimoniais. Comenta São Tomás de Aquino que Deus uniu às diversas funções da vida humana um prazer, uma satisfação; esse prazer e essa satisfação são, portanto, bons. Mas se o homem, invertendo a ordem das coisas, procura essa emoção como valor último, desprezando o bem e o fim a que deve estar ligada e ordenada, perverte-a e desnaturaliza-a, convertendo-a em pecado ou em ocasião de pecado.

A castidade – que não é simples continência, mas afirmação decidida de uma vontade enamorada – é uma virtude que mantém a juventude do amor, em qualquer estado de vida. Existe uma castidade dos que sentem despertar em si o desenvolvimento da puberdade, uma castidade dos que se preparam para o casamento, uma castidade daqueles a quem Deus chama ao celibato, uma castidade dos que foram escolhidos por Deus para viverem no matrimônio.

Como não recordar aqui as palavras fortes e claras com que a Vulgata nos transmite a recomendação do Arcanjo Rafael a Tobias, antes de este desposar Sara? O anjo admoestou-o assim: Escuta-me e eu te mostrarei quem são aqueles contra os quais o demônio pode prevalecer. São os que abraçam o matrimônio de tal modo que excluem Deus de si e de sua mente, e se deixam arrastar pela paixão como o cavalo e o mulo, que estão desprovidos de entendimento. Sobre esses o diabo tem poder.

Não há amor humano puro, franco e alegre no matrimônio se não se vive a virtude da castidade, que respeita o mistério da sexualidade e o faz convergir para a fecundidade e a entrega. Nunca falei de impureza e sempre evitei descer a casuísticas mórbidas e sem sentido, mas, de castidade e de pureza, da afirmação jubilosa do amor, sim, falei muitíssimas vezes e devo falar.

A respeito da castidade conjugal, assevero aos esposos que não devem ter medo de expressar o seu carinho, antes pelo contrário, pois essa inclinação é a base da sua vida familiar. O que o Senhor lhes pede é que se respeitem e que sejam mutuamente leais, que se confortem com delicadeza, com naturalidade, com modéstia. Dir-lhes-ei também que as relações conjugais são dignas quando são prova de verdadeiro amor e, portanto, estão abertas à fecundidade, aos filhos.

Cegar as fontes da vida é um crime contra os dons que Deus concedeu à humanidade e uma manifestação de que a conduta se inspira no egoísmo, não no amor. Então tudo se turva, os cônjuges chegam a olhar-se como cúmplices; e produzem-se dissensões que, a continuar nessa linha, são quase sempre insanáveis.

Quando a castidade conjugal acompanha o amor, a vida matrimonial torna-se expressão de uma conduta autêntica, marido e mulher compreendem-se e sentem-se unidos; quando o bem divino da sexualidade se perverte, a intimidade se destrói, e marido e mulher já não se podem olhar nobremente nos olhos.

Os esposos devem edificar a sua vida em comum sobre um carinho sincero e limpo, e sobre a alegria de terem trazido ao mundo os filhos que Deus lhes tenha conferido a possibilidade de ter, sabendo renunciar a comodidades pessoais e tendo fé na Providência. Formar uma família numerosa, se tal for a vontade de Deus, é penhor de felicidade e eficácia, embora afirmem outra coisa os fautores de um triste hedonismo.

É Cristo que passa > O matrimônio, vocação cristã > Ponto 25 (São Josemaria Escrivá)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Top 10: Mentiras mais contadas por Homens e Mulheres …

Fonte: Desculpe a Poeira

Homens

1. Não há nada errado, eu estou bem!
2. Esta vai ser minha última bebida.
3. Não, sua bunda não parece grande com essa roupa.
4. Eu estava sem sinal.
5. Eu estava sem bateria.
6. Desculpe, eu nao vi sua ligação.
7. Eu nem bebi tanto assim.
8. Eu estou a caminho/Eu estou chegando.
9. Nao foi tão caro assim.
10. Eu estou preso no trânsito

Mulheres

1. Não há nada errado, eu estou bem!
2. Ah! Não é novo, eu já tenho faz tempo.
3. Não foi tão caro assim.
4. Estava em promoção.
5. Eu estou a caminho/Eu estou chegando
6. Eu não sei onde está, eu nem toquei nisso.
7. Eu nem bebi tanto assim.
8. Eu estou com dor de cabeça.
9. Não, eu não joguei fora.
10. Desculpe, eu não vi sua ligação.

A Maturidade Afetiva

 

Por Rafael Llano Cifuentes

No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração. “Vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos”

A afetividade não está por assim dizer encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade.

Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou pelo menos entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.

Observamos isto claramente no fenômeno de “fixação na adolescência” ou na “adolescência retardada“. Como já anotamos, o adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma “fixação“, permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.

É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.

Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos truncados, incompletos, mal-formados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem conseqüências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se “descasam“, se “juntam” e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.

Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra?

O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão dificil de definir que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: “Amor“. Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: “O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma“.

A MATURIDADE NO AMOR

Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que “a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro“.

Bem diferente é o conceito de amor que se cultua na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, onde o que mais conta é o prazer. Este fenômeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:

- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum “don Juan“: um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: “É mais fácil conquistar do que manter a conquista“.

- Diviniza-se o amor: “A pessoa imatura – escreve Enrique Rojas – idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge <…>. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenômeno que Ortega y Gasset designou por “doença da atenção”, mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real“.(E. Rojas)

- No imaturo, o amor fica “cristalizado“, como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na “versão real” que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e freqüentemente rupturas.

- A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São suscetíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. “O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta porcentagem de artesanato psicológico“.(E.Rojas)

A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.

- Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de “grude” que prende os outros ao próprio “eu” para completá-lo ou engrandecê-lo.

Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração. Procura cada vez mais atrair os outros para si e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.

Os sentimentos são caminho de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: “Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afetividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental“.

Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com um seu primo – extremamente egoísta – que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntava-lhe em que situação afetiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: “Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama“.

O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, em vez de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum. A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. As pessoas imaturas não compreendem que a dedicação aos filhos constitui um fator importante para a estabilidade afetiva dos pais. Também não assimilaram a idéia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de se empenhar na realização do cônjuge. Quem não é solidário termina solitário. Ou juntando-se a uma “gatinha“, seja de que espécie for.

EDUCAR A AFETIVIDADE

Mais do que nunca, é preciso prestar atenção hoje à educação da afetividade dos filhos e à reeducação da afetividade dos adultos. Uma educação e uma reeducação que devem ter como base esse conceito mais nobre do amor que acabamos de formular: aquele que vai superando o estágio do amor de apetência – que apetece e dá prazer – para passar ao amor de complacência – que compraz afetivamente – e abrir-se ao amor oblativo de benevolência – que sabe renunciar e entregar-se para conseguir o bem do outro.

O amor maduro exige domínio próprio: ir ascendendo do mundo elementar – imaturo – do mero prazer, até o mundo racional e espiritual em que o homem encontra a sua plena dignidade. Reclama que se canalizem as inclinações naturais sensitivas para pô-las ao serviço da totalidade da pessoa humana, com as suas exigências racionais e espirituais. Requer que se conceda à vontade o seu papel reitor, livre e responsável. Pede que, por cima dos gostos e sentimentos pessoais, se valorizem os compromissos sérios reciprocamente assumidos… Aaron Beek, no seu livro Só o amor não basta, insiste repetidamente em que é necessária a determinação da vontade para dar consistência aos movimentos intermitentes do coração: o mero sentimento não basta.

O “amor como dom de si comporta – diz o Catecismo da Igreja Católica – uma aprendizagem do domínio de si <…>. As alternativas são claras: ou o homem comanda e domina as suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. Esse domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida“.

Isto significa cultivar o amor. O maior de todos os amores desmoronar-se-á se não for aperfeiçoado diariamente. Empenho este que, na vida diária, se traduz no esforço por esmerar-se na realização das pequenas coisas, à semelhança do trabalho do ourives, feito com filigranas delicadamente entrelaçadas cada dia, na tarefa de aprimorar o trato mútuo, evitando os pormenores que prejudicam a convivência.

A convivência é uma arte preciosa. Exige uma série de diligências: prestar atenção habitual às necessidades do outro; corrigir os defeitos; superar os pequenos conflitos para que não gerem os grandes; aprender a escutar mais do que a falar; vencer o cansaço provocado pela rotina; retribuir com gratidão os esforços feitos pelo outro… e, especialmente, renovar, no pequeno e no grande, o compromisso de uma mútua fidelidade que exige perseverança nas menores exigências do amor…, uma perseverança que não goza dos favores de uma sociedade hedonista e permissivista, inclinada sempre ao mais gostoso e prazeroso.

O coração não foi feito para amoricos, dizíamos, mas para amores fortes. O sentimentalismo é para o amor o que a caricatura é para o rosto. Alguns parecem ter o coração de chiclete: apegam-se a tudo. Uns olhos bonitos, uma voz meiga, um caminhar charmoso, podem fazer-lhes tremer os fundamentos da fidelidade. Outros parecem inveterados novelistas: sentem sempre a necessidade de estar envolvidos em algum romance, real ou imaginário, sendo eles os eternos protagonistas: dão a impressão de que a televisão mental lhes absorve todos os pensamentos.

Precisamos educar o nosso coração para a fidelidade. Amores maduros são sempre amores fiéis. Não podemos ter um coração de bailarina. A guarda dos sentidos – especialmente da vista – e da imaginação há de proteger-nos da inconstância sentimental, do comportamento volátil de um “beija-flor“…

Tudo isto faz parte do que denominávamos a educação afetiva dos jovens e a reeducação afetiva dos adultos. João Paulo II a chama “a educação para o amor como dom de si: diante de uma cultura que «banaliza» em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e vive de maneira limitada e empobrecida, ligando-a exclusivamente ao corpo e ao prazer egoístico, a tarefa educativa deve dirigir-se com firmeza para uma cultura sexual verdadeira e plenamente pessoal. A sexualidade, de fato, é uma riqueza da pessoa toda – corpo, sentimento e alma -, e manifesta o seu significado íntimo ao levar a pessoa ao dom de si no amor“.

Fonte: Quadrante

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vitor Belford e Joana Prado falam sobre casamento e filhos.

 

Embora durante a entrevista o casal expresse opiniões contrárias à moral católica, selecionamos um trecho muito interessante, em que eles falam sobre manter o romance entre o casal mesmo após a chegada dos filhos.

A atenção que dão aos filhos atrapalha a relação de vocês?

Joana - Quando Kyara fez dois meses, aproveitei que Vitor estava em Los Angeles e fui encontrá-lo. A gente não viajava a sós há cinco anos, desde o nascimento do Davi. Pensamos muito e achamos que era importante para a relação manter um clima de romance. Conversei com as crianças, sofri, mas digo que foi a melhor decisão que tomei.

Houve culpa por deixá-los?

Joana - No caminho para o aeroporto, senti angústia. Antes de decolar, liguei para o Vitor e comecei a chorar, desabei. Aí consegui relaxar mais, estava feliz porque curtiria meu marido, mas com o coração na mão pelas crianças. Sou muito atenta, levanto com qualquer chorinho. Somos pais 24 horas. Às vezes, a gente acorda a mil com eles. Só depois um olha para o outro e dá bom dia. Mas foi legal eles sentirem saudade e saberem que o pai e a mãe estão juntos e felizes. E para a gente, que agora sabe a importância de preservar momentos a dois.

Vitor - O casamento tem sido banido pela sociedade e, na minha opinião, não existe como você ser pai ou mãe sem estar casado. O melhor presente que podemos dar aos nossos filhos é manter a união estável e feliz. Amor é como fogo, precisa da lenha. A rotina faz a relação ficar morna. Então, precisamos estar sempre atentos e alimentando nosso amor para que ele não acabe.

Joana - A gente se policia até para andar de mãos dadas na rua, para não deixar a coisa esfriar.

Fonte: Jornal Extra

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Amor Conjugal e Contracepção

 

Por Pe. Cormac Burke

Há um argumento moderno a favor da contracepção que pretende lançar mão de expressões personalistas, e que pode ser resumido da seguinte forma: o ato matrimonial tem duas funções, uma biológica ou procriadora, e outra espiritual-unitiva. Contudo, este ato só potencialmente é que é procriador; em si mesmo e de fato, é um ato de amor: expressa verdadeiramente o amor conjugal e une entre si marido e mulher. Ora bem, ainda que a contracepção frustre a possibilidade procriadora ou biológica do ato conjugal, respeita integralmente a sua função unitiva e espiritual. Mais ainda, facilita-a, removendo tensões ou receios capazes de prejudicar a expressão física do relacionamento conjugal. Em outras palavras - afirma esse argumento -, a contracepção suspende ou anula o aspecto procriador das relações sexuais no casamento, mas deixa intacto o seu aspecto unitivo.

Até há bem pouco tempo, o argumento tradicional mais importante contra o controle da natalidade era o de que o ato sexual está naturalmente voltado para a procriação, e que é ilícito frustrar esse desígnio porque interfere nas funções naturais do ser humano. Muitas pessoas, porém, não se sentiam totalmente convencidas por este argumento, que parece vulnerável a objeções bastante elementares: afinal de contas, se nós interferimos em outras funções naturais, como, por exemplo, usar tampões nos ouvidos para evitar ruídos ou tapar o nariz para fugir ao mau cheiro, e não há nada de moralmente errado nisso, por que será errado interferir no aspecto procriador do relacionamento conjugal, se há razões suficientes para tomar essa decisão? Seja como for, os defensores da contracepção rejeitam o argumento tradicional por considerá-lo mero "biologismo", que vê no ato conjugal apenas o seu aspecto biológico ou os seus possíveis efeitos biológicos, e ignora a sua função espiritual, que é a de significar e efetuar a união entre os cônjuges.

Os que advogam a contracepção com base nestes termos aparentemente personalistas, pensam estar pisando em solo firme. E se pretendemos responder-lhes e demonstrar a radical fragilidade da sua argumentação, penso que também se deve utilizar um argumento personalista, baseado numa verdadeira compreensão personalista do sexo e do casamento.

O argumento favorável à contracepção apóia-se evidentemente numa tese essencial: os aspectos procriador e unitivo do ato matrimonial são separáveis, isto é, o aspecto procriador pode ser anulado sem viciar de maneira nenhuma o ato conjugal ou enfraquecer o seu modo próprio de expressar o amor e a união conjugal.

É claro que a Igreja rejeita explicitamente essa tese. A principal razão por que a contracepção é inaceitável para uma consciência cristã é "a conexãoinseparável estabelecida por Deus entre os dois significados inerentes ao ato conjugal, o unitivo e o procriador", conforme diz o Papa Paulo VI na Humanae vitae.

Paulo VI afirmou esta conexão inseparável, mas não se deteve a esclarecer por que esses dois aspectos do ato conjugal estão tão inseparavelmente ligados, ou por que esta conexão é tão importante que constitui o próprio fundamento da avaliação moral do ato. Talvez uma reflexão serena, amadurecida por um debate que já dura há mais de vinte anos, possa ajudar-nos a descobrir as razões desta realidade: por que a conexão entre os dois aspectos do ato é na verdade tão profunda que a destruição da sua referência procriadora destrói necessariamente a sua significação personalista e unitiva. Em outras palavras, se alguém destrói deliberadamente o poder de dar a vida, próprio do ato conjugal, necessariamente destrói também o seu poder de expressar o amor, o amor e a união próprios do casamento.

O ATO CONJUGAL COMO ATO DE UNIÃO

Por que o ato conjugal é visto como o ato de autodoação, como a expressão mais característica do amor marital? Por que este ato tão particular - que, afinal de contas, é passageiro e fugaz - deve ser encarado como um ato de união? Afinal de contas, as pessoas que se amam podem manifestar o seu amor e o desejo de estarem unidas de diversas maneiras: enviando cartas, trocando olhares ou presentes, passeando de mãos dadas... O que singulariza o ato sexual? Por que este ato une os cônjuges de um modo inigualável? O que o torna não só uma experiência física, mas uma experiência de amor?

A resposta estará no prazer especial que o acompanha? O significado unitivo do ato conjugal estará totalmente contido na sensação produzida, por mais intensa que ela seja? Se as relações sexuais unem duas pessoas simplesmente pelo prazer que trazem, então um dos dois cônjuges poderia de vez em quando encontrar uma união muito mais significativa fora do casamento. Daí também se seguiria que uma relação sexual que não desse prazer perderia o seu sentido, e que o sexo com prazer, mesmo numa relação homossexual, teria muito sentido.

Não. O ato conjugal pode ser acompanhado de prazer ou não, mas não é nisso que reside o seu significado. O prazer pode ser intenso, mas é transitório, ao passo que a significação das relações matrimoniais, sendo também intensa, não é transitória, mas permanente.

O que torna o ato conjugal mais significativo do que qualquer outra manifestação de carinho entre os cônjuges? Por que há de ser a expressão mais intensa do amor e da união? Sem dúvida, porque o que acontece no encontro conjugal não é um simples contacto nem uma mera sensação intensa, mas umacomunicação, um oferecimento e uma aceitação, uma troca de algo que representa de modo único o dom de si mesmo e a união entre duas pessoas.

Não esqueçamos, neste ponto, que o desejo que duas pessoas têm de se doarem reciprocamente e de se unirem mantém-se, humanamente falando [1], num plano puramente intencional. Elas podem vincular-se uma à outra, mas não podem realmente dar-se uma à outra. A máxima expressão do desejo de alguém se entregar a si mesmo é entregar a sua semente [2]. Entregar a própria semente, aliás, é muito mais significativo e muito mais real do que dar o coração. "Eu sou seu e dou-lhe o meu coração; tome-o" é mera poesia, a que nenhum gesto físico pode dar verdadeiro corpo. Pelo contrário, "Eu sou seu e dou-lhe a minha semente; tome-a" não é mera poesia, é amor. É amor conjugal encarnado numa ação física privilegiada e singular, por meio da qual se exprime a intimidade - "Eu lhe dou o que não dou a mais ninguém" - e se consuma a união: "Tome o que tenho para lhe dar: a semente de um novo eu. Unida à que você tem para me dar, à sua semente, será um novo eu-e-você, fruto do nosso conhecimento e amor mútuo". Em termos humanos, é o máximo a que se pode chegar na entrega de si mesmo e na aceitação da entrega do outro, de forma a completar a união conjugal.

Portanto, o que torna o ato conjugal uma união e um relacionamento insubstituíveis não é uma sensação compartilhada, mas um poder compartilhado: um poder sexual físico que é extraordinário precisamente por estar orientado intrinsecamente para a criatividade, para a vida. Num autêntico relacionamento conjugal, cada um dos cônjuges diz ao outro: "Eu aceito você na minha vida como a ninguém mais. Você é único para mim, e eu o sou para você. Você, e só você, será o meu marido; você e mais ninguém será a minha mulher. E a prova de que você é insubstituível para mim é o fato de que com você, e só com você, estou disposto a compartilhar este poder que Deus me deu e que está orientado para a vida".

É nisto que consiste o caráter único das relações sexuais. Qualquer outra manifestação física de afeto não ultrapassa o nível de simples gesto e é apenas um símbolo da união desejada. Mas o ato conjugal não é somente um símbolo. No genuíno relacionamento sexual entre os cônjuges, algo real é trocado: há uma entrega e uma aceitação plenas da masculinidade e da feminilidade conjugais. E como testemunho desse relacionamento conjugal e da intimidade da união, a semente do marido é depositada no corpo da esposa [3].

Ora bem, se se anula deliberadamente a orientação para a vida, própria do ato conjugal, destrói-se o seu poder essencial de expressar a união. A contracepção, na realidade, transforma o ato conjugal num auto-engano ou numa mentira: "Eu o amo tanto que só com você estou disposto a compartilhar este poder singularíssimo..." Mas que poder singularíssimo? Num sexo submetido aos anticoncepcionais, já não há nenhum poder singularíssimo a ser compartilhado, exceto o poder de produzir prazer. A sua significação desapareceu.

Um relacionamento sexual realizado sob o efeito de anticoncepcionais é um exercício sem sentido. Talvez seja comparável ao ato de cantar sem deixar que nenhum som escape dos lábios. Alguns de nós estaremos lembrados de Jeanette McDonald e Nelson Eddy, dois populares cantores de duetos de amor nos primeiros musicais de Hollywood. Seria absurdo se eles tivessem cantado duetos silenciosos, simulando os movimentos da boca sem deixar as cordas vocais produzirem sons inteligíveis: pura reverberação sem sentido..., mera agitação que nada significa. A contracepção está nessa linha. Os cônjuges voluntariamente estéreis entregam-se a movimentos corporais, mas a sua "linguagem corporal" já não é realmente humana [4]. Impedem os seus corpos de se comunicarem entre si de forma sexuada e inteligível; imitam os movimentos de uma canção de amor, mas aí não há canção.

Com efeito, a contracepção não é apenas uma ação sem sentido; é uma ação que contradiz o sentido essencial do verdadeiro relacionamento conjugal, pois este deveria expressar uma autodoação incondicionada e total [5]. Ao invés de se aceitarem mútua e totalmente, os cônjuges que utilizam anticoncepcionais rejeitam uma parte do outro, uma vez que a fecundidade é parte de cada um deles. Rejeitam uma parte do seu amor mútuo: o poder de dar fruto...

Um casal pode dizer: "Nós não queremos que o nosso amor dê fruto". Se é assim, cairão em contradição ao tentarem exprimir o seu amor através de um ato que, por natureza, implica um amor fecundo. E a contradição será maior ainda se eles, durante a realização do ato, destruírem deliberadamente a sua orientação para a fecundidade, porquanto é justamente dessa orientação que deriva a sua capacidade de manifestar a singularidade do seu amor.

Na união conjugal autêntica, marido e mulher devem experimentar a vibração da vitalidade humana na sua própria fonte [6]. No caso da "união contraceptiva", os cônjuges experimentam uma sensação, mas uma sensação destituída de verdadeira vitalidade.

O efeito antivida da contracepção não se detém neste "não" ao possível fruto do amor. Tende também a extinguir a vida do próprio amor. De acordo com a dura lógica da contracepção, a antivida transforma-se em anti-amor. O seu efeito desvitalizante devasta o amor, ameaçando-o com um envelhecimento rápido e uma morte prematura.

Neste ponto, vale a pena antecipar uma possível crítica: dir-se-á que esta argumentação está baseada numa alternativa incompleta, na medida em que parece sustentar que o ato conjugal ou é procriador ou recai no simples hedonismo... Os cônjuges que concordam com a contracepção não poderiam contra-argumentar com a afirmação sincera de que não procuram no sexo apenas o prazer, mas que também experimentam e expressam o amor que sentem um pelo outro?

Vamos esclarecer o nosso posicionamento neste ponto concreto. Não afirmamos que os cônjuges adeptos do uso de anticoncepcionais não se amem ao realizar o ato, nem que eles não expressem uma certa singularidade no seu relacionamento, na medida em que afastam a possibilidade de terem a mesma intimidade com uma terceira pessoa. A nossa tese é que este relacionamento não manifesta a singularidade conjugal. O amor, de certa forma, pode estar presente no relacionamento, mas o amor conjugal não se manifesta por esse relacionamento, e até pode ver-se rapidamente ameaçado por ele. Esses cônjuges são constantemente perseguidos pela desconfiança de que o ato que compartilham não é, por parte do outro, realmente uma entrega privilegiada de prazer, mas uma aquisição egoísta de prazer. É lógico que uma sensação de falsidade ou de vazio se insinue nas suas carícias, visto que se propõem fundamentar a singularidade do seu relacionamento num ato de prazer que, afinal de contas, tende a recluí-los na esterilidade. Ambos se recusam a apoiar o seu relacionamento na dimensão conjugal da co-criatividade amorosa, a qual, na sua vitalidade, não possibilita a simples abertura de um ao outro, mas a abertura de ambos para a totalidade da vida e da criação.

AMOR SEXUAL E CONHECIMENTO SEXUAL

A autodoação mútua e exclusiva do ato conjugal consiste na entrega e na aceitação de algo único. Este algo único, porém, não é só a semente (aí, sim, cairíamos no "biologismo"), mas a plenitude da sexualidade de cada cônjuge.

Não é bom para o homem estar sozinho (cf. Gen 2, 18): foi neste contexto que Deus criou a mulher. Deus criou o ser humano numa dualidade - masculino e feminino - capaz por sua vez de transformar-se numa trindade. As diferenças entre os dois sexos falam, portanto, de um plano divino que visa a complementaridade, o auto-aperfeiçoamento e a auto-realização, também através da autoperpetuação.

Não é bom para o homem estar sozinho porque ele não se pode realizar sozinho: necessita dos outros. E necessita especialmente de um outro: de um esposo ou uma esposa. O crescimento e a auto-realização do ser humano estão normalmente condicionados pela união com o esposo ou a esposa, pela entrega mútua, pela união conjugal e sexual na autodoação.

Este amor não é apenas espiritual, mas também corporal, e o conhecimento mútuo em que se fundamenta também não é um mero conhecimento intelectual, mas corporal. O amor conjugal deve basear-se também no conhecimento carnal, o que é plenamente humano e lógico. Que expressividade a da Bíblia quando, ao referir-se ao ato sexual, diz que o homem e a mulher se conheceram! Adão, diz o autor do Gênesis, conheceu Eva, sua esposa. Que comentário podemos fazer a respeito desta equivalência entre intimidade conjugal e conhecimento mútuo estabelecida pela Bíblia?

Em que consiste este conhecimento inconfundível que marido e mulher comunicam entre si? Trata-se do conhecimento da condição humana integral do outro enquanto cônjuge. Cada um deles "desvela", "descobre" um segredo muito íntimo ao outro: o segredo da sua sexualidade pessoal. Cada um é revelado verdadeiramente ao outro como cônjuge, e atinge o conhecimento do outro na singularidade dessa auto-revelação e autodoação matrimonial. Cada um dos dois se deixa conhecer pelo outro, precisamente como marido ou mulher.

Nada é tão capaz de minar um casamento como a resistência em conhecer e acolher plenamente o outro, ou em deixar-se conhecer plenamente por ele. O casamento está continuamente ameaçado pela possibilidade de que um dos cônjuges oculte algo ao outro, retendo para si algum conhecimento que ele ou ela não quer que o outro possua. E isto pode acontecer em todos os níveis da comunicação interpessoal: tanto no nível físico como no espiritual [7].

Em muitos casamentos modernos, há alguma coisa nos cônjuges, e entre eles, que cada um dos dois não quer conhecer nem enfrentar corajosamente, mas evitar: a sexualidade em todas as suas dimensões. Em conseqüência, já que os dois não consentem em ter um pleno conhecimento carnal recíproco, elesrealmente não se conhecem, nem sexual, nem humana, nem matrimonialmente. Isto submete o seu amor a uma tensão existencial terrível, que pode vir a destruí-lo.

Numa autêntica intimidade conjugal, cada um dos cônjuges renuncia à posse defensiva de si mesmo para possuir plenamente o outro e ser plenamente possuído pelo outro. Esta plenitude da entrega e da posse sexual genuínas só se consegue num relacionamento matrimonial aberto à vida. Somente numa vida sexual procriadora os cônjuges permutam um verdadeiro "conhecimento" mútuo e se falam realmente de um modo humano e inteligível; só então se revelammutuamente na plenitude da sua atualidade e potencialidade humanas. Cada um deles oferece e aceita o pleno conhecimento conjugal do outro.

Por meio da "linguagem do corpo", cada um dos cônjuges pronuncia uma palavra de amor que é ao mesmo tempo "auto-expressão" - imagem do próprio "eu" - e expressão do desejo que tem do outro. Estas duas palavras de amor fundem-se numa só ao encontrarem-se. E no momento em que esta nova palavra unificada de amor se faz carne, Deus a transforma numa pessoa, o filho: a encarnação do mútuo conhecimento sexual entre marido e mulher e do amor sexual de um pelo outro.

Na contracepção, os cônjuges não permitem que a palavra que a sua sexualidade deseja pronunciar se torne carne. Estão humanamente impotentes diante do amor, sexualmente calados e corporalmente mudos um perante o outro.

O amor sexual é um amor específico do homem e da mulher considerados na sua totalidade: corpo e espírito. Se o corpo e o espírito não dizem a mesma coisa, o amor é inautêntico. E é isto o que acontece na contracepção. O ato corporal fala da presença ou da intensidade de um amor que o espírito renega. O corpo diz: "Amo você totalmente", ao passo que o espírito diz: "Amo você com reservas". O corpo diz: "Procuro você"; o espírito diz: "Não aceito você, pelo menos não totalmente".

O relacionamento sexual contrário à vida degenera em simples pantomima; desfigura a linguagem do corpo e expressa a rejeição parcial do outro. Cada um dos dois passa a dizer: "Não quero conhecer você como meu esposo ou minha esposa; não estou disposto a reconhecer você como meu cônjuge. Quero algo de você, mas não a sua sexualidade. E se tenho algo para lhe dar, algo que deixarei você receber, certamente não é a minha sexualidade" [8].

Isto permite-nos desenvolver um ponto a que aludimos páginas atrás. A recusa que um casal voluntariamente estéril exprime não se dirige somente aos filhos, ou somente à vida, ou somente ao mundo; dirige-se diretamente ao outro cônjuge. "Prefiro você estéril" é o mesmo que dizer: "Não quero tudo o que você me pode oferecer. Calculei a medida do meu amor, e não é suficientemente grande para isso. É um amor incapaz de aceitar você inteiramente. Quero um você encolhido, reduzido à medida do meu amor..." A circunstância de ambos os cônjuges concordarem com essa "versão reduzida" do outro não lhes protege o amor ou a vida - ou as possibilidades de felicidade - dos efeitos de uma desvalorização sexual e humana tão radical.

Um relacionamento sexual normal afirma plenamente a masculinidade e a feminilidade. O homem afirma-se como homem e marido, e a mulher, por sua vez, afirma-se como mulher e esposa. Num relacionamento sexual fechado à concepção, afirma-se apenas uma sexualidade mutilada. Falando com a máxima propriedade, não há afirmação alguma da sexualidade: a contracepção recusa-se de tal forma a deixar conhecer o "eu" que já não permite nenhum conhecimento carnal autêntico. Existe uma profunda verdade humana implícita no princípio jurídico e teológico de que um ato sexual sob o efeito de anticoncepcionais não consuma o casamento. Em suma: o relacionamento sexual contraceptivo não é um autêntico relacionamento sexual.

Num ato contraceptivo, pode haver algum tipo de "intercâmbio" de sensações, mas não há nenhum conhecimento sexual verdadeiro nem amor sexual verdadeiro; não há uma revelação sexual verdadeira do próprio "eu", nem uma comunicação sexual de uma pessoa para outra, nem uma autodoação. Escolher a contracepção é, na verdade, rejeitar a sexualidade. As deformações do instinto sexual de que a sociedade moderna parece sofrer não são conseqüência de um excesso de sexo, mas da ausência de uma sexualidade humana genuína.

O verdadeiro ato conjugal une os dois cônjuges. A contracepção separa-os, e a separação estende-se a todas as dimensões do casamento. Não separa apenas o sexo da procriação, mas também o sexo do amor. Separa o prazer do seu significado, e o corpo do espírito. A longo prazo, com toda a certeza, separa a esposa do marido e o marido da esposa.

Se os casais habituados a usar anticoncepcionais se detiverem um momento a refletir, não demorarão a compreender que o seu casamento sofre de um profundo mal-estar. Verão que as alienações que experimentam são sinal e conseqüência da grave violação da ordem moral que a contracepção representa. Entenderão assim até que ponto a doutrina da Humanae vitae e das posteriores declarações do magistério da Igreja sobre o tema, longe de ser um apegamento cego a uma posição anacrônica, é uma defesa absolutamente lúcida e clarividente da dignidade inata e do verdadeiro significado da sexualidade matrimonial e humana.

SEXUALIDADE PROCRIADORA E AUTO-REALIZAÇÃO

Até aqui, o nosso raciocínio nos fez ver que o ato conjugal contrário à concepção não é capaz de atingir nenhum fim personalista. Ao invés de possibilitar a auto-realização no casamento, o que faz é impedi-la e frustrá-la. No entanto - pode-se perguntar -, só o relacionamento sexual procriador leva à auto-realização dos cônjuges?

A minha resposta é afirmativa, e a razão reside na própria natureza do amor. O amor é criativo. O amor divino, por assim dizer, "obrigou" o próprio Deus a criar. O amor humano, feito à imagem do amor divino, também o leva a criar. Mas se o homem se opõe deliberadamente a criar, frustra-se. A afeição entre duas pessoas leva-as a quererem unir-se para realizarem uma série de coisas juntas. E se isto é verdade no que diz respeito à amizade em geral, assume especial importância e pertinência em relação ao amor entre marido e mulher. Um casal que realmente se ama quer fazer uma série de coisas juntos; se possível, algo "original". Como vimos no capítulo anterior, nada é mais novo e original para um casal do que um filho, imagem e fruto do seu amor e da sua união. É por isso que a realidade matrimonial, o acontecimento por excelência do matrimônio, é ter filhos. Nenhum outro sucedâneo pode satisfazer o amor conjugal.

A vida sexual procriadora realiza, porque somente desse modo os cônjuges se abrem a todas as possibilidades do seu amor mútuo: estão dispostos a enriquecer-se e a realizar-se não apenas com o que vão receber, mas também com o que lhes vai ser pedido. Além disso, a sexualidade procriadora realizaporque exprime o anseio humano de autoperpetuação. Exprime-o sem contradizê-lo, como o faz a contracepção. Enfim: o amor só pode desenvolver-se e ampliar-se com anelos de vida e não com anelos de morte.

Quando nasce um filho num casamento normal, marido e mulher gostam de passar a criança um para os braços do outro. Se a criança morre, já não há alegria, e é entre lágrimas que um passa para o outro o corpo morto. Os cônjuges deveriam chorar e lamentar-se a cada ato realizado sob a ação de anticoncepcionais: é um ato triste e estéril que rechaça a vida vivificadora do amor e que mata a vida que o amor naturalmente deseja criar. Podem sentir satisfação física, prazer, mas não alegria na transmissão de uma semente morta, ou na transmissão de uma semente viva que vai ser morta.

A vitalidade de sensação presente no ato sexual deve corresponder a uma vitalidade de sentido, pois, lembrando o que dissemos antes, o prazer em si mesmo não confere significado. Já a própria explosão de prazer implicada no ato sexual sugere a grandeza da criatividade sexual. Em cada ato conjugal deveria haver algo da magnificência - do alcance e do poder - que transborda da Criação que Michelangelo pintou na Capela Sixtina... Esse dinamismo não deveria limitar-se à simples sensação, mas constituir um evento: algo que vem à tona, uma comunicação de vida.

O ato será destituído de verdadeira consciência sexual se a intensidade do prazer não conseguir provocar uma compreensão plenamente consciente da grandeza da experiência conjugal: "Eu me estou entregando - entregando o meu poder de dar vida - não só a uma pessoa, mas à totalidade da Criação: à história, à humanidade, aos planos e desígnios de Deus". Em cada ato de união conjugal, ensina o Papa João Paulo II, "renova-se de certo modo o mistério da Criação em toda a sua profundidade original e poder vital" [9].

É necessário fazer uma última observação. Toda esta questão que vimos considerando torna-se sem dúvida muitíssimo complexa precisamente por causa da força do instinto sexual. No entanto, devemos compreender que é a própria força desse instinto que exige uma adequada compreensão da sexualidade. O simples bom senso nos diz que o impulso sexual deve corresponder a necessidades ou aspirações profundamente humanas. Tradicionalmente, tem-se explicado o instinto sexual colocando-o dentro de um marco demográfico ou cósmico: tal como o instinto do comer e do beber é necessário para manter a vida dos indivíduos, assim o apetite sexual é necessário para manter a vida da espécie. Esta explicação faz sentido, e resolve algumas dúvidas, mas não vai muito longe. O apetite sexual - a força do apetite sexual - corresponde não apenas a umas necessidades demográficas ou coletivistas, mas também a necessidades pessoais. Se o homem e a mulher sentem um profundo anseio pela união sexual, é porque também cada um deles, pessoalmente, tem um anseio profundo por tudo o que a autêntica sexualidade implica: autodoação, autocomplementaridade, auto-realização, autoperpetuação, na união conjugal com o outro.

A experiência de uma sexualidade matrimonial plena está repleta de um prazer polifacético, em que a simples satisfação física de um mero instinto sensitivo é acompanhada e enriquecida pela satisfação pessoal de anseios muito mais profundos e poderosos, inerentes a uma sexualidade livre da deturpação e da amargura que provêm da frustração desses anseios. Se uma das principais conseqüências da contracepção é a crescente e contínua frustração sexual, a razão está em que a mentalidade contraceptiva priva o poder do apetite sexual do seu sentido e da sua finalidade verdadeiras, tentando encontrar uma experiência sexual e uma satisfação plenas em algo que, ao fim e ao cabo, é pouco mais do que o mero alívio de uma tensão física.

Amor e Casamento, Editora Quadrante, 1991.

----------------

[1] Como é óbvio, não falamos aqui da entrega que uma pessoa pode fazer de si mesma a Deus.

[2] (**) Por semente referimo-nos aqui ao elemento procriador tanto masculino como feminino.

[3] Deste modo, cada ato conjugal reafirma de fato a singularidade da decisão de casar-se com uma determinada pessoa. Cada ato de verdadeiro relacionamento sexual confirma a condição única de se ser marido ou mulher do outro.

[4] A "linguagem corporal" é uma expressão-chave nos escritos do Papa João Paulo II sobre a sexualidade e o casamento.

[5] "A contracepção contradiz a verdade do amor conjugal" (João Paulo II, Alocução, 17 de setembro de 1983).

[6] Isto continua a ser verdade nos casos em que, por qualquer razão, os cônjuges não podem ter filhos. Em tais casos, a sua união, do mesmo modo que a união durante a gravidez, recebe o seu sentido mais profundo do fato de tanto o ato conjugal como a intenção que alimentam estarem "abertos à vida", ainda que o ato não possa dar origem a um novo ser. É esta fundamental abertura à vida que confere ao ato o seu sentido e a sua dignidade. Em contrapartida, a ausência desta abertura arruína gradativamente a dignidade e o sentido do ato sexual, quando, sem motivos graves, os cônjuges se limitam a realizá-lo deliberadamente nos períodos infecundos.

[7] Obviamente, não nos referimos aqui às ocasiões em que um dos cônjuges, por uma questão de justiça em relação a terceiros, esteja submetido àobrigação de guardar um determinado segredo, por exemplo de natureza profissional. O cumprimento de qualquer dever legítimo não representa uma violação dos direitos da intimidade matrimonial.

[8] Se no relacionamento sexual contraceptivo entre os cônjuges não é a sexualidade o que cada um deles oferece e aceita, então o que é que realmente os dois recebem e entregam? No melhor dos casos, uma forma de amor desvinculada da sexualidade. Mas, em geral, é simplesmente prazer, um prazer que - vale a pena repisar - também está desvinculado da sexualidade. Seja como for, os cônjuges adeptos da contracepção sempre renegam a sua própria sexualidade. E o seu casamento sofre as conseqüências.

[9] Audiência Geral, 21 de novembro de 1979.