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sábado, 5 de setembro de 2009

Sexualidade Humana: Verdade e Significado

Dom Rafael Llano Cifuentes

As finalidades da função sexual

O sexo é um dom do Criador; um dom que inclina o homem a unir-se à mulher através do amor conjugal e que permite a perpetuação da espécie humana por meio da relação sexual. Um dom necessário para a formação da família, célula base da sociedade, que propicia o ambiente adequado para o crescimento e a educação dos filhos. Um dom, enfim, que é fonte de amor e de vida. Por todas estas razões, é algo extraordinariamente bom que se deve agradecer à suma bondade de Deus.

Este plano de Deus poderia ser especificado de uma forma mais ampla.

Todos os instintos têm como finalidade, uma imediata e outra mediata ou final. O instinto alimentar, por exemplo, satisfaz primeiro o apetite, o gosto de comer, a fome, mas não é esta a sua finalidade última. Esta finalidade é a sustentação do organismo, a nutrição do nosso corpo. Quando uma pessoa come em excesso para satisfazer apenas o apetite, o prazer de comer está prejudicando a sua saúde, está desvirtuando a finalidade última do instinto. Por isso a gula é um pecado. Não é pecado por experimentar o prazer da comida, mas por subverter a ordem do instinto alimentar, colocando o prazer acima da função nutritiva. A história de decadência do povo romano nos diz que era tal a desordem dos instintos, que havia nas salas de jantar o chamado vomitatorium, onde se provocava o vômito para continuar comendo – algo que nos repugna profundamente.

Pois bem, com o instinto sexual acontece o mesmo. Ele satisfaz primeiro o apetite, o prazer sexual, consegue depois a vinculação dos corações e dos corpos e, por último, a união das moléculas masculina e feminina, a união do espermatozóide com o óvulo. Há uma seqüência perfeita. Deus nos deu a atração sexual para cumprimos uma nobre finalidade: o amor e, em decorrência, o nascimento de uma nova vida humana.

A pureza do amor sexual consiste precisamente na sua integridade. Não se pode separar o aspecto unitivo – a relação sexual – do aspecto procriador, como diz a Encíclica Humanae Vitae (Papa Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae n.12). Quando se procura apenas o prazer pelo prazer, como por exemplo, através da masturbação, das relações homossexuais, das relações conjugais anormais ou aquelas em que se usam anticoncepcionais, está-se agindo de maneira antinatural. A fornicação nestes casos não é pecado por provocar o prazer. É pecado por subverter a ordem do instinto, colocando o prazer acima da função procriadora ou desvirtuando-a. Aqui reside também uma das causas da decadência desta nossa sociedade consumista e hedonista: procura-se o prazer sexual a todo custo provocando o aviltamento do ser humano. As desordens na ordem sexual não são menos nojentas do que as dos banquetes orgiásticos da decadência romana.

Essas desordens provocaram uma ruptura no vínculo natural existente entre o sexo e o amor conjugal, e entre este e a procriação.

A problemática de um ponto de vista histórico e cientifico

Esta relação entre a relação sexual e a procriação poderia ser entendida também através de um prisma histórico e científico.

A História, a sociologia, a psicologia tanto quando a genética nos falam desse imenso e fortíssimo impulso de atração entre o homem e a mulher, um impulso amoroso que se plenifica física e afetivamente na relação sexual. E essa relação sexual e seus mecanismos misteriosamente lúcidos levam a união do espermatozóide com o óvulo. A mobilidade, a “agressividade”, a vitalidade deste ser microscópico é algo que admira os cientistas. Em cada emissão de sêmen provocada pelo ato conjugal, estão contidos de 300 a 400 milhões de espermatozóides que disputam ansiosa e inconscientemente – com notável versatilidade e energia – a fecundação do óvulo. Avançam impreterivelmente para a cavidade uterina atacando o óvulo com uma substância dissolvente – a hialuronidase – para penetrar na célula feminina. Só um entre esses milhões sai vitorioso.

Esse esbanjamento de vida, esse esforço incrível da natureza, essa sábia capacidade de penetração e fecundação é só uma imagem biológica do que significa o amor conjugal. Com a mesma força inconsciente com que o espermatozóide procura o óvulo, o homem procura conscientemente o amplexo íntimo com a mulher.

Pois bem, toda ruptura artificial desse grande encontro consciente ou inconsciente representa uma frustração profunda da natureza.

Hoje é fácil ouvir falar de “equilíbrio ecológico”, de “preservação das forças da natureza”, mas é difícil, ao mesmo tempo, ouvir comentar que a ruptura da seqüência natural do ato conjugal representa mais do que um “desequilíbrio ecológico”, um verdadeiro atentado ao que há de mais sagrado na natureza: a fonte da própria vida humana.

A causa das desordens sexuais

Este atentado, esta desvinculação da relação sexual da sua conseqüência natural, a fecundação, está motivada, é óbvio, pelo desejo de fruir do deleite sexual fugindo do seu resultado natural. Pretende-se – como diz o trocadilho clássico – “o bônus” e não o “ônus”. Procura-se o bel-prazer e rejeitam-se as responsabilidades inerentes.

Reiteramos que o prazer é ordenado à união de dois seres humanos para elevá-los a um estado superior de integração amorosa e ao mesmo tempo para fundir na unidade duas células, a masculina e a feminina, a fim de perpetuar a vida humana.

O que une o homem à mulher – o ato conjugal – deve ter capacidade para unir, também, espermatozóide com o óvulo. Assim – repetimos mais uma vez com a Humanae Vitae -, “salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem à paternidade”(Papa PauloVI, Humanae Vitae n. 12).

É por isto que todos os métodos anticoncepcionais são ao mesmo tempo antinaturais.

O papel do matrimônio

Dentro do plano de Deus, como se pode claramente deduzir, as finalidades da sexualidade devem realizar-se só dentro do matrimônio.

Por que razão?

Porque só o matrimônio é capaz de dar ao amor mútuo e à educação dos filhos a estabilidade que exigem.

Com efeito, o aperfeiçoamento, o processo e o aprofundamento do amor reclamam uma continuidade que está por cima das flutuações e mudanças do sentimento ou dos percalços da vida em comum; e a educação dos filhos também postula que, pelo menos até superada a adolescência, os pais permaneçam unidos.

O matrimônio, com efeito, é capaz de dar essa estabilidade porque exige um compromisso de permanência, de acordo com as normas ditadas por Cristo no Evangelho: “Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido um homem rejeitar-sua mulher por um motivo qualquer? Respondeu-lhes Jesus: “Não leste que o Criador no começo fez o homem e a mulher e disse: por isso o homem deixará o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher e serão dois numa só carne? Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher ao ser rejeitada? Jesus responde-lhe: por causa da dureza de vosso coração, mas no começo não foi assim”...(Mat19,3-9)

A Igreja, ao longo de vinte séculos, repetiu essa doutrina, resumida num documento que diz: “O uso da função sexual não tem o seu verdadeiro sentido e a sua retidão moral senão no matrimônio legítimo” (Sagrada Congregação para a doutrina da fé, Declaração sobre alguns pontos de Ética Sexual” n.5, 29 de dezembro de 1975).

O Novo Catecismo da Igreja Católica, publicado no Brasil em 1993, enriquece esta idéia: “A sexualidade está ordenada para o amor conjugal entre o homem e a mulher. No casamento a intimidade corporal dos esposos se torna um sinal e um penhor de comunhão espiritual. Entre os batizados os vínculos do matrimônio são santificados pelo sacramento”. (n.2360).

Fonte: Site de Dom Mauro Aparecido dos Santos, Cascavel, PR

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