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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Coisas a se pensar antes de dizer: “ eu aceito”

 

Fique atento no período de namoro e noivado, sugere juiz do tribunal eclesiástico.

Por Karen Mahoney
Fonte:  Catholic Herald

Tradução: Uma só Carne.

A maioria das cerimônias católicas de casamento são experiências lindas. A noiva e o noivo se olham nos olhos e o padre ou diácono pergunta: “Vocês se aceitam mutuamente como esposo e esposa, prometendo amar-se e respeitar-se, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?” É comovente, em parte por causa da ambientação, do contexto – o altar, a presença da Eucaristia, flores, decoração, vestuário e a família e amigos que vêm prestigiar essa união.

No entanto, é também significativo de uma maneira magnífica por causa do sacrifício que demanda. Dois indivíduos, tão diferentes apesar de nutrirem interesses mútuos, acordam em se oferecerem um ao outro com duas palavras simples, mas poderosas: “eu aceito”.

O casamento é um símbolo do relacionamento de Cristo conosco, com a Igreja, sua noiva. Casamentos, como nosso relacionamento com Cristo, estão sujeitos a chuvas e trovoadas, mas Cristo nunca desiste de sua noiva. Infelizmente, as estatísticas mostram que os cônjuges frequentemente desistem uns dos outros.

Para os católicos romanos, o divórcio civil não tem qualquer efeito sobre o sacramento. A Igreja somente reconhece anulações, um processo pelo qual a Igreja declara que um matrimônio nunca existiu.

As práticas eclesiais envolvendo matrimônio e anulação têm como objetivo a proteção do sacramento do matrimônio para ajudar os católicos a viverem plenamente a vida sacramental.

A Igreja Católica presume que os matrimônios sejam válidos, vinculando para sempre os cônjuges. Quando os casais se divorciam, e uma ou outra parte requer a anulação do casamento, a Igreja examina em detalhes o matrimônio para determinar se algum elemento essencial estava faltando em seu relacionamento. Se for provado esse fato, significa que os cônjuges não tinham o laço marital indissolúvel.

Em 2002, em discurso endereçado à Rota Romana, o tribunal no Vaticano que lida com os casos de anulação, o Papa João Paulo II instou os advogados e juízes a não tomarem parte em casos de divórcio, decretando que o divórcio é uma “chaga infeccionada” que devastou a sociedade.

O pontífice disse que suas recomendações se aplicam a todos os casos de divórcio, não somente àqueles envolvendo católicos. A constância do matrimônio é parte da ordem divina e natural e se aplica a todos, ele disse.

Apesar dos desejos do papa anterior, as taxas de divórcio continuam aumentando, e, para aqueles se preparando para casar, é interessante examinar cuidadosamente o relacionamento e o comprometimento antes de dizer “eu aceito”.

De acordo com Jesus Cabrera, juiz eclesiástico do Tribunal Metropolitano da Arquidiocese de Milwaukee, ninguém se casa esperando se divorciar. “Todo mundo chega para o casamento com um ideal romântico e entra nele firmemente convencido de que os relacionamentos durarão para sempre”, ele disse.

Cabrera, membro do tribunal por sete anos que já testemunhou o desfazimento de incontáveis matrimônios, aconselha os casais a considerarem várias coisas além de atração natural e sentimentos românticos antes de fazerem seus votos matrimoniais.

“Conheçam-se mutuamente e às famílias antes de decidirem pelo casamento”, ele disse. “É importante identificar alguns “sinais de alerta” durante o período pré-marital. Preste especial atenção à dinâmica do casamento dos pais de seu namorado(a).

Cabrera sugere examinar os seguintes pontos:

  • Vocês têm valores familiares semelhantes ?
  • O divórcio é comum na família de origem ou no círculo de amigos dele(a) ?
  • Você sabe quem são os amigos dele(a) e como essa pessoa se relaciona com eles ?
  • Ele(a) é orientado(a) para a carreira ?
  • Essa pessoa bebe demais ou usa drogas?
  • Há incidência de distúrbios mentais no histórico familiar dele(a) ?
  • Vocês dois têm status social, religião e cultura semelhantes ?
  • Essa pessoa pretende se casar por motivos bons e honrados ?

Embora as diferenças possam ser distintas, reconhecer e aceitar a existência delas é importante para que o casamento dure, mais que ignorá-las e simplesmente confiar que elas desaparecerão.

“Essas diferenças vão causar mais divisões entre vocês ou são complementares?”, pergunta Cabrera. “Vocês partilham da mesma filosofia em termos dos bens do casamento, como fidelidade, comprometimento e filhos?”

Enquanto alguns possam pensar que casar cedo é razão para o fracasso do casamento, a imaturidade pode estar presente em qualquer idade e pode acabar forçando um dos cônjuges a assumir integralmente a responsabilidade pelo matrimônio.

Outros sinais são parceiros egoístas, dominadores ou controladores. Se esses traços são exibidos logo, pode ser a deixa para um relacionamento abusivo.

Como este um dos motivos chave para a taxa de divórcio crescente, é importante examinar a saúde financeira do casal e seus princípios. Cabrera convida os casais a descobrirem como o casal encara as finanças.

“Essa pessoa é financeiramente responsável e disciplinada? Essa pessoa gosta de jogos de azar ou gasta mais do que ganha?”, ele pergunta. “Seria sábio da parte dos casais discutirem seus entendimentos e preocupações financeiras individuais e coletivas para compreender melhor a visão de administração financeira do outro.”

Depois que os fogos de artifício emocionais baixam um pouco, e os casais têm mais intimidade e familiaridade, os desafios se apresentam – a atração superficial deve dar lugar naturalmente a um amor e aceitação incondicionais e espirituais.

Muito discernimento individual deve ocorrer antes do casamento, de acordo com Cabrera.

“Em que nível está essa pessoa fisicamente, mentalmente ou espiritualmente – e essa pessoa poderá suportar os desafios da vida?”, ele questiona. “É também importante avaliar a sua capacidade e a do outro de se abrir inteiramente de forma a estar intimamente e emocionalmente disponível. Depois de cautelosa reflexão, pergunte-se se poderia passar a vida inteira com essa pessoa e – direta ou indiretamente – com os demais membros da família dela e seus amigos.”

Diretora Associada do departamento de processos eclesiásticos, Zabrina Decker aprendeu durante seu serviço no tribunal metropolitano que o maior presente que duas pessoas podem se dar no matrimônio é a honestidade, desde o princípio do relacionamento.

“Às vezes, no calor de um novo relacionamento, a pessoa tenta ser alguém que não é”, diz ela. “Isso não é saudável para ela, o parceiro, ou para o relacionamento.”

Aprender a se comunicar efetivamente também tem papel essencial em um relacionamento bem-sucedido.

“É imperativo que os casais conversem”, diz Decker. “Não somente sobre as grandes questões sobre finanças e família, mas sobre as pequenas coisas do cotidiano. Falar sobre quem vai lavar a louça ou dobrar a roupa pode parecer mundano mas a frustração que toma espaço se não há compreensão pode ser enlouquecedora.”

O Matrimônio é um dom que deve ser cultivado, e é necessário que ambas as partes dêem 100% de si para que ele funcione, diz Cabrera.

“Devemos reconhecer que nós humanos não somos perfeitos, então não podemos esperar um parceiro perfeito”, diz ele. “Perfeição nas nossas vidas é somente um ideal”.

Pergunte-se:

  • Estou carregando traumas oriundos da minha família de origem?
  • Estou trazendo “bagagem” de relacionamentos anteriores ?

Precisamos resolver nossas próprias questões antes de trazer para a nossa vida as do parceiro. Questões mal-resolvidas vão trazer um peso extra para o relacionamento que precisa ser soldado e solidificado.

Casamento não é a resposta para meus problemas pessoais, minhas deficiências ou necessidades. O casamento está fadado ao fracasso desde o início quando a pessoa sobe ao altar pelas razões erradas ou por motivos egoístas.

Precisamos trabalhar duro e buscar as graças de Deus para fazer o casamento dar certo.

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